Sábado à tarde, dia de calor, concerto à borla dos Vampire Weekend no Central Park? É claro que era de ir. A fila, como seria de esperar, começava à porta do Summer Stage, na 72nd Street, e ziguezaveava por entre árvores pelos menos uns dez ou quinze quarteirões. Para aí um quilómetro e meio à vontade de hipsters alinhados à espera de entrar no concerto, ou melhor, de wannabee hispters, já que quem é verdadeiramente hip não se mistura com as massas daquela maneira; quem é verdadeiramente hip não vai a espectáculos gratuitos, mas sim a eventos alternativos ultra-secretos divulgados por canais de comunicação a que só os hipsters têm acesso; quem é verdadeiramente hip já não gosta dos Vampire Weekend porque eles já são demasiado mainstream; quem é verdadeiramente hip viu um um concerto dos Vampire Weekend há um ano atrás «num pequeno bar em Brooklyn» quando ainda ninguém os conhecia.
Seja como for, e fossem elas quem fossem, a verdade é que estavam ali milhares de pessoas para entrar no concerto, circunstância justificada pelo facto de estar em questão aquela que é, de longe, a banda sensação de 2008. E não quero com isto dizer que ache eles sejam extraordinários. Gosto deles, admito que sim, mas neste particular, o pseudo-entendido que estava a atrás de nós a desbobinar ideias feitas sobre música decalcadas da última edição da Rolling Stone e que pertence àquele grupo de pessoas que dizem que o seu álbum preferido dos Radiohead é o Kid A, tinha razão: é curioso como estes fenómenos são criados. Basta um crítico qualquer a quem os amantes de música dão ouvidos dizer «este ano, estes gajos é que são bons» e pronto: está lançado o fenónemo. De um dia para o outro começam a vender discos como se fossem pães quentes, começam a dar entrevistas e aparecem em tudo o que é sítio, até que - e este é o sinal definitivo de que estão mesmo a ter sucesso - os hipsters que gostavam deles antes, decidem deixar de gostar porque já não é cool, e, ao invés, preferem comprar um dos cinquenta CD's exclusivos que a nova banda que ninguém conhece gravou numa cave no SoHo com um daqueles órgãos Casio que encontraram no lixo em sinal de protesto contra a opressão e isso.
Bom, estava eu aqui a querer contar como foi o concerto e, ao olhar para cima, reparo que tenho dois parágrafos recheado de dissertações sobre o funcionamento da cultura indie e, por enquanto, acção... nada. Voltando então à tarde de sábado, estava um belo dia, lembram-se disso? Boa, porque esse dado é importante para se perceber a dimensão pré-apocalíptica da mudança climatérica que viria a verificar-se. Eu já vi muito dia de sol a transformar-se em aguaceiro, mas nada como aquilo. Por acaso, até começou suavemente, como que em jeito de aviso. Uns pingos aqui, outros ali, nada de mais. Depois... a monção. Não estávamos na Índia, bem sei, mas não tenho outra palavra para descrever a quantidade de água que começou a cair. Foi quase como se alguém decidisse construir uma Barragem do Alqueva por cima do Central Park e abrir as comportas naquele momento, tudo isto acompanhado por uma trovoada medonha que parecia estar a rebentar a poucos metros de distância.
Em menos de meio minuto estávamos a pingar como se tivéssemos mergulhado com roupa e tudo no lago ali ao lado. «São burros! Porque é que não se foram embora?», exclamam e perguntam vocês. Não porque fizéssemos assim tanta questão em ver os Vampire Weekend. Isso é garantido. A questão é que ficámos tão encharcados em tão pouco tempo que, agora, nos parecia estúpido irmo-nos embora. Mais estúpido do que ficar, quero eu dizer. Por isso, aguentámos heroicamente até os milhares de resistentes começarem a dispersar e a palavra começar a viajar à velocidade de luz desde desde o início até ao final da fila por entre ahs e ohs de frustração e descontentamento: «Fecharam os portões! Não cabe mais ninguém!».
