Já há algum tempo que eu sabia que me devia voluntariar para alguma coisa. Sentia uma vontade de fazer algo de útil, mas sabia também que não me apetecia dar de comer a pobres, tratar de doentes em hospitais ou fazer companhia a idosos em lares de terceira idade - tudo actividades extremamente meritosas, como é evidente, mas para as quais eu não tenho grande inclinação por me faltar altruismo e bondade em doses suficientes.
Até que, há coisa de dois meses atrás, encontrei uma oportunidade de voluntariado que parecia feita à minha medida. Era para trabalhar numa estação de televisão de cariz não-lucrativo cuja missão é dar exposição a outras culturas e outras maneiras de ver o mundo, um objectivo que, não sendo tão imediato e urgente como dar de comer a pobres, ajudar doentes em hospitais ou fazer companhia a idosos em lares de terceira, não deixa de ter o seu quê de meritório.
A estação chama-se Link TV e tem um site na internet (ver aqui), bastante bem organizado e apelativo por sinal, onde se pode começar a perceber qual a sua orientação editorial. Nesta estação pode ver-se, por exemplo, compactos de serviços noticiosos de países islâmicos onde assuntos como a guerra no Iraque são apresentados sob o ponto de vista do outro lado do conflito, filmes produzidos em várias partes do mundo, programas de debate independente sobre as questões que afectam o planeta, rubricas sobre globalização, ecologia ou minorias étnicas e documentários significativos que abordam temas internacionais de relevo, que podem ir desde o genocídio no Darfur até ao poder das grandes corporações na economia mundial, passando pela luta dos monges tibetanos contra o império chinês ou pela devastação da Amazónia.
Foi, acima de tudo, esta última componente que me convenceu. Sempre fui grande apreciador de cinema documental e, juntando os benefícios pessoais que poderia retirar da experiência de trabalhar numa estação de televisão (se bem que de dimensões muito reduzidas) com a missão positiva e louvável deste canal em concreto, não podia deixar de tentar perseguir esta oportunidade.
Enviei o currículo, fui a uma entrevista e comecei a trabalhar na segunda-feira seguinte. Desde então, tenho lá ido todas as segundas e quintas à tarde. Comecei a fazer entradas numa base de dados (actividade fastidiosa que, contudo, até fiz de boa vontade porque era uma coisa em que não precisava de pensar muito - uma diferença relaxante em relação ao meu emprego propriamente dito) e, agora, passado um mês e meio, passei a fazer visionamento e crítica de documentários, com o objectivo de avaliar a sua qualidade para emissão. Não sei quanto tempo vou lá ficar, se me vou fartar daquilo depressa ou nem por isso, mas, por enquanto, está a ser uma experiência muito positiva.
Friday, December 12, 2008
Friday, November 28, 2008
Jantar de Thanksgiving - Epílogo
E pronto: estava tudo deveras saboroso (excepção feita àquela cena de feijão verde, é claro). O problema agora é que temos aqui peru para jantar pelos menos durante uma semana e meia.
Thursday, November 27, 2008
Jantar de Thanksgiving - Prólogo
Hoje é Thanksgiving. Ao contrário do ano passado, em que fomos a casa dos pais da Jennifer, desta feita decidimos ficar por NY e preparar o nosso próprio perú. Nenhum de nós estava com pachorra para enfrentar sete ou oito horas de carro em cada sentido e, sendo assim, preferimos dispender a tarde de hoje a preparar o jantar. Ainda é meio-dia e o peru ainda está a descongelar, mas eis a ementa prevista para mais logo:
- Peru com recheio aromatizado com tomilho e salva
- Puré de batata
- Tarte de batata doce
- Caçarola de feijão verde (eu, por mim, nem toco nisto; é mais para a Jennifer)
- Pão quente
- Azeitonas (daquelas grandes e gordas que se compram ao peso)
- Vinho branco (um Bordeaux e um Riesling)
- Cheesecake de chocolate
Se depois do jantar ainda me conseguir levantar da cadeira, venho aqui fazer um balanço das festividades (mas tenho a impressão que vai difícil).
