Não sei bem o que nos passou pela cabeça, mas ontem decidimos ir ao Oyster Festival, algures numa pequena cidade a três quartos de hora daqui. É claro que, mal lá chegámos, apercebemo-nos do erro. Quer estejamos a falar do Festival do Marisco de Olhão, da Semana do Chicharro da Ribeira Quente ou do Festival da Ostra de Long Island, este tipo de eventos resume-se ao mesmo: famílias, javardice e chavascal, com a diferença de, neste caso, não haver uma banda de covers a tocar o «Apita o Comboio», mas sim um grupo a tocar música country.
Mas nem tudo foi desperdício de tempo. Apesar de não termos lá ficado mais de dez minutos e de nem sequer termos comido uma ostrazinha que fosse (as filas eram intermináveis), andei pela primeira vez num autêntico school bus americano, daqueles amarelos e tudo, já que o transporte de e para os parques de estacionamento era assegurado por autocarros desses. Foi mais uma experiência cultural concretizada. Só me falta agora dormir numa daqueles camas de motel que fazem massagens.
Sunday, October 19, 2008
Sunday, October 12, 2008
What Americans don't have
Dear President Bush,
Over the summer, I traveled to a small island called Sao Miguel. You will not believe what I discovered. President, they have a lot of shit that we don't have. I think that it is time that Americans have all the same shit that Azoreans have. Let's bring light to this issue during the final weeks of the campaign. See the picture below to find out what shit I am talking about. We need your help President Bush. Give us this shit!!
Sincerely,
Jennifer(Fellow American)
Over the summer, I traveled to a small island called Sao Miguel. You will not believe what I discovered. President, they have a lot of shit that we don't have. I think that it is time that Americans have all the same shit that Azoreans have. Let's bring light to this issue during the final weeks of the campaign. See the picture below to find out what shit I am talking about. We need your help President Bush. Give us this shit!!
Sincerely,
Jennifer(Fellow American)
Saturday, October 11, 2008
Thursday, October 9, 2008
Quarta à noite em casa
Ontem não tive aula de Cinema porque hoje é Yom Kippur, um feriado judeu, e é com alguma pena que admito que até curti não ter de ir à universidade. Estou algo desiludido com o curso, principalmente porque a minha professora é uma seca. Fala tão baixo que mal a consigo, não sabe muito bem do que está a falar, não se consegue explicar bem e é um pouco desorganizada. Para além disso, esta primeira cadeira é algo básica e, pelo menos até agora, muito do que lá se trata é coincidente com aquilo que aprendi no curso de fotografia.
Todavia, é evidente que sempre tenho aprendido alguma e, que mais não seja, tenho visto clips de filmes e de realizadores sobre os quais nunca tinha ouvido falar. Na verdade, as aulas não passam disso mesmo: a professora engasga-se durante cinco minutos a dizer qualquer coisa e, depois, passa clips que supostamente demonstram e exemplificam o que ela acabou de dizer. Grande trabalho, hein? Dar aulas assim, também eu.
Espero que a próxima cadeira do curso corra melhor. Esta, a manter-se assim, será dinheiro mais ou menos desperdiçado.
Todavia, é evidente que sempre tenho aprendido alguma e, que mais não seja, tenho visto clips de filmes e de realizadores sobre os quais nunca tinha ouvido falar. Na verdade, as aulas não passam disso mesmo: a professora engasga-se durante cinco minutos a dizer qualquer coisa e, depois, passa clips que supostamente demonstram e exemplificam o que ela acabou de dizer. Grande trabalho, hein? Dar aulas assim, também eu.
Espero que a próxima cadeira do curso corra melhor. Esta, a manter-se assim, será dinheiro mais ou menos desperdiçado.
Wednesday, September 24, 2008
Desta vez, o Bush não ganha, de certeza absoluta
Tenho seguido com enorme atenção e curiosidade (talvez até demasiadas) a campanha eleitoral aqui nos Estados Unidos. Vejo as entrevistas, oiço os comentários, assisti às transmissões das convenções Democrata e Republicana e tenho a televisão invariavelmente ligada num canal de notícias ou na Comedy Central, onde programas como o «Daily Show» ou o «Colbert Report» acabam por ser também bons barómetros do que se está a passar por aqui.
