Os dias de férias no México foram fenomenais. Aconselho vivavemente o destino a todos os que queiram apanhar sol, mas que ambicionem mais do que passar dias a esturricar numa praia. Há muito para fazer e ver na Península do Iucatão, tanto que, na verdade, seis dias foram poucos. Deixámos algumas coisas de fora, nomeadamente a visita quase obrigatória a Chichén Itzá. Houve que fazer opções, e, como esse importante local arqueológico ainda fica a três horas de distância, preferimos não gastar, entre idas e vindas, seis horas de um valioso dia. Visitámos, contudo, as ruínas de Tulum e de Cobá e, se as primeiras não me impressionaram por aí além, já as segundas são um local mágico. Primeiro, porque, para lá chegar, é preciso passar por uma estrada que atravessa uma verdadeira vila maia, e, segundo, porque as ruínas propriamente ditas ficam literalmente no meio da selva, o que transmite àquilo tudo uma atmosfera muito genuína. Se não fosse pelas hordes de turistas, dir-se-ia que era possível recuar na história e sentir o que sentiam os habitantes daquela localidade 600 ou 700 anos a.C. (foi aí que subi à pirâmide de Nohoch Mul armado em Indiana Jones e depois me vi à rasca para descer porque me lembrei que tinha vertigens).
Outra experiência inesquecível foi o snorkeling numa espécie de lagoa subterrânea, a que os mexicanos chamam de cenote. Há inúmeros cenotes por ali, e nadar por meio de cavernas cheias de água e rios subterrâneos, apreciando as formações geológicas que se foram criando ao longo dos séculos por cima e por baixo de água é algo praticamente indescritível. A Jennifer ia-se borrando de medo porque não se sente muito confortável na água, muito menos ao escuro, mas, no dia seguinte, para compensar, aceitei ir com ela fazer parasailing. Nessa ocasião, fui eu que me ia borrando todo. Ela estava na boa, ali toda relaxada no páraquedas, a não sei quantos metros de altura, olhando para baixo, acenando para o pessoal do barco que nos estava a puxar; eu, por mim, estava retesado, sem abrir a boca. Agarrei-me com tanta força aos cabos que até fiquei com dores nas mãos. Jurei para nunca mais.
A cidade que escolhemos para o nosso centro de operações, Playa del Carmen, tem duas faces: por um lado é um local demasiado turístico, por outro, é suficientemente grande para se poder explorar as secções não turísticas e entrar um pouco mais no México real. A 5ª Avenida, por exemplo, polvilhada de restaurantes, bares e lojas é como um parque de diversões feito a pensar nos turistas - uma espécie de Mexicolândia, onde um taco que deveria custar 9 ou 10 pesos, custa 30 ou 40. No entanto, se se andar uns quarteirões até à 30ª Avenida (não existem vinte e cinco avenidas pelo meio: na Playa del Carmen, os números das avenidas vão de cinco em cinco), é possível encontrar restaurantes pitorescos, frequentados por uma mistura de locais e alguns turistas, onde se pode provar comida verdadeiramente mexicana a preços muito acessíveis (aconselho o Los Amigos - as melhores Margaritas que alguma vez bebi).
O tempo esteve sempre fantástico, à excepção de um dia que esteve meio encoberto, mas há uma coisa que nenhuma agência de viagens vos vai dizer e que tem alguma relevância quando se vai de férias nesta altura do ano a estas latitudes: o Sol põe-se por volta das 5:30. Não é como no Verão que se pode estar até às 8 ou 9 da noite a trabalhar para o bronze. Na nossa praia, esse era um factor ainda mais impactante porque, como ela ficava virada para Este, a partir das 4:30 já o Sol estava atrás das palmeiras e a maior parte da praia ficava à sombra. O que fazer? Ir para um bar à beira-mar beber Coronas, pois claro. Esse era o nosso ritual ritual diário: beber Coronas na praia e, depois, continuar a beber Coronas no bar do terraço do nosso hotel a ver o pôr-do-sol.
Ah, como foi bom... Acho que foi das melhores semanas de férias que já tive. Conto pôr aqui umas fotos em breve - nada de artístico, porque eu nem sequer levei a minha câmara; levámos só a pequenina da Jennifer.
