1. Alexandre is crazy.
2. Carlota is just as crazy as Alex.
3. Joana gosta de comida de mãe.
4. Nobody gives a damn about a skinny horse.
5. When Paula plays 11, she always gets the card she wants.
6. Pedro is the Godfather and Dajo has no respect.
7. Ricardo knows that we don't have "this shit" in America.
8. It's good to drink a beer after exercising.
9. The ice cream is way better in Ribeira Grande than in Vila Franca.
10. Air scarves are awesome!
11. Rodrigo doesn't always hit the target, but he can communicate with cows.
12.You can get anyone to talk about poop if you start the conversation.
Saturday, August 30, 2008
Tuesday, August 26, 2008
Já te disse que elas acabaram, cérebro!
Eu bem que estou a tentar voltar ao trabalho, mas não está a sair nada de jeito. É como se eu já estivesse aqui à frente ao computador com o processador de texto aberto, mas o meu cérebro continuasse de férias.
Friday, August 22, 2008
Primeiro pensamento no regresso a casa
Estou de volta a NY e, para já, tenho o seguinte a dizer: por mais racional que se seja na análise de estatísticas, viajar de avião depois de ver imagens do acidente da Spanair no televisor da sala de embarque do aeroporto não é a melhor experiência que se pode ter.
Friday, July 25, 2008
Fechado até 21 de Agosto (ou 22 - não me lembro quando é que venho de férias e não tenho paciência para me levantar e ir ver ao bilhete de avião)
Como a partir de Domingo vou estar nos Açores, deixa de fazer sentido estar aqui a contar o que se anda a passar comigo. Quem estiver interessado, que telefone.
Entretanto, quis incluir neste post aquela que será a minha playlist deste Verão. São algumas sugestões musicais que deixo aqui para que quem vier ao blogue enquanto eu estiver de férias não venha em vão.
Entretanto, quis incluir neste post aquela que será a minha playlist deste Verão. São algumas sugestões musicais que deixo aqui para que quem vier ao blogue enquanto eu estiver de férias não venha em vão.
Wednesday, July 23, 2008
Ponto final parágrafo
Não é o fim do blogue, estejam descansados. Enquanto eu por cá andar, vão ter de levar comigo. O título deste post vem simplesmente a propósito do facto de me ter esquecido de dizer que deixei de ir trabalhar para a Paragraph.
Não me dei bem com aquilo. O ambiente era um bocado elitista de mais para o meu gosto e comprovei algo que até já sabia: eu escrevo, mas não sou escritor. Não sei ter conversas sobre Proust ou Camus, não estou ao corrente dos últimos lançamentos literários e nem sequer leio livros com grande frequência. Não tenho, pois, cabedal mental para ombrear com escritores a sério e, por isso, a verdade é que estava num patamar completamente diferente das maioria das pessoas que por lá andavam. Não que tivesse encontrado intelectuais de barba e óculos imersos em camalhaços. Pelo contrário. Apesar de ter conhecido alguns autores com best-sellers na lista do New York Times e com livros entre o Top 10 da Amazon, era tudo muito mais cool, muito mais moderno, o que, mesmo assim, não evitou que me sentisse deslocado.
Não ajudou, deduzo agora, o facto de não falar inglês na perfeição. Se, às vezes, ainda me é difícil exprimir exactamente o que quero em conversas com pessoas normais, imaginem agora tentar entrar em diálogo com escritores que, naturalmente, por fazerem da língua a sua ferramenta de trabalho, a dominam com total mestria. Quando começava a perceber do que se estava a falar, já o assunto era outro.
Isto, é evidente, quando os assuntos me interessavam, o que não se aplica, bem entendido, àquele dia em que entrei na zona de convívio e se estava a falar da evolução do socialismo na Nova Zelândia.
Não me dei bem com aquilo. O ambiente era um bocado elitista de mais para o meu gosto e comprovei algo que até já sabia: eu escrevo, mas não sou escritor. Não sei ter conversas sobre Proust ou Camus, não estou ao corrente dos últimos lançamentos literários e nem sequer leio livros com grande frequência. Não tenho, pois, cabedal mental para ombrear com escritores a sério e, por isso, a verdade é que estava num patamar completamente diferente das maioria das pessoas que por lá andavam. Não que tivesse encontrado intelectuais de barba e óculos imersos em camalhaços. Pelo contrário. Apesar de ter conhecido alguns autores com best-sellers na lista do New York Times e com livros entre o Top 10 da Amazon, era tudo muito mais cool, muito mais moderno, o que, mesmo assim, não evitou que me sentisse deslocado.
Não ajudou, deduzo agora, o facto de não falar inglês na perfeição. Se, às vezes, ainda me é difícil exprimir exactamente o que quero em conversas com pessoas normais, imaginem agora tentar entrar em diálogo com escritores que, naturalmente, por fazerem da língua a sua ferramenta de trabalho, a dominam com total mestria. Quando começava a perceber do que se estava a falar, já o assunto era outro.
Isto, é evidente, quando os assuntos me interessavam, o que não se aplica, bem entendido, àquele dia em que entrei na zona de convívio e se estava a falar da evolução do socialismo na Nova Zelândia.
Thursday, July 17, 2008
Nunca digas nunca
Hoje fui visitar a The New School, uma das universidades aqui de Nova Iorque. Desde que tirei o curso de fotografia, ando com vontade de aprender e aquilo que sempre afastei das minhas cogitações desde que acabei a licenciatura anda a tornar-se um desejo cada vez mais forte: voltar à universidade.