No metro para casa, a tremer de frio por causa do ar condicionado a congelar-me a T-shirt e os calções colados ao corpo, não estava triste nem frustrado, mas passou-me pela cabeça que se um raio acertasse em cheio do palco e electrocutasse uns quantos, assim uma coisa ligeira, nada de mortes, nem nada disso, eu até ia achar engraçado.
Monday, June 16, 2008
Wednesday, June 11, 2008
O roubo - Parte 1
Eu a Jennifer fomos roubados. Não como antigamente. Ninguém nos atacou com uma faca ou ameaçou espetar-nos uma seringa infectada com alguma doença fatal no pescoço. O que nos aconteceu foi algo bem mais sofisticado, uma daquelas coisas de que se ouve falar, mas que se pensa que só acontecem aos outros: alguém teve acesso aos dados de um dos nossos cartões multibanco e andou para aí a gastar o nosso dinheiro a torto e a direito. O cartão esteve sempre connosco, mas, pelos vistos, alguém fez uma cópia e descobriu o PIN, porque a verdade é que, contas feitas, foram quase mil dólares que nos desviaram numa semana. E foi uma sorte a Jennifer ontem ter tido um daqueles pressentimentos sem explicação e ter-me pedido para ir à net ver se estava tudo bem com a conta. Se não fosse isso, tinham roubado muito mais, com certeza.
O curioso é que as transacções fraudulentas foram sempre efectuadas em bombas de gasolina. Eu sei que a gasolina está cara, mas gastar noventa ou cem dólares numa bomba de gasolina todos os dias parece-me estranho, a não ser que o filho da p#$% do ladrão tenha uma frota de autocarros ou ande a conduzir pela cidade um daquelas camiões que fazem cimento.
Bom, é claro que a primeira coisa que fizemos foi cancelar o cartão. O segundo passo foi irmos hoje ao banco para saber o que fazer a seguir. A funcionária que nos recebeu - impecável, por acaso - disse-nos que muita gente tem tido o mesmo problema, o que me leva a perguntar o seguinte: e o banco não faz nada? Não devia haver um sistema qualquer para detectar fraudes deste género? Não estão preocupados com o facto de haver para aí gente que - nem sei bem como - consegue ter acesso aos dados dos cartões multibancos dos seus clientes? Eu não sou polícia, nem muito o Grissom do CSI, mas há aqui um padrão evidente, tanto mais que todas queixas recebidas até ao momento envolvem débitos fraudulentos em bombas de gasolina na zona da Jamaica, aqui em Queens.
Aparentemente, o banco vai restituir-nos o valor desviado da conta depois de investigar o caso. Temos, para já, de escrever uma carta a explicar a situação. Desenvolvimentos aqui no blogue, à medida que forem acontecendo. Parece-me que isto vai ser uma novela com muitas partes.
O curioso é que as transacções fraudulentas foram sempre efectuadas em bombas de gasolina. Eu sei que a gasolina está cara, mas gastar noventa ou cem dólares numa bomba de gasolina todos os dias parece-me estranho, a não ser que o filho da p#$% do ladrão tenha uma frota de autocarros ou ande a conduzir pela cidade um daquelas camiões que fazem cimento.
Bom, é claro que a primeira coisa que fizemos foi cancelar o cartão. O segundo passo foi irmos hoje ao banco para saber o que fazer a seguir. A funcionária que nos recebeu - impecável, por acaso - disse-nos que muita gente tem tido o mesmo problema, o que me leva a perguntar o seguinte: e o banco não faz nada? Não devia haver um sistema qualquer para detectar fraudes deste género? Não estão preocupados com o facto de haver para aí gente que - nem sei bem como - consegue ter acesso aos dados dos cartões multibancos dos seus clientes? Eu não sou polícia, nem muito o Grissom do CSI, mas há aqui um padrão evidente, tanto mais que todas queixas recebidas até ao momento envolvem débitos fraudulentos em bombas de gasolina na zona da Jamaica, aqui em Queens.
Aparentemente, o banco vai restituir-nos o valor desviado da conta depois de investigar o caso. Temos, para já, de escrever uma carta a explicar a situação. Desenvolvimentos aqui no blogue, à medida que forem acontecendo. Parece-me que isto vai ser uma novela com muitas partes.