Sunday, March 1, 2009
Sunday, February 15, 2009
Banda sonora para esta semana
Estou de saída para o aeroporto. Dentro de algumas horas, e durante uma semana, espero só ouvir coisas destas:
Saturday, February 14, 2009
Já sei, já sei... Devo pôr o carro a trabalhar pelo menos uma vez por semana
Há coisa de três ou quatro semanas atrás, recebemos uma carta da nossa companhia de seguros a dizer que tínhamos de mudar o seguro do carro para Nova Iorque. Pusemos ambos as mãos à cabeça. E não foi tanto por aqui o seguro ser muito mais caro do que na Pensilvânia, embora isso tenha sido pouquíssimo agradável, como é evidente. O problema maior foi termos de imediato tomado consciência da burocracia que esse acto implicaria, nomeadamente sabermos que teríamos de transferir o registo do carro para o estado de Nova Iorque, mudar a matrícula para o estado de Nova Iorque, pedir uma nova carta de condução para a Jennifer emitida pelo estado de Nova Iorque e, pior do que isso tudo, levar o carro à inspecção no estado de Nova Iorque, onde as regras são bastante mais apertadas.
Felizmente, os três primeiros passos foram resolvidos num só dia e com surpreendente rapidez. O novo registo, a nova chapa de matrícula e a nova carta de condução foram pedidos no mesmo local e, pouco mais de uma hora depois, já tínhamos tudo em nosso poder. Da inspecção, íamos tratar hoje.
Mas então o que foi que aconteceu? Foi isto: rodo a chave na ignição e... nada. O carro estava morto. Parecia-me que era a bateria, mas eu não percebo nada de carros. A Jennifer liga para o AAA (que, ao contrário do que a sigla possa indicar, não é nenhuma associação de alcoólicos anónimos, mas sim uma espécie de ACP cá do sítio). Vinte minutos depois chega o reboque. O homem do reboque diz-nos que é o motor do arranque e quer levar o carro para a oficina dele. «Obrigadinho,» respondemos nós, «mas preferimos ir para o nosso mecânico, se faz favor». Eu posso não perceber nada de carros, mas percebo de mecânicos a quererem falcatruar-me. A contra-gosto, lá vai ele, não sem antes fazer uns comentários racistas sobre um condutor de táxi natural de um qualquer país árabe. Dá-me vontade de dizer que, se ele quer ser racista, que vá ser racista em casa ou com os seus outros amigos racistas, mas mantenho-me calado porque ele dava dois de mim, pelo menos.
Resumindo, é mesmo só a bateria.
Felizmente, os três primeiros passos foram resolvidos num só dia e com surpreendente rapidez. O novo registo, a nova chapa de matrícula e a nova carta de condução foram pedidos no mesmo local e, pouco mais de uma hora depois, já tínhamos tudo em nosso poder. Da inspecção, íamos tratar hoje.
Mas então o que foi que aconteceu? Foi isto: rodo a chave na ignição e... nada. O carro estava morto. Parecia-me que era a bateria, mas eu não percebo nada de carros. A Jennifer liga para o AAA (que, ao contrário do que a sigla possa indicar, não é nenhuma associação de alcoólicos anónimos, mas sim uma espécie de ACP cá do sítio). Vinte minutos depois chega o reboque. O homem do reboque diz-nos que é o motor do arranque e quer levar o carro para a oficina dele. «Obrigadinho,» respondemos nós, «mas preferimos ir para o nosso mecânico, se faz favor». Eu posso não perceber nada de carros, mas percebo de mecânicos a quererem falcatruar-me. A contra-gosto, lá vai ele, não sem antes fazer uns comentários racistas sobre um condutor de táxi natural de um qualquer país árabe. Dá-me vontade de dizer que, se ele quer ser racista, que vá ser racista em casa ou com os seus outros amigos racistas, mas mantenho-me calado porque ele dava dois de mim, pelo menos.
Resumindo, é mesmo só a bateria.
Friday, February 13, 2009
Meteorologia que me interessa
Friday, January 30, 2009
Arriba!
Não vai ser nem Havai, nem Bahamas: afinal vamos ao México. O Havai é um bocado longe de mais para aproveitarmos bem a viagem nos poucos dias que temos disponíveis agora em Fevereiro, e as Bahamas deixaram de me interessar quando comecei a investigar melhor o arquipélago. Sendo assim, e querendo nós um destino com praia para fugir às temperaturas negativas do Inverno aqui em NY, o México foi surgindo como uma possibilidade interessante.
Normalmente marco este tipo de férias em pacotes de viagem + hotel para não me chatear muito, mas, desta vez, decidi fazer a coisa à moda antiga e comprei tudo em separado. A maioria dos pacotes disponíveis só incluíam estadias em resorts, e eu não sou grande adepto de resorts porque me parece que ficar numa coisas dessas é mais ou menos o mesmo em qualquer parte do mundo (isto para não falar nas hordes de famílias e crianças a correr aos berros de um lado para o outro). Prefiro muito mais ficar num hotel mais pequeno, num local onde haja algum movimento e coisas para fazer, e partir daí para explorar as redondezas. É por isso que, horas e horas de buscas na internet depois, centenas de críticas e comentários a hotéis depois, reservámos um quarto no Hotel Cielo, na Playa del Carmen, que parece ser muito bom para o preço que pagámos (79 dólares por noite). Com o dinheiro poupado na estadia, alugámos um carro para os seis dias que vamos lá ficar o que, para além de nos dar a possibilidade de percorrermos a Riviera Maya de cima abaixo, acaba por ficar bem em conta porque vamos no nosso Ford Ka alugado do aeroporto de Cancún para a Playa del Carmen, em vez de termos de pagar por esse transporte que, no fundo, contas feitas a ida e regresso para duas pessoas, ficava quase ao mesmo preço do que o total do rent-a-car.