De todos os departamentos da The New School, o mais famoso é, sem dúvida, o Parsons Institute, um dos mais prestigiados institutos de moda e design do mundo. Apesar disso, e depois de ter ainda considerado tirar um curso de design gráfico, estou muito mais inclinado para um curso de cinema. Comecei a considerar esta hipótese quando a Jennifer me disse que o irmão de uma amiga dela tirou lá esse curso e, agora, anda a fazer videoclips para o Jay-Z. Não que eu queira especialmente fazer videoclips para o Jay-Z (embora isso fosse interessante, nem que seja pela possibilidade de vislumbrar a Beyoncé num dia que ela fosse ao set visitar o marido), mas sim porque este exemplo prova que nesta universidade se adquire conhecimentos e - talvez ainda mais importante - contactos para se conseguir fazer videoclips para o Jay-Z.
Gostei muito do que vi na minha visita à escola. Boas instalações, excelente localização, bom ambiente, calendário extensivo de eventos (entre os quais mostras de filmes de alunos e festivais de cinema) e todo um conjunto de infraestruturas de apoio que, se calhar existem em todas as universidades como deve ser, mas, como eu tirei o curso numa que não tinha nada disso, para mim é todo um mundo fascinante de oportunidades.
É claro que não estou a pensar tirar mais um curso superior. Já tenho um e, para além do mais, não tenho paciência nem tempo para isso. A ideia é, talvez, completar o film production certificate, isto é, um curso que, no fundo, é um conjunto de cadeiras tiradas ao longo de dois anos em horário pós-laboral, uma ou duas vezes por semana. O interessante é que essas cadeiras e os professores que as leccionam são exactamente os mesmos, com muito poucas excepções, do masters em cinema que a universidade também oferece. A diferença é que, para que as cadeiras contem para o masters, é preciso pagar seiscentos dólares por crédito, o que, em números redondos, dá um total de mais de quinze mil dólares. Quinze mil marrecos apenas para ter direito a um canudo no fim no curso? Não me parece...
De todos os departamentos da The New School, o mais famoso é, sem dúvida, o Parsons Institute, um dos mais prestigiados institutos de moda e design do mundo. Apesar disso, e depois de ter ainda considerado tirar um curso de design gráfico, estou muito mais inclinado para um curso de cinema. Comecei a considerar esta hipótese quando a Jennifer me disse que o irmão de uma amiga dela tirou lá esse curso e, agora, anda a fazer videoclips para o Jay-Z. Não que eu queira especialmente fazer videoclips para o Jay-Z (embora isso fosse interessante, nem que seja pela possibilidade de vislumbrar a Beyoncé num dia que ela fosse ao set visitar o marido), mas sim porque este exemplo prova que nesta universidade se adquire conhecimentos e - talvez ainda mais importante - contactos para se conseguir fazer videoclips para o Jay-Z.
Gostei muito do que vi na minha visita à escola. Boas instalações, excelente localização, bom ambiente, calendário extensivo de eventos (entre os quais mostras de filmes de alunos e festivais de cinema) e todo um conjunto de infraestruturas de apoio que, se calhar existem em todas as universidades como deve ser, mas, como eu tirei o curso numa que não tinha nada disso, para mim é todo um mundo fascinante de oportunidades.
É claro que não estou a pensar tirar mais um curso superior. Já tenho um e, para além do mais, não tenho paciência nem tempo para isso. A ideia é, talvez, completar o film production certificate, isto é, um curso que, no fundo, é um conjunto de cadeiras tiradas ao longo de dois anos em horário pós-laboral, uma ou duas vezes por semana. O interessante é que essas cadeiras e os professores que as leccionam são exactamente os mesmos, com muito poucas excepções, do masters em cinema que a universidade também oferece. A diferença é que, para que as cadeiras contem para o masters, é preciso pagar seiscentos dólares por crédito, o que, em números redondos, dá um total de mais de quinze mil dólares. Quinze mil marrecos apenas para ter direito a um canudo no fim no curso? Não me parece...
Sunday, July 13, 2008
Pacote de estímulo
O George Bush deu-me 1200 dólares. E eu nem sequer lhe pedi nada. Não foi só a mim, é claro - não sou assim tão especial. Toda a gente que pagou impostos aqui nos Estados Unidos recebeu um cheque de 600 dólares, no caso de ser solteiro, e de 1200, no caso de ser casado. Faz parte do chamado stimulus package, uma medida para ajudar a reanimar a economia americana e evitar que ela entre em recessão.
A ideia do governo federal é dar dinheiro às pessoas para que elas o vão gastar nas lojas e, dessa forma, o reintroduzam na economia. É um conceito interessante, sem dúvida, mas não sei até que ponto vai funcionar já que, da maneira que as coisas andam por aqui, muitos americanos utilizaram esses cheques, não para comprar nada, mas sim para reduzir as dívidas dos cartões de crédito, o que acaba por não ter o efeito desejado na ecomonia. No meu caso, os 1200 dólares foram direitinhos para a Sata International já que os utilizei para comprar a minha passagem para os Açores. Pode assim dizer-se que o Bush me pagou as férias, facto que não deixa de ser curioso.
Apesar da eficácia desta medida numa escala nacional ser duvidosa, no que a mim me diz respeito, este pacote de estímulo foi uma grande ideia. Receber dinheiro caído do céu, sem mexer uma palha? Até parece mentira. Se isto não é o verdadeiro american dream, então não sei o que será. Na minha opinião, isto só peca por defeito. Se querem mesmo reanimar a economia, deviam era enviar-me um cheque destes todos os meses. Isso é que era uma reanimação como deve ser.