Estou, de certa maneira, obcecado por esta campanha, não só pela componente política propriamente dita, mas também, se calhar até mais, pela janela de conhecimento que ela abre sobre a sociedade americana. É fascinante assistir às máquinas de propaganda de um lado e de outro em funcionamento (as jogadas que tenho visto nesta campanha fazem com que a política portuguesa pareça brincadeira de crianças), mas, para mim, é ainda mais interessante perceber como os americanos pensam e quais as suas motivações.
Nunca fui anti-americano. Também nunca fui pró-americano. Para mim, os americanos são como outro povo qualquer: há deles bons e inteligentes, e há deles maus e burros, e, por isso, irrita-me um bocado aqueles que dizem que os americanos são isto e aquilo quando, ponto um, generalizações dessas são completamente absurdas, estejamos nós a falar de americanos, de árabes ou de aborígenes australianos, e, ponto dois, generalizações dessas são ainda mais absurdas quando está em causa um país do tamanho deste tamanho e diversidade.
A realidade é que existem duas américas completamente distintas, e basta olhar para o mapa eleitoral para perceber isso mesmo: as costas Este e Oeste e os grandes centros urbanos, onde mais cidadãos têm formação académica e onde existe um maior intercâmbio cultural e étnico, votam democrata; o centro e o Sul, mais conservadores, mais religiosos e mais ligados à pátria e a família, votam republicano. Não quer isto dizer que os primeiros sejam esclarecidos e os segundos ignorantes; apenas que, por razões históricas, geográficas e culturais, têm valores diferentes e olham para o mundo de formas diametralmente opostas, mas igualmente dignas de respeito. Acho errado considerar que, só porque alguém partilha de valores que não têm nada a ver com os meus, é burro ou ignorante, até porque isso faria de mim alguém com a pretensão de ser o dono da verdade absoluta, traço de carácter que, nesse caso, teria em comum com personalidades como Hitler ou até José Mourinho.
Olhando para o mapa dos Estados Unidos, também se percebe que a middle America é mesmo, e por larga diferença, a maior porção territorial do país e que, sendo assim, é normal que os republicanos acabem quase sempre por ganhar as eleições. É um facto, mas também é verdade que, dadas as particularidades do sistema eleitoral norte-americano, a coisa não é assim tão simples, já que o presidente não é eleito de modo directo. O vencedor das eleições em cada estado arrecada o número de representantes a que esse estado tem direito no electoral college, quer esse candidato tenha ganho com 100% dos votos, quer tenha obtido apenas 50,1%. E aqui é que a questão se complica, porque enquanto que a California tem direito a 51 desses votos e Nova Iorque a 31, estados como Delaware ou North Dakota apenas têm direito a 3. É evidente que o total de electoral votes atribuídos a cada estado está relacionado com o seu tamanho, número de habitantes e outros factores do género, mas, mesmo assim, este sistema faz com que, como aconteceu naquela eleição em que o Bush venceu o Al Gore, seja possível ganhar as eleições, sem ser o mais votado no total do país (por exemplo, um dos candidatos pode ganhar com 100% dos votos em dez estados mais pequenos, mas, se o outro vencer com 50,1% dos votos na California fica com mais electoral votes, porque arrebata todos 51 deste estado).
Isto implica que, no fundo, as eleições se decidam em apenas quatro ou cinco estados, os chamados battleground states, ou seja, aqueles que não votam de certeza absoluta num ou noutro partido (como pode ser visto aqui), reduzindo a sondagens nacionais a meros indicadores de tendência com pouca relevância, já que cada estado é como um pequeno país, com as suas especificidades, necessidades e problemas.
Estou, de certa maneira, obcecado por esta campanha, não só pela componente política propriamente dita, mas também, se calhar até mais, pela janela de conhecimento que ela abre sobre a sociedade americana. É fascinante assistir às máquinas de propaganda de um lado e de outro em funcionamento (as jogadas que tenho visto nesta campanha fazem com que a política portuguesa pareça brincadeira de crianças), mas, para mim, é ainda mais interessante perceber como os americanos pensam e quais as suas motivações.
Nunca fui anti-americano. Também nunca fui pró-americano. Para mim, os americanos são como outro povo qualquer: há deles bons e inteligentes, e há deles maus e burros, e, por isso, irrita-me um bocado aqueles que dizem que os americanos são isto e aquilo quando, ponto um, generalizações dessas são completamente absurdas, estejamos nós a falar de americanos, de árabes ou de aborígenes australianos, e, ponto dois, generalizações dessas são ainda mais absurdas quando está em causa um país do tamanho deste tamanho e diversidade.