Tuesday, June 10, 2008
Aceitam-se apostas
É incrível como o Barack Obama conseguiu vencer as primárias do Partido Democrata contra o prestígio e a poderosa máquina eleitoral dos Clintons. A Hillary não queria, mas lá teve de aceitar a derrota, porque percebeu que já era ridículo ser a única pessoa que ainda pensava que ela podia ganhar. Contudo, e pela resiliência demonstrada em chegar à presidência contra tudo e contra todos, há uma pergunta que se impõe: se o Obama escolher a Hillary para vice-presidente, como é que ela o vai despachar para ser ela a governar? A Jennifer acha que ela o atira para debaixo de um comboio; eu cá aposto que o sufoca com uma almofada e ainda deixa ao lado dele o vestido azul da Monica Lewinski para a incriminar.
Wednesday, June 4, 2008
Hóquei no gelo: a análise
Depois de já ter falado aqui de beisebol, de futebol americano e de basquetebol, chega agora a vez de abordar outro desporto que os americanos apreciam bastante: o hóquei no gelo. Isto porque a equipa da Jennifer, os Pittsburgh Penguins, chegou à final dos playoffs e disputou a Stanley Cup, o mais prestigiado troféu da modalidade, dando-me, assim, e apesar de terem perdido, a oportunidade de ver alguns jogos com a emoção que eles merecem.
Como é que funciona então o hóquei no gelo? Essencialmente, é assim: vão todos a patinar para um lado e embrulham-se uns com os outros; vão todos a patinar para o outro e embrulham-se uns com os outros. Se, em vez de gelo, o recinto fosse de terra, só viam nuvens de poeira, ora num lado, ora no outro, como nos desenhos animados. O que torna o jogo interessante é que isto acontece tudo a um ritmo supersónico. O hóquei no gelo é jogado a uma velocidade tão vertiginosa que muitas vezes nem em câmara lenta consigo perceber o que aconteceu. Distinguir para onde o disco foi então, nem se fala. Só para quem tem olho de lince. Aliás, só percebo que é golo quando vejo jogadores aos abraços e os comentadores aos berros.
As semelhanças entre hóquei no gelo e hóquei em patins são nenhumas. Para além de se poder pontapear o disco com os patins ou mesmo controlá-lo com as mãos, no hóquei no gelo vale tudo menos tirar olhos. Empurrar os adversários, atirá-los contra o vidro de protecção do ringue, ir a patinar a toda a velocidade e atropelá-los sem piedade ao ponto de os deixar inconscientes, tudo isto é permitido, como se pode ver neste elucidativo vídeo (chamo especial atenção para o número 5 da contragem decrescente):
Com jogadas desta natureza, não admira que haja pancadaria da séria. Segundo as regras do hóquei no gelo, as lutas físicas são ilegais, mas, por tradição, os árbitros deixam que elas aconteçam. Sendo assim, e com um bocado de sorte, é possível assistir a cenas destas:
Depois de ver isto, não consigo deixar de pensar no Petit. Ia dar um grande jogador de hóquei no gelo, sem dúvida nenhuma. Azar o dele ter nascido num país em que se joga futebol porque, por aquilo que se conhece do seu comportamento em campo, ia sentir-se muito melhor num desporto em que a linha entre agressividade competitiva e violência é muito ténue. Muito ténue, mesmo.
Como é que funciona então o hóquei no gelo? Essencialmente, é assim: vão todos a patinar para um lado e embrulham-se uns com os outros; vão todos a patinar para o outro e embrulham-se uns com os outros. Se, em vez de gelo, o recinto fosse de terra, só viam nuvens de poeira, ora num lado, ora no outro, como nos desenhos animados. O que torna o jogo interessante é que isto acontece tudo a um ritmo supersónico. O hóquei no gelo é jogado a uma velocidade tão vertiginosa que muitas vezes nem em câmara lenta consigo perceber o que aconteceu. Distinguir para onde o disco foi então, nem se fala. Só para quem tem olho de lince. Aliás, só percebo que é golo quando vejo jogadores aos abraços e os comentadores aos berros.