- Peru com recheio aromatizado com tomilho e salva
- Puré de batata
- Tarte de batata doce
- Caçarola de feijão verde (eu, por mim, nem toco nisto; é mais para a Jennifer)
- Pão quente
- Azeitonas (daquelas grandes e gordas que se compram ao peso)
- Vinho branco (um Bordeaux e um Riesling)
- Cheesecake de chocolate
Se depois do jantar ainda me conseguir levantar da cadeira, venho aqui fazer um balanço das festividades (mas tenho a impressão que vai difícil).
Sunday, November 16, 2008
Olhe que assim ainda me deixa corado
Recebi a nota de mais um paper no meu curso de cinema. Desta feita, foi uma análise ao «Blow-Up» do Michelangelo Antonioni, um filme que, ao contrário daquilo que aconteceu com o «Weekend» do Jean-Luc Godard, obra que detestei quando vi e continuei a detestar depois de concluído o trabalho, acabei por dar muito mais valor depois de a analisar em detalhe e perceber melhor o que o realizador estava a tentar fazer. Mesmo assim, não aconselho este filme a quem não tiver algumas horas para matutar naquilo, porque, caso contrário, nada vai fazer grande sentido (é curioso que, depois de ver estes filmes supostamente mais artísticos, uma das coisas que este curso me está a provocar é saudades de ver um blockbusterzinho, para dizer a verdade).
Tive outro excelent, mas, mais do que a nota propriamente dita, até porque, por aquilo que pude ver pelos meus colegas que estavam ali à volta, toda a gente teve excelente (sim: não pensem que eu tenho notas dessas por ser um aluno extraordinário, ou isso), a observação que a professora me deixou agradou-me bem mais: «nice writing», escreveu ela, confirmando depois o panegírico com um ponto de exclamação bem enfático. Foi o primeiro elogio à minha escrita em inglês (tirando os da Jennifer, é claro, mas isso não conta), circunstância que me deixou bastante satisfeito e quase me fez esquecer que, para conseguir redigir um texto decente numa língua que não é a minha, demorei um fim-de-semana inteiro a escrever três páginas.
Tive outro excelent, mas, mais do que a nota propriamente dita, até porque, por aquilo que pude ver pelos meus colegas que estavam ali à volta, toda a gente teve excelente (sim: não pensem que eu tenho notas dessas por ser um aluno extraordinário, ou isso), a observação que a professora me deixou agradou-me bem mais: «nice writing», escreveu ela, confirmando depois o panegírico com um ponto de exclamação bem enfático. Foi o primeiro elogio à minha escrita em inglês (tirando os da Jennifer, é claro, mas isso não conta), circunstância que me deixou bastante satisfeito e quase me fez esquecer que, para conseguir redigir um texto decente numa língua que não é a minha, demorei um fim-de-semana inteiro a escrever três páginas.
Monday, November 10, 2008
Eu só gostava de ter metade da piada que ele tem
Ontem fui com a Jennifer ao Lincoln Center assistir a um espectáculo do Brian Regan, aquele que é, talvez, o melhor stand-up comedian da actualidade aqui nos Estados Unidos. Custou-me os olhos da cara, mas valeu bem a pena, que mais não seja para ver como é possível fazer humor brilhante a partir das coisas mais simples e mundanas. Aqui fica uma pequena amostra de um sequência em que ele fala de idas ao médico.
Tuesday, November 4, 2008
Yes, we did!
E não é que ele ganhou mesmo?