A realidade é que existem duas américas completamente distintas, e basta olhar para o mapa eleitoral para perceber isso mesmo: as costas Este e Oeste e os grandes centros urbanos, onde mais cidadãos têm formação académica e onde existe um maior intercâmbio cultural e étnico, votam democrata; o centro e o Sul, mais conservadores, mais religiosos e mais ligados à pátria e a família, votam republicano. Não quer isto dizer que os primeiros sejam esclarecidos e os segundos ignorantes; apenas que, por razões históricas, geográficas e culturais, têm valores diferentes e olham para o mundo de formas diametralmente opostas, mas igualmente dignas de respeito. Acho errado considerar que, só porque alguém partilha de valores que não têm nada a ver com os meus, é burro ou ignorante, até porque isso faria de mim alguém com a pretensão de ser o dono da verdade absoluta, traço de carácter que, nesse caso, teria em comum com personalidades como Hitler ou até José Mourinho.
Olhando para o mapa dos Estados Unidos, também se percebe que a middle America é mesmo, e por larga diferença, a maior porção territorial do país e que, sendo assim, é normal que os republicanos acabem quase sempre por ganhar as eleições. É um facto, mas também é verdade que, dadas as particularidades do sistema eleitoral norte-americano, a coisa não é assim tão simples, já que o presidente não é eleito de modo directo. O vencedor das eleições em cada estado arrecada o número de representantes a que esse estado tem direito no electoral college, quer esse candidato tenha ganho com 100% dos votos, quer tenha obtido apenas 50,1%. E aqui é que a questão se complica, porque enquanto que a California tem direito a 51 desses votos e Nova Iorque a 31, estados como Delaware ou North Dakota apenas têm direito a 3. É evidente que o total de electoral votes atribuídos a cada estado está relacionado com o seu tamanho, número de habitantes e outros factores do género, mas, mesmo assim, este sistema faz com que, como aconteceu naquela eleição em que o Bush venceu o Al Gore, seja possível ganhar as eleições, sem ser o mais votado no total do país (por exemplo, um dos candidatos pode ganhar com 100% dos votos em dez estados mais pequenos, mas, se o outro vencer com 50,1% dos votos na California fica com mais electoral votes, porque arrebata todos 51 deste estado).
Isto implica que, no fundo, as eleições se decidam em apenas quatro ou cinco estados, os chamados battleground states, ou seja, aqueles que não votam de certeza absoluta num ou noutro partido (como pode ser visto aqui), reduzindo a sondagens nacionais a meros indicadores de tendência com pouca relevância, já que cada estado é como um pequeno país, com as suas especificidades, necessidades e problemas.
Sunday, September 14, 2008
É tudo uma questão de desejar aquilo que não se tem
No fim-de-semana passado fui assistir à gravação de um especial de stand-up comedy para a Comedy Central. Depois, uns dias mais tarde, numa rua a uns quatro ou cinco quarteirões da minha casa, vi uma equipa de técnicos a arrumar aquilo que tinha sido o set de um filme ou de uma série de televisão (aqui em Astoria está localizado um dos maiores estúdios de Nova Iorque, o Kaufman Studios, onde se filma grande parte das séries e filmes produzidos em NY e, por isso, é natural que alguns exteriores neutros sejam feitos nas redondezas).
Estas duas situações, em que me cruzei de relance com câmaras, cabos e holofotes, fizeram-me ter algumas saudades dos tempos em que fazia parte dos bastidores de produções televisivas. É claro que, enquanto guionista e, portanto, sem intervenção directa no desenrolar de muitas das componentes de uma filmagem, muitas vezes ficava horas e horas à espera que algum problema técnico fosse resolvido, ou que alguma questão de produção fosse desbloqueada, ou que a cena ficasse ao gosto do realizador, e que, por isso mesmo, se voltasse agora a uma gravação, o mais certo era acabar aos suspiros de tédio e aos desabafos de impaciência, mas, tal como as câmaras, os cabos e os holofotes, acabo também por ter saudades desses suspiros e desses desabafos. Também fazem parte da mística.