As semelhanças entre hóquei no gelo e hóquei em patins são nenhumas. Para além de se poder pontapear o disco com os patins ou mesmo controlá-lo com as mãos, no hóquei no gelo vale tudo menos tirar olhos. Empurrar os adversários, atirá-los contra o vidro de protecção do ringue, ir a patinar a toda a velocidade e atropelá-los sem piedade ao ponto de os deixar inconscientes, tudo isto é permitido, como se pode ver neste elucidativo vídeo (chamo especial atenção para o número 5 da contragem decrescente):
Com jogadas desta natureza, não admira que haja pancadaria da séria. Segundo as regras do hóquei no gelo, as lutas físicas são ilegais, mas, por tradição, os árbitros deixam que elas aconteçam. Sendo assim, e com um bocado de sorte, é possível assistir a cenas destas:
Depois de ver isto, não consigo deixar de pensar no Petit. Ia dar um grande jogador de hóquei no gelo, sem dúvida nenhuma. Azar o dele ter nascido num país em que se joga futebol porque, por aquilo que se conhece do seu comportamento em campo, ia sentir-se muito melhor num desporto em que a linha entre agressividade competitiva e violência é muito ténue. Muito ténue, mesmo.
2 de Junho
Foi anteotem: o dia em que tirei o ar-condicionado da dispensa este ano. Por aqui, já não se aguenta o calor sem recurso a sistemas de refrigeração electrónicos.
Monday, June 2, 2008
Devias ter visto aquilo, Gabriel Alves
Hoje, quase dois anos depois, voltei a dar um pontapé numa bola de futebol. Foi na minha rua. Estavam uns putos mexicanos a dar uns toques e a bola fugiu na minha direcção. Secretamente, enquanto descia a rua, desejei que isso acontecesse. Estava-me a apetecer acariciar um esférico depois de tanto tempo e, claro, não ia começar a correr atrás das crianças para lhes roubar a bola porque eles ainda chamavam os irmãos mais velhos e eu acabava transformado em enchilada ou, pior, em burrito. Sendo assim, quando a redondinha veio direitinha a mim, foi como se os deuses do futebol estivessem comigo. Com a classe de um Rui Costa, dominei a bola no bola no ar, pu-la no chão, e fiz um passe rasgado para a corrida de um dos putos, que ficou a olhar para mim com quem diz «epá, não estava à espera que conseguisses fazer isso porque pensei que fosses americano e estes americanos não percebem nada de futebol, mas tu, por aquilo que estou a ver, não és daqui, com certeza». Por acaso, o domínio e a desmarcação até correram bastante bem, diga-se de passagem. Foi de tal maneira que quase disse que era irmão do Cristiano Ronaldo.
Sunday, June 1, 2008
Outro final de temporada e, já agora, considerações sobre as diferenças entre a produção televisiva em Portugal e nos Estados Unidos
Continuando ainda a falar de programas de televisão, quinta-feira terminou aqui a quarta temporada de uma série que, apesar de não chegar aos calcanhares do «Edição Extra», parece que tem meia-dúzia de fãs pelo mundo fora. Falo, é claro, do «Lost». Esta quarta temporada, que terminou com um episódio especial que mais parece um filme de acção de Hollywood, é, acho eu, a mais fraca até ao momento. Deu-me a impressão que, em vez de catorze episódios, o enredo podia ter sido compactado em seis ou sete, e ainda ficava a sobrar tempo. Contudo, e apesar disso, continuo fiel, que mais não seja porque uma das últimas cenas da temporada é passada ao som do «Gauge Your Way» dos Pixies, e uma série que coloca uma música deste calibre na banda sonora merece o meu apoio incondicional. Para além disso, a linha narrativa deixada em aberto para a quinta temporada é de deixar água na boca.