Todos os dias, para escrever o «Memória de Elefante», tenho de ler listas e listas com as efemérides mais importantes da História. Hoje, ao assistir o desenrolar das eleições aqui nos Estados Unidos, tive a plena consciência de que estava a ser criada mais uma dessas efemérides. É um grande exemplo para todo o mundo, mas, agora que o Obama finalmente ganhou, estou nervoso: se ele faz merda e não muda isto tudo para melhor, é capaz de ser uma das maiores desilusões da minha vida.
Saturday, November 1, 2008
Nem trick, nem treat
Mais um Halloween, e, de novo, não me bateu ninguém à porta a dizer «trick or treat». Já escrevi aqui no ano passado que, para mim, isto é a queda de um mito, mas, este ano, vou ainda mais longe e digo que, apesar de o terem inventado, os americanos não percebem nada de Halloween.
Toda a gente sabe que uma boa máscara de Halloween deve ser aterradora. Monstros, fantasmas, Josés Castelos Brancos, enfim, qualquer coisa que nos faça gritar de horror, mas os americanos parecem ter-se esquecido disso. Vi meia dúzia de crianças com aquela máscara do assassino do «Scream», dois ou três esqueletos fluorescentes, uma múmia e um Frankestein (ou então era um puto feio como o raio), mas nada que se compare com a quantidade de fadas, carochinhas, super-homens, piratas e outros disfarces completamente fora de época que por aqui andavam (e já nem sequer estou a contar com a quantidade exorbitante de Harry Potters, já que, não se tratando de uma personagem verdadeiramente monstruosa, uma máscara de Harry Potter acaba por ter uma componente assustadora, que mais não seja porque, para algumas franjas mais conservadoras da sociedade, deve ser realmente assustador que um puto se queira vestir de feiticeiro panasca).
Isto, claro, no que diz respeito a crianças. Passando agora para os adultos, a tendência para subvalorizar a componente assustadora do Halloween é igualmente visível, como pude confirmar ontem na festa para que fui convidado. Os homens apresentaram-se com disfarces absolutamente descabidos, que iam desde jogadores de hóquei no gelo a Jesuses Cristos, passando por chulos, senadores romanos e arqueólogos britânicos no Egipto; as mulheres, e apesar de haver muita bruxa, sem dúvida, também puseram de parte, na sua grande maioria, a vontade de aterrorizar e, bem pelo contrário, preferiram mais uma vez aproveitar a data para deixarem de parte as suas repressões mais profundas e abandonarem as convenções sociais no que a decência de vestuário dizem a respeito. Por mim, tudo bem, é evidente, nada contra, mas vamos lá a ser sinceros: se uma naughty nurse ainda pode assustadora porque não é por ter uma mini-saia até ao umbigo que nos deixa de dar uma injecção, se for preciso, «Ahhhh! Que horror! Que grande susto que me pregaste!» não é propriamente a primeira coisa que vem à mente de uma pessoa quando vê uma slutty housekeeper ou uma sexy catwoman.
Toda a gente sabe que uma boa máscara de Halloween deve ser aterradora. Monstros, fantasmas, Josés Castelos Brancos, enfim, qualquer coisa que nos faça gritar de horror, mas os americanos parecem ter-se esquecido disso. Vi meia dúzia de crianças com aquela máscara do assassino do «Scream», dois ou três esqueletos fluorescentes, uma múmia e um Frankestein (ou então era um puto feio como o raio), mas nada que se compare com a quantidade de fadas, carochinhas, super-homens, piratas e outros disfarces completamente fora de época que por aqui andavam (e já nem sequer estou a contar com a quantidade exorbitante de Harry Potters, já que, não se tratando de uma personagem verdadeiramente monstruosa, uma máscara de Harry Potter acaba por ter uma componente assustadora, que mais não seja porque, para algumas franjas mais conservadoras da sociedade, deve ser realmente assustador que um puto se queira vestir de feiticeiro panasca).