Ah... Mal posso esperar pelo dia 16 de Feveiro... Até lá, resta-me olhar para fotografias:
Normalmente marco este tipo de férias em pacotes de viagem + hotel para não me chatear muito, mas, desta vez, decidi fazer a coisa à moda antiga e comprei tudo em separado. A maioria dos pacotes disponíveis só incluíam estadias em resorts, e eu não sou grande adepto de resorts porque me parece que ficar numa coisas dessas é mais ou menos o mesmo em qualquer parte do mundo (isto para não falar nas hordes de famílias e crianças a correr aos berros de um lado para o outro). Prefiro muito mais ficar num hotel mais pequeno, num local onde haja algum movimento e coisas para fazer, e partir daí para explorar as redondezas. É por isso que, horas e horas de buscas na internet depois, centenas de críticas e comentários a hotéis depois, reservámos um quarto no Hotel Cielo, na Playa del Carmen, que parece ser muito bom para o preço que pagámos (79 dólares por noite). Com o dinheiro poupado na estadia, alugámos um carro para os seis dias que vamos lá ficar o que, para além de nos dar a possibilidade de percorrermos a Riviera Maya de cima abaixo, acaba por ficar bem em conta porque vamos no nosso Ford Ka alugado do aeroporto de Cancún para a Playa del Carmen, em vez de termos de pagar por esse transporte que, no fundo, contas feitas a ida e regresso para duas pessoas, ficava quase ao mesmo preço do que o total do rent-a-car.
Ah... Mal posso esperar pelo dia 16 de Feveiro... Até lá, resta-me olhar para fotografias:
Wednesday, January 21, 2009
Se a Criâneo fosse americana
Ontem agarrei nas tabelas da Writers Guild of America, a associação que estabelece os pagamentos mínimos para qualquer trabalho de guionismo nos Estados Unidos, e comecei a fazer contas para tentar descobrir quanto teria a Criâneo facturado no ano passado se a empresa fosse americana.
Para este exercício de pura curiosidade masoquista, apenas contabilizei os nossos três projectos principais de 2008: o Disney Kids, o Memória de Elefante e o Edição Extra. Deixei de parte os outros trabalhos mais pequenos que fomos realizando ao longo do ano e nem sequer calculei o valor de tarefas como a presença em gravações ou a assistência em pós-produção, que aqui são pagas e que em Portugal nem pensar.
De qualquer modo, e mesmo sem contar com isso, teríamos facturado o seguinte: $451.000,00 dólares. Eu repito, desta vez por extenso: quatrocentos e cinquenta e um mil dólares.
Significa isto que, mesmo depois de pagar o ordenado à Rita, a guionista que trabalha connosco e que teria um substancial aumento, como é lógico, eu, o Bruno e Dionísio podíamos ficar a receber, vamos lá, dez mil dólares por mês que ainda nos restava dinheiro ao final do ano.
Escusado será dizer que a minha vida seria bem diferente.
Para este exercício de pura curiosidade masoquista, apenas contabilizei os nossos três projectos principais de 2008: o Disney Kids, o Memória de Elefante e o Edição Extra. Deixei de parte os outros trabalhos mais pequenos que fomos realizando ao longo do ano e nem sequer calculei o valor de tarefas como a presença em gravações ou a assistência em pós-produção, que aqui são pagas e que em Portugal nem pensar.
De qualquer modo, e mesmo sem contar com isso, teríamos facturado o seguinte: $451.000,00 dólares. Eu repito, desta vez por extenso: quatrocentos e cinquenta e um mil dólares.
Significa isto que, mesmo depois de pagar o ordenado à Rita, a guionista que trabalha connosco e que teria um substancial aumento, como é lógico, eu, o Bruno e Dionísio podíamos ficar a receber, vamos lá, dez mil dólares por mês que ainda nos restava dinheiro ao final do ano.
Escusado será dizer que a minha vida seria bem diferente.