Estas duas situações, em que me cruzei de relance com câmaras, cabos e holofotes, fizeram-me ter algumas saudades dos tempos em que fazia parte dos bastidores de produções televisivas. É claro que, enquanto guionista e, portanto, sem intervenção directa no desenrolar de muitas das componentes de uma filmagem, muitas vezes ficava horas e horas à espera que algum problema técnico fosse resolvido, ou que alguma questão de produção fosse desbloqueada, ou que a cena ficasse ao gosto do realizador, e que, por isso mesmo, se voltasse agora a uma gravação, o mais certo era acabar aos suspiros de tédio e aos desabafos de impaciência, mas, tal como as câmaras, os cabos e os holofotes, acabo também por ter saudades desses suspiros e desses desabafos. Também fazem parte da mística.
Saturday, September 6, 2008
O Juvenal (o poeta romano, mais concretamente; não outro Juvenal qualquer) ia ficar orgulhoso
Naquilo que se pode entender como uma semana dedicada à busca do ambicionado binómio «mente sã em corpo são», e depois de, como já referi no post anterior, ter reflectido a vontade de conseguir um corpore sano, ou, pelo menos, mais sano do que aquele que possuo nesta altura da minha vida, na decisão de me inscrever num ginásio, facto que, aliás, suscitou um misto de reacções de espanto, incredulidade, e apoio que - já agora, admito - me deixou reconfortado porque revelou que tenho amigos que me conhecem bem e que sabem que, por um lado, é mesmo espantoso que, após anos e anos de completo sedentarismo, me tenha decidido dar que fazer a músculos do meu corpo que não recebiam estímulos há décadas, por outro, e talvez pela mesma razão, se mantêm incrédulos perante a minha intenção de, agora que a inscrição está feita, ir ao ginásio com a frequência desejável, e, por último, sabem que realmente deixarei de ir sem o necessário e indispensável apoio, iniciei também o percurso para uma mens sana já que, na quarta-feira, fui à aula inaugural de Art of Film, a primeira disciplina do curso de cinema que decidi tirar ainda antes das férias.
Tuesday, September 2, 2008
Saturday, August 30, 2008
12 things I learned in São Miguel (2008)
1. Alexandre is crazy.
2. Carlota is just as crazy as Alex.
3. Joana gosta de comida de mãe.
4. Nobody gives a damn about a skinny horse.
5. When Paula plays 11, she always gets the card she wants.
6. Pedro is the Godfather and Dajo has no respect.
7. Ricardo knows that we don't have "this shit" in America.
8. It's good to drink a beer after exercising.
9. The ice cream is way better in Ribeira Grande than in Vila Franca.
10. Air scarves are awesome!
11. Rodrigo doesn't always hit the target, but he can communicate with cows.
12.You can get anyone to talk about poop if you start the conversation.
2. Carlota is just as crazy as Alex.
3. Joana gosta de comida de mãe.
4. Nobody gives a damn about a skinny horse.
5. When Paula plays 11, she always gets the card she wants.
6. Pedro is the Godfather and Dajo has no respect.
7. Ricardo knows that we don't have "this shit" in America.
8. It's good to drink a beer after exercising.
9. The ice cream is way better in Ribeira Grande than in Vila Franca.
10. Air scarves are awesome!
11. Rodrigo doesn't always hit the target, but he can communicate with cows.
12.You can get anyone to talk about poop if you start the conversation.
Tuesday, August 26, 2008
Já te disse que elas acabaram, cérebro!
Eu bem que estou a tentar voltar ao trabalho, mas não está a sair nada de jeito. É como se eu já estivesse aqui à frente ao computador com o processador de texto aberto, mas o meu cérebro continuasse de férias.
Friday, August 22, 2008
Primeiro pensamento no regresso a casa
Estou de volta a NY e, para já, tenho o seguinte a dizer: por mais racional que se seja na análise de estatísticas, viajar de avião depois de ver imagens do acidente da Spanair no televisor da sala de embarque do aeroporto não é a melhor experiência que se pode ter.
Friday, July 25, 2008
Fechado até 21 de Agosto (ou 22 - não me lembro quando é que venho de férias e não tenho paciência para me levantar e ir ver ao bilhete de avião)
Como a partir de Domingo vou estar nos Açores, deixa de fazer sentido estar aqui a contar o que se anda a passar comigo. Quem estiver interessado, que telefone.
Entretanto, quis incluir neste post aquela que será a minha playlist deste Verão. São algumas sugestões musicais que deixo aqui para que quem vier ao blogue enquanto eu estiver de férias não venha em vão.