Isto, claro, no que diz respeito a crianças. Passando agora para os adultos, a tendência para subvalorizar a componente assustadora do Halloween é igualmente visível, como pude confirmar ontem na festa para que fui convidado. Os homens apresentaram-se com disfarces absolutamente descabidos, que iam desde jogadores de hóquei no gelo a Jesuses Cristos, passando por chulos, senadores romanos e arqueólogos britânicos no Egipto; as mulheres, e apesar de haver muita bruxa, sem dúvida, também puseram de parte, na sua grande maioria, a vontade de aterrorizar e, bem pelo contrário, preferiram mais uma vez aproveitar a data para deixarem de parte as suas repressões mais profundas e abandonarem as convenções sociais no que a decência de vestuário dizem a respeito. Por mim, tudo bem, é evidente, nada contra, mas vamos lá a ser sinceros: se uma naughty nurse ainda pode assustadora porque não é por ter uma mini-saia até ao umbigo que nos deixa de dar uma injecção, se for preciso, «Ahhhh! Que horror! Que grande susto que me pregaste!» não é propriamente a primeira coisa que vem à mente de uma pessoa quando vê uma slutty housekeeper ou uma sexy catwoman.
Wednesday, October 22, 2008
TPC
Hoje, na aula de cinema, recebi a nota do meu primeiro paper à americana. Era uma análise a um filme do Jean-Luc Godard (uma enormíssica seca, por sinal, que, apesar de ser considerada uma obra-prima, não aconselho a ninguém a não ser a cinéfilos pretensiosos e a pseudo-intelectuais). Estava com receio, admito, porque ainda tenho grandes dificuldades em escrever em inglês, mas, com a ajuda indispensável do corrector ortográfico do Word, com idas frequentes a dicionários de sinónimos na internet e com a preciosa revisão da Jennifer, a coisa até correu bastante bem e a verdade é que tive um Excelent. Fiquei um bocado desiludido, por acaso. Queria que a professora tivesse utilizado letras para dar as notas. Queria ter tido um «A». «Excelentes» já tive vários. «100%'s», também. «A's» é que nunca tive nenhum.
Sunday, October 19, 2008
Há determinado tipo de coisas que são iguais em qualquer parte do mundo
Não sei bem o que nos passou pela cabeça, mas ontem decidimos ir ao Oyster Festival, algures numa pequena cidade a três quartos de hora daqui. É claro que, mal lá chegámos, apercebemo-nos do erro. Quer estejamos a falar do Festival do Marisco de Olhão, da Semana do Chicharro da Ribeira Quente ou do Festival da Ostra de Long Island, este tipo de eventos resume-se ao mesmo: famílias, javardice e chavascal, com a diferença de, neste caso, não haver uma banda de covers a tocar o «Apita o Comboio», mas sim um grupo a tocar música country.
Mas nem tudo foi desperdício de tempo. Apesar de não termos lá ficado mais de dez minutos e de nem sequer termos comido uma ostrazinha que fosse (as filas eram intermináveis), andei pela primeira vez num autêntico school bus americano, daqueles amarelos e tudo, já que o transporte de e para os parques de estacionamento era assegurado por autocarros desses. Foi mais uma experiência cultural concretizada. Só me falta agora dormir numa daqueles camas de motel que fazem massagens.
Mas nem tudo foi desperdício de tempo. Apesar de não termos lá ficado mais de dez minutos e de nem sequer termos comido uma ostrazinha que fosse (as filas eram intermináveis), andei pela primeira vez num autêntico school bus americano, daqueles amarelos e tudo, já que o transporte de e para os parques de estacionamento era assegurado por autocarros desses. Foi mais uma experiência cultural concretizada. Só me falta agora dormir numa daqueles camas de motel que fazem massagens.
Sunday, October 12, 2008
What Americans don't have
Dear President Bush,
Over the summer, I traveled to a small island called Sao Miguel. You will not believe what I discovered. President, they have a lot of shit that we don't have. I think that it is time that Americans have all the same shit that Azoreans have. Let's bring light to this issue during the final weeks of the campaign. See the picture below to find out what shit I am talking about. We need your help President Bush. Give us this shit!!