Tuesday, January 20, 2009
Barack Obama
O que posso dizer é que esta é uma boa altura para estar a viver nos Estados Unidos. Sente-se no ar um entusiasmo generalizado e, apesar da crise, as pessoas andam pelas ruas com um sorriso aberto. Não sei quanto tempo isso vai durar, mas é como se os americanos estivessem a carregar no botão de reset para começarem de novo depois de um crash no Windows. Os últimos anos da história deste país foram muito maus, mas, agora, parecem ter tido uma razão de ser: eles prepararam o caminho para o que está a acontecer. O George W. Bush fez tanta merda que criou a inevitabilidade de uma mudança radical, e esse mérito não lhe pode ser negado.
Hoje, ao ver a tomada de posse do Barack Obama, tive a plena consciência de que estava a assistir a uma página da História a ser virada. Não sei o que vem a seguir, mas o acto de virar a página já é um bom sinal em si mesmo.
Hoje, ao ver a tomada de posse do Barack Obama, tive a plena consciência de que estava a assistir a uma página da História a ser virada. Não sei o que vem a seguir, mas o acto de virar a página já é um bom sinal em si mesmo.
Saturday, January 17, 2009
Finally!
Well, I saw my first famous person in New York. He's not internationally famous, and maybe not even extremely famous here, but he is on TV every night and has his own show, so it counts in my book.
Sighting information:
Time: 3 p.m.
Location: Hole in the wall coffee shop Lexington Avenue
What he ordered: Spiced Chai Latte
What I said: Are you Keith Olbermann?
What he said: Yes, I am.
Sighting information:
Time: 3 p.m.
Location: Hole in the wall coffee shop Lexington Avenue
What he ordered: Spiced Chai Latte
What I said: Are you Keith Olbermann?
What he said: Yes, I am.
Monday, January 12, 2009
Thursday, January 1, 2009
Trinta e três passagens de ano depois
Depois de concluirmos que, juntando as minhas trinta e três passagens de ano às vinte e nove da Jennifer, apenas se aproveitavam umas quatro ou cinco, este ano decidimos ficar em casa. A isso ajudou também, não o nego, o facto de eu estar meio doente e de estarem 10 graus negativos lá fora, o que invalidou, à partida, uma passagem de ano na rua. Sendo assim, e em vez de gastarmos 150 ou 200 dólares por cabeça só para entrarmos numa discoteca (onde, muito possivelmente, como aconteceu no ano passado, mal nos conseguiríamos mexer tal a densidade populacional), preferimos poupar essa verba e divergi-la para o nosso fundo de férias. Costa Rica no Verão e Bahamas em Fevereiro eram os nossos planos, mas, ontem, começámos a considerar um upgrade e, em vez das Bahamas, passar uma semana no Havai. Não é muito mais caro e, quer dizer, é o Havai. O Havai!
Grande parte da nossa noite foi, pois, passada a pesquisar sites de viagens à procura de hotéis, viagens ou pacotes de férias e a ver fotos das várias ilhas do Havai para tentar perceber qual o melhor destino para nós. Nesta altura, a dúvida reside entre a Big Island e Maui, mas, verdade seja dita, qualquer uma delas serve.
Mais perto da meia-noite ligámos a televisão para ver como estava a festa na Times Square. Um ano destes ainda vou lá passar o ano, é claro - é uma daquelas coisas que, já que aqui estou, devo fazer - mas o que vi foi mais de um milhão de pessoas a tilintar de frio, expostas a temperaturas negativas desde as três ou quatro da tarde, sem poder sair do mesmo sítio porque as áreas com boa visibilidade são completamente vedadas com gradeamentos, sem poder ir à casa-de-banho desde essa mesma hora, sem poder fazer um brinde como deve ser porque as bebidas alcoólicas são proibidas e sem poder sequer levar comida porque mochilas, sacos e malas não passam nos checkpoints. Mas, mesmo assim, estavam todos contentes, o que parece querer demonstrar que, apesar de tudo, deve valer a pena.
Às onze e cinquenta e nove a famosa bola colorida começa a descer, dez segundos antes da meia-noite a contagem decrescente começa a ser feita nos ecrãs gigantes, à meia-noite é a loucura e, dez ou onze minutos depois, a Times Square está completamente vazia. É impressionante a velocidade com que se vai toda a gente embora depois de estar tanto tempo à espera daquele momento. Estão certamente com a bexiga a rebentar e sem sentir as extremidades do corpo, mas pronto: sempre podem dizer que passaram o ano na Times Square.
Grande parte da nossa noite foi, pois, passada a pesquisar sites de viagens à procura de hotéis, viagens ou pacotes de férias e a ver fotos das várias ilhas do Havai para tentar perceber qual o melhor destino para nós. Nesta altura, a dúvida reside entre a Big Island e Maui, mas, verdade seja dita, qualquer uma delas serve.