Entretanto, quis incluir neste post aquela que será a minha playlist deste Verão. São algumas sugestões musicais que deixo aqui para que quem vier ao blogue enquanto eu estiver de férias não venha em vão.
Wednesday, July 23, 2008
Ponto final parágrafo
Não é o fim do blogue, estejam descansados. Enquanto eu por cá andar, vão ter de levar comigo. O título deste post vem simplesmente a propósito do facto de me ter esquecido de dizer que deixei de ir trabalhar para a Paragraph.
Não me dei bem com aquilo. O ambiente era um bocado elitista de mais para o meu gosto e comprovei algo que até já sabia: eu escrevo, mas não sou escritor. Não sei ter conversas sobre Proust ou Camus, não estou ao corrente dos últimos lançamentos literários e nem sequer leio livros com grande frequência. Não tenho, pois, cabedal mental para ombrear com escritores a sério e, por isso, a verdade é que estava num patamar completamente diferente das maioria das pessoas que por lá andavam. Não que tivesse encontrado intelectuais de barba e óculos imersos em camalhaços. Pelo contrário. Apesar de ter conhecido alguns autores com best-sellers na lista do New York Times e com livros entre o Top 10 da Amazon, era tudo muito mais cool, muito mais moderno, o que, mesmo assim, não evitou que me sentisse deslocado.
Não ajudou, deduzo agora, o facto de não falar inglês na perfeição. Se, às vezes, ainda me é difícil exprimir exactamente o que quero em conversas com pessoas normais, imaginem agora tentar entrar em diálogo com escritores que, naturalmente, por fazerem da língua a sua ferramenta de trabalho, a dominam com total mestria. Quando começava a perceber do que se estava a falar, já o assunto era outro.
Isto, é evidente, quando os assuntos me interessavam, o que não se aplica, bem entendido, àquele dia em que entrei na zona de convívio e se estava a falar da evolução do socialismo na Nova Zelândia.
Não me dei bem com aquilo. O ambiente era um bocado elitista de mais para o meu gosto e comprovei algo que até já sabia: eu escrevo, mas não sou escritor. Não sei ter conversas sobre Proust ou Camus, não estou ao corrente dos últimos lançamentos literários e nem sequer leio livros com grande frequência. Não tenho, pois, cabedal mental para ombrear com escritores a sério e, por isso, a verdade é que estava num patamar completamente diferente das maioria das pessoas que por lá andavam. Não que tivesse encontrado intelectuais de barba e óculos imersos em camalhaços. Pelo contrário. Apesar de ter conhecido alguns autores com best-sellers na lista do New York Times e com livros entre o Top 10 da Amazon, era tudo muito mais cool, muito mais moderno, o que, mesmo assim, não evitou que me sentisse deslocado.
Não ajudou, deduzo agora, o facto de não falar inglês na perfeição. Se, às vezes, ainda me é difícil exprimir exactamente o que quero em conversas com pessoas normais, imaginem agora tentar entrar em diálogo com escritores que, naturalmente, por fazerem da língua a sua ferramenta de trabalho, a dominam com total mestria. Quando começava a perceber do que se estava a falar, já o assunto era outro.
Isto, é evidente, quando os assuntos me interessavam, o que não se aplica, bem entendido, àquele dia em que entrei na zona de convívio e se estava a falar da evolução do socialismo na Nova Zelândia.
Thursday, July 17, 2008
Nunca digas nunca
Hoje fui visitar a The New School, uma das universidades aqui de Nova Iorque. Desde que tirei o curso de fotografia, ando com vontade de aprender e aquilo que sempre afastei das minhas cogitações desde que acabei a licenciatura anda a tornar-se um desejo cada vez mais forte: voltar à universidade.
De todos os departamentos da The New School, o mais famoso é, sem dúvida, o Parsons Institute, um dos mais prestigiados institutos de moda e design do mundo. Apesar disso, e depois de ter ainda considerado tirar um curso de design gráfico, estou muito mais inclinado para um curso de cinema. Comecei a considerar esta hipótese quando a Jennifer me disse que o irmão de uma amiga dela tirou lá esse curso e, agora, anda a fazer videoclips para o Jay-Z. Não que eu queira especialmente fazer videoclips para o Jay-Z (embora isso fosse interessante, nem que seja pela possibilidade de vislumbrar a Beyoncé num dia que ela fosse ao set visitar o marido), mas sim porque este exemplo prova que nesta universidade se adquire conhecimentos e - talvez ainda mais importante - contactos para se conseguir fazer videoclips para o Jay-Z.