Sincerely,
Jennifer(Fellow American)
Over the summer, I traveled to a small island called Sao Miguel. You will not believe what I discovered. President, they have a lot of shit that we don't have. I think that it is time that Americans have all the same shit that Azoreans have. Let's bring light to this issue during the final weeks of the campaign. See the picture below to find out what shit I am talking about. We need your help President Bush. Give us this shit!!
Sincerely,
Jennifer(Fellow American)
Saturday, October 11, 2008
Thursday, October 9, 2008
Quarta à noite em casa
Ontem não tive aula de Cinema porque hoje é Yom Kippur, um feriado judeu, e é com alguma pena que admito que até curti não ter de ir à universidade. Estou algo desiludido com o curso, principalmente porque a minha professora é uma seca. Fala tão baixo que mal a consigo, não sabe muito bem do que está a falar, não se consegue explicar bem e é um pouco desorganizada. Para além disso, esta primeira cadeira é algo básica e, pelo menos até agora, muito do que lá se trata é coincidente com aquilo que aprendi no curso de fotografia.
Todavia, é evidente que sempre tenho aprendido alguma e, que mais não seja, tenho visto clips de filmes e de realizadores sobre os quais nunca tinha ouvido falar. Na verdade, as aulas não passam disso mesmo: a professora engasga-se durante cinco minutos a dizer qualquer coisa e, depois, passa clips que supostamente demonstram e exemplificam o que ela acabou de dizer. Grande trabalho, hein? Dar aulas assim, também eu.
Espero que a próxima cadeira do curso corra melhor. Esta, a manter-se assim, será dinheiro mais ou menos desperdiçado.
Todavia, é evidente que sempre tenho aprendido alguma e, que mais não seja, tenho visto clips de filmes e de realizadores sobre os quais nunca tinha ouvido falar. Na verdade, as aulas não passam disso mesmo: a professora engasga-se durante cinco minutos a dizer qualquer coisa e, depois, passa clips que supostamente demonstram e exemplificam o que ela acabou de dizer. Grande trabalho, hein? Dar aulas assim, também eu.
Espero que a próxima cadeira do curso corra melhor. Esta, a manter-se assim, será dinheiro mais ou menos desperdiçado.
Wednesday, September 24, 2008
Desta vez, o Bush não ganha, de certeza absoluta
Tenho seguido com enorme atenção e curiosidade (talvez até demasiadas) a campanha eleitoral aqui nos Estados Unidos. Vejo as entrevistas, oiço os comentários, assisti às transmissões das convenções Democrata e Republicana e tenho a televisão invariavelmente ligada num canal de notícias ou na Comedy Central, onde programas como o «Daily Show» ou o «Colbert Report» acabam por ser também bons barómetros do que se está a passar por aqui.
Estou, de certa maneira, obcecado por esta campanha, não só pela componente política propriamente dita, mas também, se calhar até mais, pela janela de conhecimento que ela abre sobre a sociedade americana. É fascinante assistir às máquinas de propaganda de um lado e de outro em funcionamento (as jogadas que tenho visto nesta campanha fazem com que a política portuguesa pareça brincadeira de crianças), mas, para mim, é ainda mais interessante perceber como os americanos pensam e quais as suas motivações.
Nunca fui anti-americano. Também nunca fui pró-americano. Para mim, os americanos são como outro povo qualquer: há deles bons e inteligentes, e há deles maus e burros, e, por isso, irrita-me um bocado aqueles que dizem que os americanos são isto e aquilo quando, ponto um, generalizações dessas são completamente absurdas, estejamos nós a falar de americanos, de árabes ou de aborígenes australianos, e, ponto dois, generalizações dessas são ainda mais absurdas quando está em causa um país do tamanho deste tamanho e diversidade.