Mais perto da meia-noite ligámos a televisão para ver como estava a festa na Times Square. Um ano destes ainda vou lá passar o ano, é claro - é uma daquelas coisas que, já que aqui estou, devo fazer - mas o que vi foi mais de um milhão de pessoas a tilintar de frio, expostas a temperaturas negativas desde as três ou quatro da tarde, sem poder sair do mesmo sítio porque as áreas com boa visibilidade são completamente vedadas com gradeamentos, sem poder ir à casa-de-banho desde essa mesma hora, sem poder fazer um brinde como deve ser porque as bebidas alcoólicas são proibidas e sem poder sequer levar comida porque mochilas, sacos e malas não passam nos checkpoints. Mas, mesmo assim, estavam todos contentes, o que parece querer demonstrar que, apesar de tudo, deve valer a pena.
Às onze e cinquenta e nove a famosa bola colorida começa a descer, dez segundos antes da meia-noite a contagem decrescente começa a ser feita nos ecrãs gigantes, à meia-noite é a loucura e, dez ou onze minutos depois, a Times Square está completamente vazia. É impressionante a velocidade com que se vai toda a gente embora depois de estar tanto tempo à espera daquele momento. Estão certamente com a bexiga a rebentar e sem sentir as extremidades do corpo, mas pronto: sempre podem dizer que passaram o ano na Times Square.
Friday, December 26, 2008
Natal ao contrário
Este foi o primeiro Natal que passei sem ser em casa dos meus pais. Estou em casa do pai da Jennifer, na Pensilvânia, naquilo a que o meu irmão chama de «América profunda», mas que, se calhar, é melhor chamar de «América semi-profunda» já que basta comparar isto com o Texas ou o Kentucky, por exemplo, para perceber que há profundezas bem mais profundas do que a Pensilvânia nos EUA.
Seja como for, e apesar de, como sabem, eu não ser grande apreciador desta quadra, devo admitir que passar o Natal fora de casa é uma experiência algo estranha. Parece que está tudo errado, que não é assim que se faz. E não é por estar noutro país que digo isto. Tenho a certeza que se estivesse em Portugal, mas noutra casa que não a minha, teria a mesma sensação. Desde que os rituais seguidos não sejam aqueles com que cresci - abrir as prendas na véspera de Natal, fazer depois a ceia à meia-noite e tudo isso - parece que o Natal está ao contrário.
Seja como for, e apesar de, como sabem, eu não ser grande apreciador desta quadra, devo admitir que passar o Natal fora de casa é uma experiência algo estranha. Parece que está tudo errado, que não é assim que se faz. E não é por estar noutro país que digo isto. Tenho a certeza que se estivesse em Portugal, mas noutra casa que não a minha, teria a mesma sensação. Desde que os rituais seguidos não sejam aqueles com que cresci - abrir as prendas na véspera de Natal, fazer depois a ceia à meia-noite e tudo isso - parece que o Natal está ao contrário.
Friday, December 12, 2008
Voluntariado à minha medida
Já há algum tempo que eu sabia que me devia voluntariar para alguma coisa. Sentia uma vontade de fazer algo de útil, mas sabia também que não me apetecia dar de comer a pobres, tratar de doentes em hospitais ou fazer companhia a idosos em lares de terceira idade - tudo actividades extremamente meritosas, como é evidente, mas para as quais eu não tenho grande inclinação por me faltar altruismo e bondade em doses suficientes.
Até que, há coisa de dois meses atrás, encontrei uma oportunidade de voluntariado que parecia feita à minha medida. Era para trabalhar numa estação de televisão de cariz não-lucrativo cuja missão é dar exposição a outras culturas e outras maneiras de ver o mundo, um objectivo que, não sendo tão imediato e urgente como dar de comer a pobres, ajudar doentes em hospitais ou fazer companhia a idosos em lares de terceira, não deixa de ter o seu quê de meritório.
A estação chama-se Link TV e tem um site na internet (ver aqui), bastante bem organizado e apelativo por sinal, onde se pode começar a perceber qual a sua orientação editorial. Nesta estação pode ver-se, por exemplo, compactos de serviços noticiosos de países islâmicos onde assuntos como a guerra no Iraque são apresentados sob o ponto de vista do outro lado do conflito, filmes produzidos em várias partes do mundo, programas de debate independente sobre as questões que afectam o planeta, rubricas sobre globalização, ecologia ou minorias étnicas e documentários significativos que abordam temas internacionais de relevo, que podem ir desde o genocídio no Darfur até ao poder das grandes corporações na economia mundial, passando pela luta dos monges tibetanos contra o império chinês ou pela devastação da Amazónia.