A ideia do governo federal é dar dinheiro às pessoas para que elas o vão gastar nas lojas e, dessa forma, o reintroduzam na economia. É um conceito interessante, sem dúvida, mas não sei até que ponto vai funcionar já que, da maneira que as coisas andam por aqui, muitos americanos utilizaram esses cheques, não para comprar nada, mas sim para reduzir as dívidas dos cartões de crédito, o que acaba por não ter o efeito desejado na ecomonia. No meu caso, os 1200 dólares foram direitinhos para a Sata International já que os utilizei para comprar a minha passagem para os Açores. Pode assim dizer-se que o Bush me pagou as férias, facto que não deixa de ser curioso.
Apesar da eficácia desta medida numa escala nacional ser duvidosa, no que a mim me diz respeito, este pacote de estímulo foi uma grande ideia. Receber dinheiro caído do céu, sem mexer uma palha? Até parece mentira. Se isto não é o verdadeiro american dream, então não sei o que será. Na minha opinião, isto só peca por defeito. Se querem mesmo reanimar a economia, deviam era enviar-me um cheque destes todos os meses. Isso é que era uma reanimação como deve ser.
Monday, July 7, 2008
This is the life....
I must share this. I hope someday to see all of these places..Please click here.
Escrevo, não escrevo
Estou aqui escrevo, não escrevo este post. Por um lado, gostava de o escrever para partilhar isto com mais alguém; por outro, o seu conteúdo poderá arrepiar os mais sensíveis. Não sei... É melhor não... É. É mesmo melhor não. Está decidido: não vou escrever este post. Direi apenas que a história que queria contar envolve unhas dos pés e portas de frigorífico. Ah! E que eu estava descalço. Pronto! Não digo mais nada. É melhor não. Acho que até já disse de mais.
Saturday, July 5, 2008
Ahhhh... Oohhh...
A promessa tinha sido feito no ano passado e, portanto, este ano, não podíamos faltar ao Macy's Fireworks Spectacular, o fogo de artifício comemorativo do 4 de Julho lançado sobre o East River, entre Manhattan e Brooklyn.
Três notas:
- A organização daquilo, nomeadamente no que diz respeito à distribuição e ao controlo de fluxo de pessoas, é qualquer coisa do outro mundo. É que não andam pelas margens do East River dez mil, nem mesmo cem mil pessoas. Por aquilo que li, são à volta de três milhões. Três milhões de pessoas a querer ver a mesma coisa e nunca fui empurrado, nem apertado, nem puxado.
- Considerando que era o dia da indepência dos Estados Unidos não vi tantas bandeiras americanas como estava à espera . Um ou outro patriota mais entusiamado com um lenço azul e vermelho na cabeça, uma ou outra T-shirt com a bandeira, e pouco mais.
- Em relação ao fogo de artifício propriamente dito, é, sem dúvida, uma coisa em grande e, se eu podia pensar que já estava tudo inventado na arte do fogo de artíficio, a verdade é que vi uns truques novos, dos quais destaco foguetes luminosos que, depois de lançados, descem lentamente pelos céus porque têm pequenos pára-quedas. Aquilo é quase como marines cobertos de luzinhas de Natal a serem lançados de um helicóptero sobre o Vietname.
Três notas:
- A organização daquilo, nomeadamente no que diz respeito à distribuição e ao controlo de fluxo de pessoas, é qualquer coisa do outro mundo. É que não andam pelas margens do East River dez mil, nem mesmo cem mil pessoas. Por aquilo que li, são à volta de três milhões. Três milhões de pessoas a querer ver a mesma coisa e nunca fui empurrado, nem apertado, nem puxado.
- Considerando que era o dia da indepência dos Estados Unidos não vi tantas bandeiras americanas como estava à espera . Um ou outro patriota mais entusiamado com um lenço azul e vermelho na cabeça, uma ou outra T-shirt com a bandeira, e pouco mais.
- Em relação ao fogo de artifício propriamente dito, é, sem dúvida, uma coisa em grande e, se eu podia pensar que já estava tudo inventado na arte do fogo de artíficio, a verdade é que vi uns truques novos, dos quais destaco foguetes luminosos que, depois de lançados, descem lentamente pelos céus porque têm pequenos pára-quedas. Aquilo é quase como marines cobertos de luzinhas de Natal a serem lançados de um helicóptero sobre o Vietname.
Friday, July 4, 2008
Help Wanted
Hi all! I know that it has been a really really (really) long time since I last posted, but I am in desperate need of some assistance. As many of you know, I am doing my masters in English as a Second language. I was accepted into my college and was only told months later that my living abroad experience didn't count toward their foreign language credits requirement. I need to take a "test" stating that I am at an intermediate level in Portuguese. Now, determining levels is very vague, which is to my advantage. But to be honest, I think that I learned more Portuguese than someone who took 9 credits of it at an American university. (9 credits = Intermediate level. 9 credits equals three semesters) Is there anyone who can help me while we are visiting the island? I need someone at a university to sign a paper declaring my Portuguese level.
Thank you so much for your help!
Thank you so much for your help!
Thursday, July 3, 2008
O roubo - Parte 2
Aparentemente, a novela vai ter menos partes que o antecipado porque o banco já me creditou na conta o valor de todas as transacções fraudulentas. Ainda não é propriamente o capítulo final desta história já que, na carta que me enviaram, os senhores do banco dizem que isto é um «crédito provisório» enquanto eles investigam o caso, mas a prontidão com que o assunto está a ser conduzido é de salutar. Aliás, até o próprio facto de me darem um «crédito provisório» é digno de registo porque, no fundo, eles não sabem se fui mesmo roubado ou se lhes estou a dar uma grande tanga, mas partem do princípio que estou a ser honesto.