Gostei muito do que vi na minha visita à escola. Boas instalações, excelente localização, bom ambiente, calendário extensivo de eventos (entre os quais mostras de filmes de alunos e festivais de cinema) e todo um conjunto de infraestruturas de apoio que, se calhar existem em todas as universidades como deve ser, mas, como eu tirei o curso numa que não tinha nada disso, para mim é todo um mundo fascinante de oportunidades.
É claro que não estou a pensar tirar mais um curso superior. Já tenho um e, para além do mais, não tenho paciência nem tempo para isso. A ideia é, talvez, completar o film production certificate, isto é, um curso que, no fundo, é um conjunto de cadeiras tiradas ao longo de dois anos em horário pós-laboral, uma ou duas vezes por semana. O interessante é que essas cadeiras e os professores que as leccionam são exactamente os mesmos, com muito poucas excepções, do masters em cinema que a universidade também oferece. A diferença é que, para que as cadeiras contem para o masters, é preciso pagar seiscentos dólares por crédito, o que, em números redondos, dá um total de mais de quinze mil dólares. Quinze mil marrecos apenas para ter direito a um canudo no fim no curso? Não me parece...
De todos os departamentos da The New School, o mais famoso é, sem dúvida, o Parsons Institute, um dos mais prestigiados institutos de moda e design do mundo. Apesar disso, e depois de ter ainda considerado tirar um curso de design gráfico, estou muito mais inclinado para um curso de cinema. Comecei a considerar esta hipótese quando a Jennifer me disse que o irmão de uma amiga dela tirou lá esse curso e, agora, anda a fazer videoclips para o Jay-Z. Não que eu queira especialmente fazer videoclips para o Jay-Z (embora isso fosse interessante, nem que seja pela possibilidade de vislumbrar a Beyoncé num dia que ela fosse ao set visitar o marido), mas sim porque este exemplo prova que nesta universidade se adquire conhecimentos e - talvez ainda mais importante - contactos para se conseguir fazer videoclips para o Jay-Z.
Gostei muito do que vi na minha visita à escola. Boas instalações, excelente localização, bom ambiente, calendário extensivo de eventos (entre os quais mostras de filmes de alunos e festivais de cinema) e todo um conjunto de infraestruturas de apoio que, se calhar existem em todas as universidades como deve ser, mas, como eu tirei o curso numa que não tinha nada disso, para mim é todo um mundo fascinante de oportunidades.
É claro que não estou a pensar tirar mais um curso superior. Já tenho um e, para além do mais, não tenho paciência nem tempo para isso. A ideia é, talvez, completar o film production certificate, isto é, um curso que, no fundo, é um conjunto de cadeiras tiradas ao longo de dois anos em horário pós-laboral, uma ou duas vezes por semana. O interessante é que essas cadeiras e os professores que as leccionam são exactamente os mesmos, com muito poucas excepções, do masters em cinema que a universidade também oferece. A diferença é que, para que as cadeiras contem para o masters, é preciso pagar seiscentos dólares por crédito, o que, em números redondos, dá um total de mais de quinze mil dólares. Quinze mil marrecos apenas para ter direito a um canudo no fim no curso? Não me parece...
Sunday, July 13, 2008
Pacote de estímulo
O George Bush deu-me 1200 dólares. E eu nem sequer lhe pedi nada. Não foi só a mim, é claro - não sou assim tão especial. Toda a gente que pagou impostos aqui nos Estados Unidos recebeu um cheque de 600 dólares, no caso de ser solteiro, e de 1200, no caso de ser casado. Faz parte do chamado stimulus package, uma medida para ajudar a reanimar a economia americana e evitar que ela entre em recessão.
A ideia do governo federal é dar dinheiro às pessoas para que elas o vão gastar nas lojas e, dessa forma, o reintroduzam na economia. É um conceito interessante, sem dúvida, mas não sei até que ponto vai funcionar já que, da maneira que as coisas andam por aqui, muitos americanos utilizaram esses cheques, não para comprar nada, mas sim para reduzir as dívidas dos cartões de crédito, o que acaba por não ter o efeito desejado na ecomonia. No meu caso, os 1200 dólares foram direitinhos para a Sata International já que os utilizei para comprar a minha passagem para os Açores. Pode assim dizer-se que o Bush me pagou as férias, facto que não deixa de ser curioso.