Já agora, e porque não tenho paciência para iniciar um post separado, quero aproveitar o facto de estar a falar de televisão para abordar uma das diferenças entre a produção televisiva nos Estados Unidos e em Portugal: o orçamento. Não faço ideia de quanto custa um episódio do «Lost», mas sei que o «Carnivale», uma série que nem sequer passava em canal aberto, mas sim na HBO - um canal por assinatura -, tinha um custo de quatro milhões de dólares por episódio. E digo «tinha» porque, entretanto, a série foi cancelada já que, devido às audiências não serem as desejadas, a direcção do canal propôs uma redução para dois milhões de dólares por episódio e a produção não aceitou o corte. Dois milhões de dólares! Em Portugal, nem sequer um filme tem orçamentos destes, muito menos um episódio de uma série de televisão.
Se me dessem dois milhões de dólares para produzir um episódio acho que nem sequer saberia onde os gastar, mas a verdade é que, nos Estados Unidos, isso desaparece num instante porque toda a gente envolvida numa produção audiovisual é bem paga. Dou um exemplo: os actores que fazem as principais vozes dos «Simpsons» recebem trezentos e sessenta mil dólares por episódio (e estão em greve porque querem ser aumentados para meio milhão).
É claro que, com tanto dinheiro disponível, se chegam a cometer verdadeiros desperdícios. Acho que o melhor exemplo disso é aquela história do Jean Piere-Jeunet sobre as diferenças que encontrou entre realizar o «Delicatessen» e o «Alien 4». Em ambos os projectos, conta ele, era preciso uma aranha para uma das cenas. No «Delicatessen», uma produção independente francesa, ele próprio trouxe uma aranha que encontrou no sótão da sua casa; no «Alien 4», um blockbuster de Hollywood, teve de escolher entre centenas de aranhas trazidas por um especialista que cobrou uma fortuna.
Já agora, e porque não tenho paciência para iniciar um post separado, quero aproveitar o facto de estar a falar de televisão para abordar uma das diferenças entre a produção televisiva nos Estados Unidos e em Portugal: o orçamento. Não faço ideia de quanto custa um episódio do «Lost», mas sei que o «Carnivale», uma série que nem sequer passava em canal aberto, mas sim na HBO - um canal por assinatura -, tinha um custo de quatro milhões de dólares por episódio. E digo «tinha» porque, entretanto, a série foi cancelada já que, devido às audiências não serem as desejadas, a direcção do canal propôs uma redução para dois milhões de dólares por episódio e a produção não aceitou o corte. Dois milhões de dólares! Em Portugal, nem sequer um filme tem orçamentos destes, muito menos um episódio de uma série de televisão.
Se me dessem dois milhões de dólares para produzir um episódio acho que nem sequer saberia onde os gastar, mas a verdade é que, nos Estados Unidos, isso desaparece num instante porque toda a gente envolvida numa produção audiovisual é bem paga. Dou um exemplo: os actores que fazem as principais vozes dos «Simpsons» recebem trezentos e sessenta mil dólares por episódio (e estão em greve porque querem ser aumentados para meio milhão).
É claro que, com tanto dinheiro disponível, se chegam a cometer verdadeiros desperdícios. Acho que o melhor exemplo disso é aquela história do Jean Piere-Jeunet sobre as diferenças que encontrou entre realizar o «Delicatessen» e o «Alien 4». Em ambos os projectos, conta ele, era preciso uma aranha para uma das cenas. No «Delicatessen», uma produção independente francesa, ele próprio trouxe uma aranha que encontrou no sótão da sua casa; no «Alien 4», um blockbuster de Hollywood, teve de escolher entre centenas de aranhas trazidas por um especialista que cobrou uma fortuna.
Thursday, May 29, 2008
São às dezenas, pá. Às dezenas.
Estou um bocado boquiaberto com a quantidade de e-mails que têm chegado à SIC a pedir uma terceira temporada do «Edição Extra». Desde a exibição do último programa da segunda série, domingo passado, já são mais de sessenta as mensagens recebidas, e isso é algo que me deixa realmente satisfeito. É que uma coisa é gostar do programa, outra é dar-se ao trabalho de escrever um e-mail a pedir que ele continue Eu não teria pachorra para isso, com certeza.