Não sei como a coisa seria tratada se tivesse acontecido em Portugal, mas a verdade é que nisto os americanos são muito bons. Há dois ou três meses atrás, por exemplo, quando estava a carregar o passe do metro, a máquina cobrou-me 50 dólares sem colocar esse valor no passe e, ao contrário da minha previsão de que nunca seria reembolsado porque não tinha pedido recibo, bastou escrever uma carta a explicar o que se tinha passado para me enviarem um novo passe com os 50 dólares.
O mesmo se aplica a trocas e devoluções de produtos. Eu sempre fui contra isso, devo dizer, sempre me senti mal a devolver algo que tivesse comprado, mas aqui é um processo tão natural que não tenho o menor problema em voltar à loja e dizer que afinal já não quero aquilo. Acho que isso faz parte da cultura americana, porque o consumismo é de tal ordem que as pessoas compram coisas que não sabem bem se gostam ou não só porque têm medo que esgote. Dessa maneira, podem levar o que compraram para casa e experimentar durante alguns dias, sempre com a certeza que têm a opção de devolver o produto sem terem de responder a nenhuma pergunta a não ser «quer a devolução em dinheiro ou crédito?».
Não sei como a coisa seria tratada se tivesse acontecido em Portugal, mas a verdade é que nisto os americanos são muito bons. Há dois ou três meses atrás, por exemplo, quando estava a carregar o passe do metro, a máquina cobrou-me 50 dólares sem colocar esse valor no passe e, ao contrário da minha previsão de que nunca seria reembolsado porque não tinha pedido recibo, bastou escrever uma carta a explicar o que se tinha passado para me enviarem um novo passe com os 50 dólares.
O mesmo se aplica a trocas e devoluções de produtos. Eu sempre fui contra isso, devo dizer, sempre me senti mal a devolver algo que tivesse comprado, mas aqui é um processo tão natural que não tenho o menor problema em voltar à loja e dizer que afinal já não quero aquilo. Acho que isso faz parte da cultura americana, porque o consumismo é de tal ordem que as pessoas compram coisas que não sabem bem se gostam ou não só porque têm medo que esgote. Dessa maneira, podem levar o que compraram para casa e experimentar durante alguns dias, sempre com a certeza que têm a opção de devolver o produto sem terem de responder a nenhuma pergunta a não ser «quer a devolução em dinheiro ou crédito?».
Monday, June 30, 2008
Troca directa
Troquei de aparelho de ar-condicionado com o porteiro do meu prédio. Eu tinha um ar condicionado portátil, tipo isto:
E troquei-o por um normal, daqueles que se instalam nas janelas. Foi um negócio perfeito, daqueles em que todas as partes ficam a ganhar, porque o porteiro, como vive na cave e tem gradeamento nas janelas, não podia instalar convenientemente o ar-condicionado que tinha, e nós detestávamos o nosso por várias razões:
- apesar deste tipo de aparelhos serem rotulados de «portáteis», a sua portabilidade é algo limitada já que é preciso montar um tubo de condensação na janela e, por isso, sempre que queríamos levar o ar-condicionado para outro lado, era preciso desmontar aquilo e levar o tubo atrás;
- a nossa casa é pequena e uma maquineta deste género ocupava espaço precioso e era quase como se tívessemos um robô no canto da sala (a Jennifer até o chamava de Wall-E)
- por fim, e acima de tudo, aquilo não refrigerava com a potência desejada.
Eu avisei o porteiro disto tudo porque, para além de não ser aldrabão, vejo-o quase todos os dias e, por isso, seria estúpido enganá-lo, tanto mais porque é ele que vem cá a casa quando temos algum problema com as canalizações ou outra coisa qualquer, e sabe-se lá o que um porteiro zangado é capaz de fazer. Foi, pois, com todo o conhecimento de causa que ele aceitou fazer a troca. Por mim, tudo bem, até porque eu a Jennifer já tínhamos combinado ir comprar um ar-condicionado normal no fim-de-semana.
Este negócio, para nós, foi ouro sobre azul porque poupámos dinheiro, livrámo-nos do Wall-E e, principalmente, não tivemos de nos preocupar com instalações, já que o porteiro trouxe o aparelho e montou-o na janela. Isto pode parecer um pormenor sem importância mas, para mim, é um ponto fundamental. Não que não fosse capaz de instalar aquilo, hã? Seria, com certeza. O problema é que, tal como há pessoas que têm pânico de tubarões, eu tenho pânico de deixar cair um ar-condicionado em cima da cabeça de alguém. Acho que foi desde que vi aquele episódio do Seinfeld em que o Kramer quer instalar o Commando 8, um ar-condicionado de 12500 B.T.U's, em casa do Jerry e deixa-o cair em cima de alguém que está a passar na rua.
O que interessa é que agora, com o meu ar-condionado novo, mantenho a casa a temperaturas árticas. É de tal maneira que acho que estaria dentro da legalidade, no que a temperaturas mínimas diz respeito, utilizar a minha sala para pendurar carcaças de vacas, como se de uma arca frigorífica se tratasse. Perguntam vocês: mas faz assim tanto calor que precisses disso tudo? Em resposta a essa questão, dou apenas um exemplo: quando começou o calor e eu ainda não tinha o ar-condicionado montado, deixei no armário o pacote de pepitas de chocolate que ponho nos cereais de pequeno (processo que, aliás, já descrevi aqui ao pormenor). Ora, o calor era tanto que, quando fui a ver, as pepitas tinham-se derretido todas e agora o que eu tinha no armário era uma espécie de mousse de chocolate. É esse o tipo de calor que se faz às vezes sentir aqui.