Apesar da eficácia desta medida numa escala nacional ser duvidosa, no que a mim me diz respeito, este pacote de estímulo foi uma grande ideia. Receber dinheiro caído do céu, sem mexer uma palha? Até parece mentira. Se isto não é o verdadeiro american dream, então não sei o que será. Na minha opinião, isto só peca por defeito. Se querem mesmo reanimar a economia, deviam era enviar-me um cheque destes todos os meses. Isso é que era uma reanimação como deve ser.
A ideia do governo federal é dar dinheiro às pessoas para que elas o vão gastar nas lojas e, dessa forma, o reintroduzam na economia. É um conceito interessante, sem dúvida, mas não sei até que ponto vai funcionar já que, da maneira que as coisas andam por aqui, muitos americanos utilizaram esses cheques, não para comprar nada, mas sim para reduzir as dívidas dos cartões de crédito, o que acaba por não ter o efeito desejado na ecomonia. No meu caso, os 1200 dólares foram direitinhos para a Sata International já que os utilizei para comprar a minha passagem para os Açores. Pode assim dizer-se que o Bush me pagou as férias, facto que não deixa de ser curioso.
Apesar da eficácia desta medida numa escala nacional ser duvidosa, no que a mim me diz respeito, este pacote de estímulo foi uma grande ideia. Receber dinheiro caído do céu, sem mexer uma palha? Até parece mentira. Se isto não é o verdadeiro american dream, então não sei o que será. Na minha opinião, isto só peca por defeito. Se querem mesmo reanimar a economia, deviam era enviar-me um cheque destes todos os meses. Isso é que era uma reanimação como deve ser.
Monday, July 7, 2008
This is the life....
I must share this. I hope someday to see all of these places..Please click here.
Escrevo, não escrevo
Estou aqui escrevo, não escrevo este post. Por um lado, gostava de o escrever para partilhar isto com mais alguém; por outro, o seu conteúdo poderá arrepiar os mais sensíveis. Não sei... É melhor não... É. É mesmo melhor não. Está decidido: não vou escrever este post. Direi apenas que a história que queria contar envolve unhas dos pés e portas de frigorífico. Ah! E que eu estava descalço. Pronto! Não digo mais nada. É melhor não. Acho que até já disse de mais.
Saturday, July 5, 2008
Ahhhh... Oohhh...
A promessa tinha sido feito no ano passado e, portanto, este ano, não podíamos faltar ao Macy's Fireworks Spectacular, o fogo de artifício comemorativo do 4 de Julho lançado sobre o East River, entre Manhattan e Brooklyn.
Três notas:
- A organização daquilo, nomeadamente no que diz respeito à distribuição e ao controlo de fluxo de pessoas, é qualquer coisa do outro mundo. É que não andam pelas margens do East River dez mil, nem mesmo cem mil pessoas. Por aquilo que li, são à volta de três milhões. Três milhões de pessoas a querer ver a mesma coisa e nunca fui empurrado, nem apertado, nem puxado.
- Considerando que era o dia da indepência dos Estados Unidos não vi tantas bandeiras americanas como estava à espera . Um ou outro patriota mais entusiamado com um lenço azul e vermelho na cabeça, uma ou outra T-shirt com a bandeira, e pouco mais.
- Em relação ao fogo de artifício propriamente dito, é, sem dúvida, uma coisa em grande e, se eu podia pensar que já estava tudo inventado na arte do fogo de artíficio, a verdade é que vi uns truques novos, dos quais destaco foguetes luminosos que, depois de lançados, descem lentamente pelos céus porque têm pequenos pára-quedas. Aquilo é quase como marines cobertos de luzinhas de Natal a serem lançados de um helicóptero sobre o Vietname.
Três notas:
- A organização daquilo, nomeadamente no que diz respeito à distribuição e ao controlo de fluxo de pessoas, é qualquer coisa do outro mundo. É que não andam pelas margens do East River dez mil, nem mesmo cem mil pessoas. Por aquilo que li, são à volta de três milhões. Três milhões de pessoas a querer ver a mesma coisa e nunca fui empurrado, nem apertado, nem puxado.