Foi, acima de tudo, esta última componente que me convenceu. Sempre fui grande apreciador de cinema documental e, juntando os benefícios pessoais que poderia retirar da experiência de trabalhar numa estação de televisão (se bem que de dimensões muito reduzidas) com a missão positiva e louvável deste canal em concreto, não podia deixar de tentar perseguir esta oportunidade.
Enviei o currículo, fui a uma entrevista e comecei a trabalhar na segunda-feira seguinte. Desde então, tenho lá ido todas as segundas e quintas à tarde. Comecei a fazer entradas numa base de dados (actividade fastidiosa que, contudo, até fiz de boa vontade porque era uma coisa em que não precisava de pensar muito - uma diferença relaxante em relação ao meu emprego propriamente dito) e, agora, passado um mês e meio, passei a fazer visionamento e crítica de documentários, com o objectivo de avaliar a sua qualidade para emissão. Não sei quanto tempo vou lá ficar, se me vou fartar daquilo depressa ou nem por isso, mas, por enquanto, está a ser uma experiência muito positiva.
Até que, há coisa de dois meses atrás, encontrei uma oportunidade de voluntariado que parecia feita à minha medida. Era para trabalhar numa estação de televisão de cariz não-lucrativo cuja missão é dar exposição a outras culturas e outras maneiras de ver o mundo, um objectivo que, não sendo tão imediato e urgente como dar de comer a pobres, ajudar doentes em hospitais ou fazer companhia a idosos em lares de terceira, não deixa de ter o seu quê de meritório.
A estação chama-se Link TV e tem um site na internet (ver aqui), bastante bem organizado e apelativo por sinal, onde se pode começar a perceber qual a sua orientação editorial. Nesta estação pode ver-se, por exemplo, compactos de serviços noticiosos de países islâmicos onde assuntos como a guerra no Iraque são apresentados sob o ponto de vista do outro lado do conflito, filmes produzidos em várias partes do mundo, programas de debate independente sobre as questões que afectam o planeta, rubricas sobre globalização, ecologia ou minorias étnicas e documentários significativos que abordam temas internacionais de relevo, que podem ir desde o genocídio no Darfur até ao poder das grandes corporações na economia mundial, passando pela luta dos monges tibetanos contra o império chinês ou pela devastação da Amazónia.
Foi, acima de tudo, esta última componente que me convenceu. Sempre fui grande apreciador de cinema documental e, juntando os benefícios pessoais que poderia retirar da experiência de trabalhar numa estação de televisão (se bem que de dimensões muito reduzidas) com a missão positiva e louvável deste canal em concreto, não podia deixar de tentar perseguir esta oportunidade.
Enviei o currículo, fui a uma entrevista e comecei a trabalhar na segunda-feira seguinte. Desde então, tenho lá ido todas as segundas e quintas à tarde. Comecei a fazer entradas numa base de dados (actividade fastidiosa que, contudo, até fiz de boa vontade porque era uma coisa em que não precisava de pensar muito - uma diferença relaxante em relação ao meu emprego propriamente dito) e, agora, passado um mês e meio, passei a fazer visionamento e crítica de documentários, com o objectivo de avaliar a sua qualidade para emissão. Não sei quanto tempo vou lá ficar, se me vou fartar daquilo depressa ou nem por isso, mas, por enquanto, está a ser uma experiência muito positiva.
Friday, November 28, 2008
Jantar de Thanksgiving - Epílogo
E pronto: estava tudo deveras saboroso (excepção feita àquela cena de feijão verde, é claro). O problema agora é que temos aqui peru para jantar pelos menos durante uma semana e meia.
Thursday, November 27, 2008
Jantar de Thanksgiving - Prólogo
Hoje é Thanksgiving. Ao contrário do ano passado, em que fomos a casa dos pais da Jennifer, desta feita decidimos ficar por NY e preparar o nosso próprio perú. Nenhum de nós estava com pachorra para enfrentar sete ou oito horas de carro em cada sentido e, sendo assim, preferimos dispender a tarde de hoje a preparar o jantar. Ainda é meio-dia e o peru ainda está a descongelar, mas eis a ementa prevista para mais logo:
- Peru com recheio aromatizado com tomilho e salva
- Puré de batata
- Tarte de batata doce
- Caçarola de feijão verde (eu, por mim, nem toco nisto; é mais para a Jennifer)
- Pão quente
- Azeitonas (daquelas grandes e gordas que se compram ao peso)
- Vinho branco (um Bordeaux e um Riesling)
- Cheesecake de chocolate
Se depois do jantar ainda me conseguir levantar da cadeira, venho aqui fazer um balanço das festividades (mas tenho a impressão que vai difícil).