- apesar deste tipo de aparelhos serem rotulados de «portáteis», a sua portabilidade é algo limitada já que é preciso montar um tubo de condensação na janela e, por isso, sempre que queríamos levar o ar-condicionado para outro lado, era preciso desmontar aquilo e levar o tubo atrás;
- a nossa casa é pequena e uma maquineta deste género ocupava espaço precioso e era quase como se tívessemos um robô no canto da sala (a Jennifer até o chamava de Wall-E)
- por fim, e acima de tudo, aquilo não refrigerava com a potência desejada.
Eu avisei o porteiro disto tudo porque, para além de não ser aldrabão, vejo-o quase todos os dias e, por isso, seria estúpido enganá-lo, tanto mais porque é ele que vem cá a casa quando temos algum problema com as canalizações ou outra coisa qualquer, e sabe-se lá o que um porteiro zangado é capaz de fazer. Foi, pois, com todo o conhecimento de causa que ele aceitou fazer a troca. Por mim, tudo bem, até porque eu a Jennifer já tínhamos combinado ir comprar um ar-condicionado normal no fim-de-semana.
Este negócio, para nós, foi ouro sobre azul porque poupámos dinheiro, livrámo-nos do Wall-E e, principalmente, não tivemos de nos preocupar com instalações, já que o porteiro trouxe o aparelho e montou-o na janela. Isto pode parecer um pormenor sem importância mas, para mim, é um ponto fundamental. Não que não fosse capaz de instalar aquilo, hã? Seria, com certeza. O problema é que, tal como há pessoas que têm pânico de tubarões, eu tenho pânico de deixar cair um ar-condicionado em cima da cabeça de alguém. Acho que foi desde que vi aquele episódio do Seinfeld em que o Kramer quer instalar o Commando 8, um ar-condicionado de 12500 B.T.U's, em casa do Jerry e deixa-o cair em cima de alguém que está a passar na rua.
O que interessa é que agora, com o meu ar-condionado novo, mantenho a casa a temperaturas árticas. É de tal maneira que acho que estaria dentro da legalidade, no que a temperaturas mínimas diz respeito, utilizar a minha sala para pendurar carcaças de vacas, como se de uma arca frigorífica se tratasse. Perguntam vocês: mas faz assim tanto calor que precisses disso tudo? Em resposta a essa questão, dou apenas um exemplo: quando começou o calor e eu ainda não tinha o ar-condicionado montado, deixei no armário o pacote de pepitas de chocolate que ponho nos cereais de pequeno (processo que, aliás, já descrevi aqui ao pormenor). Ora, o calor era tanto que, quando fui a ver, as pepitas tinham-se derretido todas e agora o que eu tinha no armário era uma espécie de mousse de chocolate. É esse o tipo de calor que se faz às vezes sentir aqui.
Sunday, June 22, 2008
Algumas fotos
Coloquei online algumas das fotos que tirei nestes últimos tempos (cliquem aqui ou na imagem do menu lateral). Olhando para as imagens como um conjunto, acho que se nota perfeitamente que sou um principiante, quer pelas falhas técnicas visíveis em algumas delas, quer pela falta de consistência, tanto em termos de estilo como de sujeito. Um conjunto de fotos que contém, por exemplo, imagens tão diferentes como um homem a olhar pela janela do MoMA e três pneus alinhados contra uma parede não pode ser considerado coerente e, penso eu, isso demonstra que, por enquanto, fotografo de modo completamente aleatório, sem nenhum conceito a orientar-me a câmara.
Queria também fazer notar, para justificar algumas das fotos, que muitas delas foram tiradas durante o meu curso de fotografia com o objectivo de praticar técnicas específicas, como sobre-exposição (que produz fotos predominante em tons claros e, por isso, mais leves e etéreas), sob-exposição (que, por outro lado, resulta em imagens mais escuras e, supostamente, mais misteriosas e sombrias), diferentes enquadramentos e diferentes técnicas de composição.
Queria também fazer notar, para justificar algumas das fotos, que muitas delas foram tiradas durante o meu curso de fotografia com o objectivo de praticar técnicas específicas, como sobre-exposição (que produz fotos predominante em tons claros e, por isso, mais leves e etéreas), sob-exposição (que, por outro lado, resulta em imagens mais escuras e, supostamente, mais misteriosas e sombrias), diferentes enquadramentos e diferentes técnicas de composição.
Thursday, June 19, 2008
Depois de escrever este post, percebi que só o facto de o estar a escrever foi uma contradição ao seu contéudo
Eu sei que há para aí muita gente que diz que se sofre mais com os jogos de selecção quando se está à distância, mas, agora que estou à distância, devo dizer que isso é treta. Não se sofre mais coisíssima nenhuma. Pelo contrário. Sofre-se até bem menos. Durante o jogo propriamente dito é a mesma coisa, mas depois, quando o jogo acaba e se por acaso perdemos, como aconteceu frente à Alemanha, o grau de sofrimento é bem inferior porque, se quisermos, podemos desligar por completo e esquecer até que houve jogo. Não levamos com o rescaldo do jogo nos noticiários, não lemos sobre o jogo nos jornais, não falamos sobre o jogo nos cafés. Se não formos à internet, é como se nada tivesse acontecido e podemos prosseguir com a nossa vida. No meu caso, por exemplo, decidi ir à lavar roupa à laundromat. Já que estava mal disposto, pelo menos fui executar uma das tarefas que mais detesto e que, por si só, me põe mal disposto. Dessa forma, as duas más disposições diluíram-se uma na noutra, evitando uma má disposição exclusiva provocada por apenas um dos motivos.