A realidade é que existem duas américas completamente distintas, e basta olhar para o mapa eleitoral para perceber isso mesmo: as costas Este e Oeste e os grandes centros urbanos, onde mais cidadãos têm formação académica e onde existe um maior intercâmbio cultural e étnico, votam democrata; o centro e o Sul, mais conservadores, mais religiosos e mais ligados à pátria e a família, votam republicano. Não quer isto dizer que os primeiros sejam esclarecidos e os segundos ignorantes; apenas que, por razões históricas, geográficas e culturais, têm valores diferentes e olham para o mundo de formas diametralmente opostas, mas igualmente dignas de respeito. Acho errado considerar que, só porque alguém partilha de valores que não têm nada a ver com os meus, é burro ou ignorante, até porque isso faria de mim alguém com a pretensão de ser o dono da verdade absoluta, traço de carácter que, nesse caso, teria em comum com personalidades como Hitler ou até José Mourinho.
Olhando para o mapa dos Estados Unidos, também se percebe que a middle America é mesmo, e por larga diferença, a maior porção territorial do país e que, sendo assim, é normal que os republicanos acabem quase sempre por ganhar as eleições. É um facto, mas também é verdade que, dadas as particularidades do sistema eleitoral norte-americano, a coisa não é assim tão simples, já que o presidente não é eleito de modo directo. O vencedor das eleições em cada estado arrecada o número de representantes a que esse estado tem direito no electoral college, quer esse candidato tenha ganho com 100% dos votos, quer tenha obtido apenas 50,1%. E aqui é que a questão se complica, porque enquanto que a California tem direito a 51 desses votos e Nova Iorque a 31, estados como Delaware ou North Dakota apenas têm direito a 3. É evidente que o total de electoral votes atribuídos a cada estado está relacionado com o seu tamanho, número de habitantes e outros factores do género, mas, mesmo assim, este sistema faz com que, como aconteceu naquela eleição em que o Bush venceu o Al Gore, seja possível ganhar as eleições, sem ser o mais votado no total do país (por exemplo, um dos candidatos pode ganhar com 100% dos votos em dez estados mais pequenos, mas, se o outro vencer com 50,1% dos votos na California fica com mais electoral votes, porque arrebata todos 51 deste estado).
Isto implica que, no fundo, as eleições se decidam em apenas quatro ou cinco estados, os chamados battleground states, ou seja, aqueles que não votam de certeza absoluta num ou noutro partido (como pode ser visto aqui), reduzindo a sondagens nacionais a meros indicadores de tendência com pouca relevância, já que cada estado é como um pequeno país, com as suas especificidades, necessidades e problemas.
Estou, de certa maneira, obcecado por esta campanha, não só pela componente política propriamente dita, mas também, se calhar até mais, pela janela de conhecimento que ela abre sobre a sociedade americana. É fascinante assistir às máquinas de propaganda de um lado e de outro em funcionamento (as jogadas que tenho visto nesta campanha fazem com que a política portuguesa pareça brincadeira de crianças), mas, para mim, é ainda mais interessante perceber como os americanos pensam e quais as suas motivações.
Nunca fui anti-americano. Também nunca fui pró-americano. Para mim, os americanos são como outro povo qualquer: há deles bons e inteligentes, e há deles maus e burros, e, por isso, irrita-me um bocado aqueles que dizem que os americanos são isto e aquilo quando, ponto um, generalizações dessas são completamente absurdas, estejamos nós a falar de americanos, de árabes ou de aborígenes australianos, e, ponto dois, generalizações dessas são ainda mais absurdas quando está em causa um país do tamanho deste tamanho e diversidade.