- Peru com recheio aromatizado com tomilho e salva
- Puré de batata
- Tarte de batata doce
- Caçarola de feijão verde (eu, por mim, nem toco nisto; é mais para a Jennifer)
- Pão quente
- Azeitonas (daquelas grandes e gordas que se compram ao peso)
- Vinho branco (um Bordeaux e um Riesling)
- Cheesecake de chocolate
Se depois do jantar ainda me conseguir levantar da cadeira, venho aqui fazer um balanço das festividades (mas tenho a impressão que vai difícil).
Sunday, November 16, 2008
Olhe que assim ainda me deixa corado
Recebi a nota de mais um paper no meu curso de cinema. Desta feita, foi uma análise ao «Blow-Up» do Michelangelo Antonioni, um filme que, ao contrário daquilo que aconteceu com o «Weekend» do Jean-Luc Godard, obra que detestei quando vi e continuei a detestar depois de concluído o trabalho, acabei por dar muito mais valor depois de a analisar em detalhe e perceber melhor o que o realizador estava a tentar fazer. Mesmo assim, não aconselho este filme a quem não tiver algumas horas para matutar naquilo, porque, caso contrário, nada vai fazer grande sentido (é curioso que, depois de ver estes filmes supostamente mais artísticos, uma das coisas que este curso me está a provocar é saudades de ver um blockbusterzinho, para dizer a verdade).
Tive outro excelent, mas, mais do que a nota propriamente dita, até porque, por aquilo que pude ver pelos meus colegas que estavam ali à volta, toda a gente teve excelente (sim: não pensem que eu tenho notas dessas por ser um aluno extraordinário, ou isso), a observação que a professora me deixou agradou-me bem mais: «nice writing», escreveu ela, confirmando depois o panegírico com um ponto de exclamação bem enfático. Foi o primeiro elogio à minha escrita em inglês (tirando os da Jennifer, é claro, mas isso não conta), circunstância que me deixou bastante satisfeito e quase me fez esquecer que, para conseguir redigir um texto decente numa língua que não é a minha, demorei um fim-de-semana inteiro a escrever três páginas.
Tive outro excelent, mas, mais do que a nota propriamente dita, até porque, por aquilo que pude ver pelos meus colegas que estavam ali à volta, toda a gente teve excelente (sim: não pensem que eu tenho notas dessas por ser um aluno extraordinário, ou isso), a observação que a professora me deixou agradou-me bem mais: «nice writing», escreveu ela, confirmando depois o panegírico com um ponto de exclamação bem enfático. Foi o primeiro elogio à minha escrita em inglês (tirando os da Jennifer, é claro, mas isso não conta), circunstância que me deixou bastante satisfeito e quase me fez esquecer que, para conseguir redigir um texto decente numa língua que não é a minha, demorei um fim-de-semana inteiro a escrever três páginas.
Monday, November 10, 2008
Eu só gostava de ter metade da piada que ele tem
Ontem fui com a Jennifer ao Lincoln Center assistir a um espectáculo do Brian Regan, aquele que é, talvez, o melhor stand-up comedian da actualidade aqui nos Estados Unidos. Custou-me os olhos da cara, mas valeu bem a pena, que mais não seja para ver como é possível fazer humor brilhante a partir das coisas mais simples e mundanas. Aqui fica uma pequena amostra de um sequência em que ele fala de idas ao médico.
Tuesday, November 4, 2008
Yes, we did!
E não é que ele ganhou mesmo?
Todos os dias, para escrever o «Memória de Elefante», tenho de ler listas e listas com as efemérides mais importantes da História. Hoje, ao assistir o desenrolar das eleições aqui nos Estados Unidos, tive a plena consciência de que estava a ser criada mais uma dessas efemérides. É um grande exemplo para todo o mundo, mas, agora que o Obama finalmente ganhou, estou nervoso: se ele faz merda e não muda isto tudo para melhor, é capaz de ser uma das maiores desilusões da minha vida.
Saturday, November 1, 2008
Nem trick, nem treat
Mais um Halloween, e, de novo, não me bateu ninguém à porta a dizer «trick or treat». Já escrevi aqui no ano passado que, para mim, isto é a queda de um mito, mas, este ano, vou ainda mais longe e digo que, apesar de o terem inventado, os americanos não percebem nada de Halloween.
Toda a gente sabe que uma boa máscara de Halloween deve ser aterradora. Monstros, fantasmas, Josés Castelos Brancos, enfim, qualquer coisa que nos faça gritar de horror, mas os americanos parecem ter-se esquecido disso. Vi meia dúzia de crianças com aquela máscara do assassino do «Scream», dois ou três esqueletos fluorescentes, uma múmia e um Frankestein (ou então era um puto feio como o raio), mas nada que se compare com a quantidade de fadas, carochinhas, super-homens, piratas e outros disfarces completamente fora de época que por aqui andavam (e já nem sequer estou a contar com a quantidade exorbitante de Harry Potters, já que, não se tratando de uma personagem verdadeiramente monstruosa, uma máscara de Harry Potter acaba por ter uma componente assustadora, que mais não seja porque, para algumas franjas mais conservadoras da sociedade, deve ser realmente assustador que um puto se queira vestir de feiticeiro panasca).