Monday, June 16, 2008
A ideia era ir ver os Vampire Weekend
Sábado à tarde, dia de calor, concerto à borla dos Vampire Weekend no Central Park? É claro que era de ir. A fila, como seria de esperar, começava à porta do Summer Stage, na 72nd Street, e ziguezaveava por entre árvores pelos menos uns dez ou quinze quarteirões. Para aí um quilómetro e meio à vontade de hipsters alinhados à espera de entrar no concerto, ou melhor, de wannabee hispters, já que quem é verdadeiramente hip não se mistura com as massas daquela maneira; quem é verdadeiramente hip não vai a espectáculos gratuitos, mas sim a eventos alternativos ultra-secretos divulgados por canais de comunicação a que só os hipsters têm acesso; quem é verdadeiramente hip já não gosta dos Vampire Weekend porque eles já são demasiado mainstream; quem é verdadeiramente hip viu um um concerto dos Vampire Weekend há um ano atrás «num pequeno bar em Brooklyn» quando ainda ninguém os conhecia.
Seja como for, e fossem elas quem fossem, a verdade é que estavam ali milhares de pessoas para entrar no concerto, circunstância justificada pelo facto de estar em questão aquela que é, de longe, a banda sensação de 2008. E não quero com isto dizer que ache eles sejam extraordinários. Gosto deles, admito que sim, mas neste particular, o pseudo-entendido que estava a atrás de nós a desbobinar ideias feitas sobre música decalcadas da última edição da Rolling Stone e que pertence àquele grupo de pessoas que dizem que o seu álbum preferido dos Radiohead é o Kid A, tinha razão: é curioso como estes fenómenos são criados. Basta um crítico qualquer a quem os amantes de música dão ouvidos dizer «este ano, estes gajos é que são bons» e pronto: está lançado o fenónemo. De um dia para o outro começam a vender discos como se fossem pães quentes, começam a dar entrevistas e aparecem em tudo o que é sítio, até que - e este é o sinal definitivo de que estão mesmo a ter sucesso - os hipsters que gostavam deles antes, decidem deixar de gostar porque já não é cool, e, ao invés, preferem comprar um dos cinquenta CD's exclusivos que a nova banda que ninguém conhece gravou numa cave no SoHo com um daqueles órgãos Casio que encontraram no lixo em sinal de protesto contra a opressão e isso.
Bom, estava eu aqui a querer contar como foi o concerto e, ao olhar para cima, reparo que tenho dois parágrafos recheado de dissertações sobre o funcionamento da cultura indie e, por enquanto, acção... nada. Voltando então à tarde de sábado, estava um belo dia, lembram-se disso? Boa, porque esse dado é importante para se perceber a dimensão pré-apocalíptica da mudança climatérica que viria a verificar-se. Eu já vi muito dia de sol a transformar-se em aguaceiro, mas nada como aquilo. Por acaso, até começou suavemente, como que em jeito de aviso. Uns pingos aqui, outros ali, nada de mais. Depois... a monção. Não estávamos na Índia, bem sei, mas não tenho outra palavra para descrever a quantidade de água que começou a cair. Foi quase como se alguém decidisse construir uma Barragem do Alqueva por cima do Central Park e abrir as comportas naquele momento, tudo isto acompanhado por uma trovoada medonha que parecia estar a rebentar a poucos metros de distância.
Em menos de meio minuto estávamos a pingar como se tivéssemos mergulhado com roupa e tudo no lago ali ao lado. «São burros! Porque é que não se foram embora?», exclamam e perguntam vocês. Não porque fizéssemos assim tanta questão em ver os Vampire Weekend. Isso é garantido. A questão é que ficámos tão encharcados em tão pouco tempo que, agora, nos parecia estúpido irmo-nos embora. Mais estúpido do que ficar, quero eu dizer. Por isso, aguentámos heroicamente até os milhares de resistentes começarem a dispersar e a palavra começar a viajar à velocidade de luz desde desde o início até ao final da fila por entre ahs e ohs de frustração e descontentamento: «Fecharam os portões! Não cabe mais ninguém!».
No metro para casa, a tremer de frio por causa do ar condicionado a congelar-me a T-shirt e os calções colados ao corpo, não estava triste nem frustrado, mas passou-me pela cabeça que se um raio acertasse em cheio do palco e electrocutasse uns quantos, assim uma coisa ligeira, nada de mortes, nem nada disso, eu até ia achar engraçado.
Seja como for, e fossem elas quem fossem, a verdade é que estavam ali milhares de pessoas para entrar no concerto, circunstância justificada pelo facto de estar em questão aquela que é, de longe, a banda sensação de 2008. E não quero com isto dizer que ache eles sejam extraordinários. Gosto deles, admito que sim, mas neste particular, o pseudo-entendido que estava a atrás de nós a desbobinar ideias feitas sobre música decalcadas da última edição da Rolling Stone e que pertence àquele grupo de pessoas que dizem que o seu álbum preferido dos Radiohead é o Kid A, tinha razão: é curioso como estes fenómenos são criados. Basta um crítico qualquer a quem os amantes de música dão ouvidos dizer «este ano, estes gajos é que são bons» e pronto: está lançado o fenónemo. De um dia para o outro começam a vender discos como se fossem pães quentes, começam a dar entrevistas e aparecem em tudo o que é sítio, até que - e este é o sinal definitivo de que estão mesmo a ter sucesso - os hipsters que gostavam deles antes, decidem deixar de gostar porque já não é cool, e, ao invés, preferem comprar um dos cinquenta CD's exclusivos que a nova banda que ninguém conhece gravou numa cave no SoHo com um daqueles órgãos Casio que encontraram no lixo em sinal de protesto contra a opressão e isso.