A realidade é que existem duas américas completamente distintas, e basta olhar para o mapa eleitoral para perceber isso mesmo: as costas Este e Oeste e os grandes centros urbanos, onde mais cidadãos têm formação académica e onde existe um maior intercâmbio cultural e étnico, votam democrata; o centro e o Sul, mais conservadores, mais religiosos e mais ligados à pátria e a família, votam republicano. Não quer isto dizer que os primeiros sejam esclarecidos e os segundos ignorantes; apenas que, por razões históricas, geográficas e culturais, têm valores diferentes e olham para o mundo de formas diametralmente opostas, mas igualmente dignas de respeito. Acho errado considerar que, só porque alguém partilha de valores que não têm nada a ver com os meus, é burro ou ignorante, até porque isso faria de mim alguém com a pretensão de ser o dono da verdade absoluta, traço de carácter que, nesse caso, teria em comum com personalidades como Hitler ou até José Mourinho.
Olhando para o mapa dos Estados Unidos, também se percebe que a middle America é mesmo, e por larga diferença, a maior porção territorial do país e que, sendo assim, é normal que os republicanos acabem quase sempre por ganhar as eleições. É um facto, mas também é verdade que, dadas as particularidades do sistema eleitoral norte-americano, a coisa não é assim tão simples, já que o presidente não é eleito de modo directo. O vencedor das eleições em cada estado arrecada o número de representantes a que esse estado tem direito no electoral college, quer esse candidato tenha ganho com 100% dos votos, quer tenha obtido apenas 50,1%. E aqui é que a questão se complica, porque enquanto que a California tem direito a 51 desses votos e Nova Iorque a 31, estados como Delaware ou North Dakota apenas têm direito a 3. É evidente que o total de electoral votes atribuídos a cada estado está relacionado com o seu tamanho, número de habitantes e outros factores do género, mas, mesmo assim, este sistema faz com que, como aconteceu naquela eleição em que o Bush venceu o Al Gore, seja possível ganhar as eleições, sem ser o mais votado no total do país (por exemplo, um dos candidatos pode ganhar com 100% dos votos em dez estados mais pequenos, mas, se o outro vencer com 50,1% dos votos na California fica com mais electoral votes, porque arrebata todos 51 deste estado).
Isto implica que, no fundo, as eleições se decidam em apenas quatro ou cinco estados, os chamados battleground states, ou seja, aqueles que não votam de certeza absoluta num ou noutro partido (como pode ser visto aqui), reduzindo a sondagens nacionais a meros indicadores de tendência com pouca relevância, já que cada estado é como um pequeno país, com as suas especificidades, necessidades e problemas.
Sunday, September 14, 2008
É tudo uma questão de desejar aquilo que não se tem
No fim-de-semana passado fui assistir à gravação de um especial de stand-up comedy para a Comedy Central. Depois, uns dias mais tarde, numa rua a uns quatro ou cinco quarteirões da minha casa, vi uma equipa de técnicos a arrumar aquilo que tinha sido o set de um filme ou de uma série de televisão (aqui em Astoria está localizado um dos maiores estúdios de Nova Iorque, o Kaufman Studios, onde se filma grande parte das séries e filmes produzidos em NY e, por isso, é natural que alguns exteriores neutros sejam feitos nas redondezas).
Estas duas situações, em que me cruzei de relance com câmaras, cabos e holofotes, fizeram-me ter algumas saudades dos tempos em que fazia parte dos bastidores de produções televisivas. É claro que, enquanto guionista e, portanto, sem intervenção directa no desenrolar de muitas das componentes de uma filmagem, muitas vezes ficava horas e horas à espera que algum problema técnico fosse resolvido, ou que alguma questão de produção fosse desbloqueada, ou que a cena ficasse ao gosto do realizador, e que, por isso mesmo, se voltasse agora a uma gravação, o mais certo era acabar aos suspiros de tédio e aos desabafos de impaciência, mas, tal como as câmaras, os cabos e os holofotes, acabo também por ter saudades desses suspiros e desses desabafos. Também fazem parte da mística.