Isto, claro, no que diz respeito a crianças. Passando agora para os adultos, a tendência para subvalorizar a componente assustadora do Halloween é igualmente visível, como pude confirmar ontem na festa para que fui convidado. Os homens apresentaram-se com disfarces absolutamente descabidos, que iam desde jogadores de hóquei no gelo a Jesuses Cristos, passando por chulos, senadores romanos e arqueólogos britânicos no Egipto; as mulheres, e apesar de haver muita bruxa, sem dúvida, também puseram de parte, na sua grande maioria, a vontade de aterrorizar e, bem pelo contrário, preferiram mais uma vez aproveitar a data para deixarem de parte as suas repressões mais profundas e abandonarem as convenções sociais no que a decência de vestuário dizem a respeito. Por mim, tudo bem, é evidente, nada contra, mas vamos lá a ser sinceros: se uma naughty nurse ainda pode assustadora porque não é por ter uma mini-saia até ao umbigo que nos deixa de dar uma injecção, se for preciso, «Ahhhh! Que horror! Que grande susto que me pregaste!» não é propriamente a primeira coisa que vem à mente de uma pessoa quando vê uma slutty housekeeper ou uma sexy catwoman.
Toda a gente sabe que uma boa máscara de Halloween deve ser aterradora. Monstros, fantasmas, Josés Castelos Brancos, enfim, qualquer coisa que nos faça gritar de horror, mas os americanos parecem ter-se esquecido disso. Vi meia dúzia de crianças com aquela máscara do assassino do «Scream», dois ou três esqueletos fluorescentes, uma múmia e um Frankestein (ou então era um puto feio como o raio), mas nada que se compare com a quantidade de fadas, carochinhas, super-homens, piratas e outros disfarces completamente fora de época que por aqui andavam (e já nem sequer estou a contar com a quantidade exorbitante de Harry Potters, já que, não se tratando de uma personagem verdadeiramente monstruosa, uma máscara de Harry Potter acaba por ter uma componente assustadora, que mais não seja porque, para algumas franjas mais conservadoras da sociedade, deve ser realmente assustador que um puto se queira vestir de feiticeiro panasca).
Isto, claro, no que diz respeito a crianças. Passando agora para os adultos, a tendência para subvalorizar a componente assustadora do Halloween é igualmente visível, como pude confirmar ontem na festa para que fui convidado. Os homens apresentaram-se com disfarces absolutamente descabidos, que iam desde jogadores de hóquei no gelo a Jesuses Cristos, passando por chulos, senadores romanos e arqueólogos britânicos no Egipto; as mulheres, e apesar de haver muita bruxa, sem dúvida, também puseram de parte, na sua grande maioria, a vontade de aterrorizar e, bem pelo contrário, preferiram mais uma vez aproveitar a data para deixarem de parte as suas repressões mais profundas e abandonarem as convenções sociais no que a decência de vestuário dizem a respeito. Por mim, tudo bem, é evidente, nada contra, mas vamos lá a ser sinceros: se uma naughty nurse ainda pode assustadora porque não é por ter uma mini-saia até ao umbigo que nos deixa de dar uma injecção, se for preciso, «Ahhhh! Que horror! Que grande susto que me pregaste!» não é propriamente a primeira coisa que vem à mente de uma pessoa quando vê uma slutty housekeeper ou uma sexy catwoman.
Wednesday, October 22, 2008
TPC
Hoje, na aula de cinema, recebi a nota do meu primeiro paper à americana. Era uma análise a um filme do Jean-Luc Godard (uma enormíssica seca, por sinal, que, apesar de ser considerada uma obra-prima, não aconselho a ninguém a não ser a cinéfilos pretensiosos e a pseudo-intelectuais). Estava com receio, admito, porque ainda tenho grandes dificuldades em escrever em inglês, mas, com a ajuda indispensável do corrector ortográfico do Word, com idas frequentes a dicionários de sinónimos na internet e com a preciosa revisão da Jennifer, a coisa até correu bastante bem e a verdade é que tive um Excelent. Fiquei um bocado desiludido, por acaso. Queria que a professora tivesse utilizado letras para dar as notas. Queria ter tido um «A». «Excelentes» já tive vários. «100%'s», também. «A's» é que nunca tive nenhum.
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