Bom, estava eu aqui a querer contar como foi o concerto e, ao olhar para cima, reparo que tenho dois parágrafos recheado de dissertações sobre o funcionamento da cultura indie e, por enquanto, acção... nada. Voltando então à tarde de sábado, estava um belo dia, lembram-se disso? Boa, porque esse dado é importante para se perceber a dimensão pré-apocalíptica da mudança climatérica que viria a verificar-se. Eu já vi muito dia de sol a transformar-se em aguaceiro, mas nada como aquilo. Por acaso, até começou suavemente, como que em jeito de aviso. Uns pingos aqui, outros ali, nada de mais. Depois... a monção. Não estávamos na Índia, bem sei, mas não tenho outra palavra para descrever a quantidade de água que começou a cair. Foi quase como se alguém decidisse construir uma Barragem do Alqueva por cima do Central Park e abrir as comportas naquele momento, tudo isto acompanhado por uma trovoada medonha que parecia estar a rebentar a poucos metros de distância.
Em menos de meio minuto estávamos a pingar como se tivéssemos mergulhado com roupa e tudo no lago ali ao lado. «São burros! Porque é que não se foram embora?», exclamam e perguntam vocês. Não porque fizéssemos assim tanta questão em ver os Vampire Weekend. Isso é garantido. A questão é que ficámos tão encharcados em tão pouco tempo que, agora, nos parecia estúpido irmo-nos embora. Mais estúpido do que ficar, quero eu dizer. Por isso, aguentámos heroicamente até os milhares de resistentes começarem a dispersar e a palavra começar a viajar à velocidade de luz desde desde o início até ao final da fila por entre ahs e ohs de frustração e descontentamento: «Fecharam os portões! Não cabe mais ninguém!».
No metro para casa, a tremer de frio por causa do ar condicionado a congelar-me a T-shirt e os calções colados ao corpo, não estava triste nem frustrado, mas passou-me pela cabeça que se um raio acertasse em cheio do palco e electrocutasse uns quantos, assim uma coisa ligeira, nada de mortes, nem nada disso, eu até ia achar engraçado.
Wednesday, June 11, 2008
O roubo - Parte 1
Eu a Jennifer fomos roubados. Não como antigamente. Ninguém nos atacou com uma faca ou ameaçou espetar-nos uma seringa infectada com alguma doença fatal no pescoço. O que nos aconteceu foi algo bem mais sofisticado, uma daquelas coisas de que se ouve falar, mas que se pensa que só acontecem aos outros: alguém teve acesso aos dados de um dos nossos cartões multibanco e andou para aí a gastar o nosso dinheiro a torto e a direito. O cartão esteve sempre connosco, mas, pelos vistos, alguém fez uma cópia e descobriu o PIN, porque a verdade é que, contas feitas, foram quase mil dólares que nos desviaram numa semana. E foi uma sorte a Jennifer ontem ter tido um daqueles pressentimentos sem explicação e ter-me pedido para ir à net ver se estava tudo bem com a conta. Se não fosse isso, tinham roubado muito mais, com certeza.
O curioso é que as transacções fraudulentas foram sempre efectuadas em bombas de gasolina. Eu sei que a gasolina está cara, mas gastar noventa ou cem dólares numa bomba de gasolina todos os dias parece-me estranho, a não ser que o filho da p#$% do ladrão tenha uma frota de autocarros ou ande a conduzir pela cidade um daquelas camiões que fazem cimento.
Bom, é claro que a primeira coisa que fizemos foi cancelar o cartão. O segundo passo foi irmos hoje ao banco para saber o que fazer a seguir. A funcionária que nos recebeu - impecável, por acaso - disse-nos que muita gente tem tido o mesmo problema, o que me leva a perguntar o seguinte: e o banco não faz nada? Não devia haver um sistema qualquer para detectar fraudes deste género? Não estão preocupados com o facto de haver para aí gente que - nem sei bem como - consegue ter acesso aos dados dos cartões multibancos dos seus clientes? Eu não sou polícia, nem muito o Grissom do CSI, mas há aqui um padrão evidente, tanto mais que todas queixas recebidas até ao momento envolvem débitos fraudulentos em bombas de gasolina na zona da Jamaica, aqui em Queens.
Aparentemente, o banco vai restituir-nos o valor desviado da conta depois de investigar o caso. Temos, para já, de escrever uma carta a explicar a situação. Desenvolvimentos aqui no blogue, à medida que forem acontecendo. Parece-me que isto vai ser uma novela com muitas partes.
O curioso é que as transacções fraudulentas foram sempre efectuadas em bombas de gasolina. Eu sei que a gasolina está cara, mas gastar noventa ou cem dólares numa bomba de gasolina todos os dias parece-me estranho, a não ser que o filho da p#$% do ladrão tenha uma frota de autocarros ou ande a conduzir pela cidade um daquelas camiões que fazem cimento.
Bom, é claro que a primeira coisa que fizemos foi cancelar o cartão. O segundo passo foi irmos hoje ao banco para saber o que fazer a seguir. A funcionária que nos recebeu - impecável, por acaso - disse-nos que muita gente tem tido o mesmo problema, o que me leva a perguntar o seguinte: e o banco não faz nada? Não devia haver um sistema qualquer para detectar fraudes deste género? Não estão preocupados com o facto de haver para aí gente que - nem sei bem como - consegue ter acesso aos dados dos cartões multibancos dos seus clientes? Eu não sou polícia, nem muito o Grissom do CSI, mas há aqui um padrão evidente, tanto mais que todas queixas recebidas até ao momento envolvem débitos fraudulentos em bombas de gasolina na zona da Jamaica, aqui em Queens.