- Considerando que era o dia da indepência dos Estados Unidos não vi tantas bandeiras americanas como estava à espera . Um ou outro patriota mais entusiamado com um lenço azul e vermelho na cabeça, uma ou outra T-shirt com a bandeira, e pouco mais.
- Em relação ao fogo de artifício propriamente dito, é, sem dúvida, uma coisa em grande e, se eu podia pensar que já estava tudo inventado na arte do fogo de artíficio, a verdade é que vi uns truques novos, dos quais destaco foguetes luminosos que, depois de lançados, descem lentamente pelos céus porque têm pequenos pára-quedas. Aquilo é quase como marines cobertos de luzinhas de Natal a serem lançados de um helicóptero sobre o Vietname.
Friday, July 4, 2008
Help Wanted
Hi all! I know that it has been a really really (really) long time since I last posted, but I am in desperate need of some assistance. As many of you know, I am doing my masters in English as a Second language. I was accepted into my college and was only told months later that my living abroad experience didn't count toward their foreign language credits requirement. I need to take a "test" stating that I am at an intermediate level in Portuguese. Now, determining levels is very vague, which is to my advantage. But to be honest, I think that I learned more Portuguese than someone who took 9 credits of it at an American university. (9 credits = Intermediate level. 9 credits equals three semesters) Is there anyone who can help me while we are visiting the island? I need someone at a university to sign a paper declaring my Portuguese level.
Thank you so much for your help!
Thank you so much for your help!
Thursday, July 3, 2008
O roubo - Parte 2
Aparentemente, a novela vai ter menos partes que o antecipado porque o banco já me creditou na conta o valor de todas as transacções fraudulentas. Ainda não é propriamente o capítulo final desta história já que, na carta que me enviaram, os senhores do banco dizem que isto é um «crédito provisório» enquanto eles investigam o caso, mas a prontidão com que o assunto está a ser conduzido é de salutar. Aliás, até o próprio facto de me darem um «crédito provisório» é digno de registo porque, no fundo, eles não sabem se fui mesmo roubado ou se lhes estou a dar uma grande tanga, mas partem do princípio que estou a ser honesto.
Não sei como a coisa seria tratada se tivesse acontecido em Portugal, mas a verdade é que nisto os americanos são muito bons. Há dois ou três meses atrás, por exemplo, quando estava a carregar o passe do metro, a máquina cobrou-me 50 dólares sem colocar esse valor no passe e, ao contrário da minha previsão de que nunca seria reembolsado porque não tinha pedido recibo, bastou escrever uma carta a explicar o que se tinha passado para me enviarem um novo passe com os 50 dólares.
O mesmo se aplica a trocas e devoluções de produtos. Eu sempre fui contra isso, devo dizer, sempre me senti mal a devolver algo que tivesse comprado, mas aqui é um processo tão natural que não tenho o menor problema em voltar à loja e dizer que afinal já não quero aquilo. Acho que isso faz parte da cultura americana, porque o consumismo é de tal ordem que as pessoas compram coisas que não sabem bem se gostam ou não só porque têm medo que esgote. Dessa maneira, podem levar o que compraram para casa e experimentar durante alguns dias, sempre com a certeza que têm a opção de devolver o produto sem terem de responder a nenhuma pergunta a não ser «quer a devolução em dinheiro ou crédito?».
Não sei como a coisa seria tratada se tivesse acontecido em Portugal, mas a verdade é que nisto os americanos são muito bons. Há dois ou três meses atrás, por exemplo, quando estava a carregar o passe do metro, a máquina cobrou-me 50 dólares sem colocar esse valor no passe e, ao contrário da minha previsão de que nunca seria reembolsado porque não tinha pedido recibo, bastou escrever uma carta a explicar o que se tinha passado para me enviarem um novo passe com os 50 dólares.
O mesmo se aplica a trocas e devoluções de produtos. Eu sempre fui contra isso, devo dizer, sempre me senti mal a devolver algo que tivesse comprado, mas aqui é um processo tão natural que não tenho o menor problema em voltar à loja e dizer que afinal já não quero aquilo. Acho que isso faz parte da cultura americana, porque o consumismo é de tal ordem que as pessoas compram coisas que não sabem bem se gostam ou não só porque têm medo que esgote. Dessa maneira, podem levar o que compraram para casa e experimentar durante alguns dias, sempre com a certeza que têm a opção de devolver o produto sem terem de responder a nenhuma pergunta a não ser «quer a devolução em dinheiro ou crédito?».
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