Estas duas situações, em que me cruzei de relance com câmaras, cabos e holofotes, fizeram-me ter algumas saudades dos tempos em que fazia parte dos bastidores de produções televisivas. É claro que, enquanto guionista e, portanto, sem intervenção directa no desenrolar de muitas das componentes de uma filmagem, muitas vezes ficava horas e horas à espera que algum problema técnico fosse resolvido, ou que alguma questão de produção fosse desbloqueada, ou que a cena ficasse ao gosto do realizador, e que, por isso mesmo, se voltasse agora a uma gravação, o mais certo era acabar aos suspiros de tédio e aos desabafos de impaciência, mas, tal como as câmaras, os cabos e os holofotes, acabo também por ter saudades desses suspiros e desses desabafos. Também fazem parte da mística.
Saturday, September 6, 2008
O Juvenal (o poeta romano, mais concretamente; não outro Juvenal qualquer) ia ficar orgulhoso
Naquilo que se pode entender como uma semana dedicada à busca do ambicionado binómio «mente sã em corpo são», e depois de, como já referi no post anterior, ter reflectido a vontade de conseguir um corpore sano, ou, pelo menos, mais sano do que aquele que possuo nesta altura da minha vida, na decisão de me inscrever num ginásio, facto que, aliás, suscitou um misto de reacções de espanto, incredulidade, e apoio que - já agora, admito - me deixou reconfortado porque revelou que tenho amigos que me conhecem bem e que sabem que, por um lado, é mesmo espantoso que, após anos e anos de completo sedentarismo, me tenha decidido dar que fazer a músculos do meu corpo que não recebiam estímulos há décadas, por outro, e talvez pela mesma razão, se mantêm incrédulos perante a minha intenção de, agora que a inscrição está feita, ir ao ginásio com a frequência desejável, e, por último, sabem que realmente deixarei de ir sem o necessário e indispensável apoio, iniciei também o percurso para uma mens sana já que, na quarta-feira, fui à aula inaugural de Art of Film, a primeira disciplina do curso de cinema que decidi tirar ainda antes das férias.
Tuesday, September 2, 2008
Saturday, August 30, 2008
12 things I learned in São Miguel (2008)
1. Alexandre is crazy.
2. Carlota is just as crazy as Alex.
3. Joana gosta de comida de mãe.
4. Nobody gives a damn about a skinny horse.
5. When Paula plays 11, she always gets the card she wants.
6. Pedro is the Godfather and Dajo has no respect.
7. Ricardo knows that we don't have "this shit" in America.
8. It's good to drink a beer after exercising.
9. The ice cream is way better in Ribeira Grande than in Vila Franca.
10. Air scarves are awesome!
11. Rodrigo doesn't always hit the target, but he can communicate with cows.
12.You can get anyone to talk about poop if you start the conversation.
2. Carlota is just as crazy as Alex.
3. Joana gosta de comida de mãe.
4. Nobody gives a damn about a skinny horse.
5. When Paula plays 11, she always gets the card she wants.
6. Pedro is the Godfather and Dajo has no respect.
7. Ricardo knows that we don't have "this shit" in America.
8. It's good to drink a beer after exercising.
9. The ice cream is way better in Ribeira Grande than in Vila Franca.
10. Air scarves are awesome!
11. Rodrigo doesn't always hit the target, but he can communicate with cows.
12.You can get anyone to talk about poop if you start the conversation.
Tuesday, August 26, 2008
Já te disse que elas acabaram, cérebro!
Eu bem que estou a tentar voltar ao trabalho, mas não está a sair nada de jeito. É como se eu já estivesse aqui à frente ao computador com o processador de texto aberto, mas o meu cérebro continuasse de férias.
Friday, August 22, 2008
Primeiro pensamento no regresso a casa
Estou de volta a NY e, para já, tenho o seguinte a dizer: por mais racional que se seja na análise de estatísticas, viajar de avião depois de ver imagens do acidente da Spanair no televisor da sala de embarque do aeroporto não é a melhor experiência que se pode ter.
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