Aparentemente, o banco vai restituir-nos o valor desviado da conta depois de investigar o caso. Temos, para já, de escrever uma carta a explicar a situação. Desenvolvimentos aqui no blogue, à medida que forem acontecendo. Parece-me que isto vai ser uma novela com muitas partes.
Tuesday, June 10, 2008
Aceitam-se apostas
É incrível como o Barack Obama conseguiu vencer as primárias do Partido Democrata contra o prestígio e a poderosa máquina eleitoral dos Clintons. A Hillary não queria, mas lá teve de aceitar a derrota, porque percebeu que já era ridículo ser a única pessoa que ainda pensava que ela podia ganhar. Contudo, e pela resiliência demonstrada em chegar à presidência contra tudo e contra todos, há uma pergunta que se impõe: se o Obama escolher a Hillary para vice-presidente, como é que ela o vai despachar para ser ela a governar? A Jennifer acha que ela o atira para debaixo de um comboio; eu cá aposto que o sufoca com uma almofada e ainda deixa ao lado dele o vestido azul da Monica Lewinski para a incriminar.
Wednesday, June 4, 2008
Hóquei no gelo: a análise
Depois de já ter falado aqui de beisebol, de futebol americano e de basquetebol, chega agora a vez de abordar outro desporto que os americanos apreciam bastante: o hóquei no gelo. Isto porque a equipa da Jennifer, os Pittsburgh Penguins, chegou à final dos playoffs e disputou a Stanley Cup, o mais prestigiado troféu da modalidade, dando-me, assim, e apesar de terem perdido, a oportunidade de ver alguns jogos com a emoção que eles merecem.
Como é que funciona então o hóquei no gelo? Essencialmente, é assim: vão todos a patinar para um lado e embrulham-se uns com os outros; vão todos a patinar para o outro e embrulham-se uns com os outros. Se, em vez de gelo, o recinto fosse de terra, só viam nuvens de poeira, ora num lado, ora no outro, como nos desenhos animados. O que torna o jogo interessante é que isto acontece tudo a um ritmo supersónico. O hóquei no gelo é jogado a uma velocidade tão vertiginosa que muitas vezes nem em câmara lenta consigo perceber o que aconteceu. Distinguir para onde o disco foi então, nem se fala. Só para quem tem olho de lince. Aliás, só percebo que é golo quando vejo jogadores aos abraços e os comentadores aos berros.
As semelhanças entre hóquei no gelo e hóquei em patins são nenhumas. Para além de se poder pontapear o disco com os patins ou mesmo controlá-lo com as mãos, no hóquei no gelo vale tudo menos tirar olhos. Empurrar os adversários, atirá-los contra o vidro de protecção do ringue, ir a patinar a toda a velocidade e atropelá-los sem piedade ao ponto de os deixar inconscientes, tudo isto é permitido, como se pode ver neste elucidativo vídeo (chamo especial atenção para o número 5 da contragem decrescente):
Com jogadas desta natureza, não admira que haja pancadaria da séria. Segundo as regras do hóquei no gelo, as lutas físicas são ilegais, mas, por tradição, os árbitros deixam que elas aconteçam. Sendo assim, e com um bocado de sorte, é possível assistir a cenas destas:
Depois de ver isto, não consigo deixar de pensar no Petit. Ia dar um grande jogador de hóquei no gelo, sem dúvida nenhuma. Azar o dele ter nascido num país em que se joga futebol porque, por aquilo que se conhece do seu comportamento em campo, ia sentir-se muito melhor num desporto em que a linha entre agressividade competitiva e violência é muito ténue. Muito ténue, mesmo.
Como é que funciona então o hóquei no gelo? Essencialmente, é assim: vão todos a patinar para um lado e embrulham-se uns com os outros; vão todos a patinar para o outro e embrulham-se uns com os outros. Se, em vez de gelo, o recinto fosse de terra, só viam nuvens de poeira, ora num lado, ora no outro, como nos desenhos animados. O que torna o jogo interessante é que isto acontece tudo a um ritmo supersónico. O hóquei no gelo é jogado a uma velocidade tão vertiginosa que muitas vezes nem em câmara lenta consigo perceber o que aconteceu. Distinguir para onde o disco foi então, nem se fala. Só para quem tem olho de lince. Aliás, só percebo que é golo quando vejo jogadores aos abraços e os comentadores aos berros.
As semelhanças entre hóquei no gelo e hóquei em patins são nenhumas. Para além de se poder pontapear o disco com os patins ou mesmo controlá-lo com as mãos, no hóquei no gelo vale tudo menos tirar olhos. Empurrar os adversários, atirá-los contra o vidro de protecção do ringue, ir a patinar a toda a velocidade e atropelá-los sem piedade ao ponto de os deixar inconscientes, tudo isto é permitido, como se pode ver neste elucidativo vídeo (chamo especial atenção para o número 5 da contragem decrescente):
Com jogadas desta natureza, não admira que haja pancadaria da séria. Segundo as regras do hóquei no gelo, as lutas físicas são ilegais, mas, por tradição, os árbitros deixam que elas aconteçam. Sendo assim, e com um bocado de sorte, é possível assistir a cenas destas:
Depois de ver isto, não consigo deixar de pensar no Petit. Ia dar um grande jogador de hóquei no gelo, sem dúvida nenhuma. Azar o dele ter nascido num país em que se joga futebol porque, por aquilo que se conhece do seu comportamento em campo, ia sentir-se muito melhor num desporto em que a linha entre agressividade competitiva e violência é muito ténue. Muito ténue, mesmo.
2 de Junho
Foi anteotem: o dia em que tirei o ar-condicionado da dispensa este ano. Por aqui, já não se aguenta o calor sem recurso a sistemas de refrigeração electrónicos.
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