Para além da quantidade, deixa-me contente também o conteúdo. Elogios rasgados, agradecimentos por horas de boa disposição, referências à atenção ao detalhe com que aquilo é feito e, acima de tudo, apelos para que uma possível terceira temporada não vá para o ar na SIC Radical, mas passe para SIC Generalista. Nunca escondemos que esse é o nosso desejo, como é evidente. Para além da maior visibilidade que isso daria ao nosso trabalho, uma mudança para a Generalista significaria também uma melhoria das contrapartidas financeiras que retiramos deste programa e, dessa forma, talvez as horas e horas de trabalho que pomos na sua criação passassem a ser remuneradas de modo mais correspondente. A Radical tem-nos tratado muito bem, mas é lógico que os orçamentos com que um canal por cabo se governa são limitados e quem aceita fazer parte da programação de um canal desses já sabe com que tem de estar disposto a trabalhar mais por gosto do que por dinheiro. Nós aceitámos essa circunstância e, se a direcção da Radical quiser continuar a contar connosco, aceitaremo-la de novo, mas o pulo para a Generalista seria a concretização de um objectico que já temos há anos. Pensamos que estamos preparados para abraçar um projecto desses, mas logo se verá o que vai acontecer.
Tudo isto para dizer o seguinte: o e-mail para enviar mensagens a pedir uma terceira temporada é edicaoextra@sic.pt
Para além da quantidade, deixa-me contente também o conteúdo. Elogios rasgados, agradecimentos por horas de boa disposição, referências à atenção ao detalhe com que aquilo é feito e, acima de tudo, apelos para que uma possível terceira temporada não vá para o ar na SIC Radical, mas passe para SIC Generalista. Nunca escondemos que esse é o nosso desejo, como é evidente. Para além da maior visibilidade que isso daria ao nosso trabalho, uma mudança para a Generalista significaria também uma melhoria das contrapartidas financeiras que retiramos deste programa e, dessa forma, talvez as horas e horas de trabalho que pomos na sua criação passassem a ser remuneradas de modo mais correspondente. A Radical tem-nos tratado muito bem, mas é lógico que os orçamentos com que um canal por cabo se governa são limitados e quem aceita fazer parte da programação de um canal desses já sabe com que tem de estar disposto a trabalhar mais por gosto do que por dinheiro. Nós aceitámos essa circunstância e, se a direcção da Radical quiser continuar a contar connosco, aceitaremo-la de novo, mas o pulo para a Generalista seria a concretização de um objectico que já temos há anos. Pensamos que estamos preparados para abraçar um projecto desses, mas logo se verá o que vai acontecer.
Tudo isto para dizer o seguinte: o e-mail para enviar mensagens a pedir uma terceira temporada é edicaoextra@sic.pt
Monday, May 26, 2008
Trinta e três
Passei um dia de aniversário bem agradável. Depois do brunch (refeição tipicamente novaiorquina, parece-me, que é uma mistura de breakfast com lunch - daí brunch) num café aqui ao pé de casa, fui passear com a Jennifer para a Grenwich Village, no Lower West Side. Bem que gostava de ter ali um apartamentozinho, diga-se de passagem, apesar de pagar dois mil ou dois mil e quinhentos dólares para arrendar um estúdio do tamanho de uma arrecadação no quarto andar de um prédio sem elevador cheio de ratos e baratas, como grande parte das casas em Manhattan, ser, talvez, um preço demasiado elevado a pagar (esta imagem está, admito, um pouco hiperbolizada, mas é a maneira que encontro para aceitar pacificamente o facto de viver em Queens). Sempre em passeio, atravessámos o SoHo em direcção à East Village e sentámo-nos num bar na St. Marks Place, uma das ruas mais interessantes de Manhattan, na minha opinião, onde coabitam ateliês de piercings e tatuagens com restaurantes asiáticos, entre escolas de yoga, lojas de comic books, boutiques retro e gelatarias gourmet - bom local para people watching, portanto. Cerveja para mim, vinho para a Jennifer. Cerveja para mim, vinho para a Jennifer (foi mesmo duas vezes). Por esta altura, já era hora de jantar e eu estava com desejo de sushi. Uma amiga da Jennifer aconselhou-nos um restaurante ali perto que, por sorte, estava com cinquenta por cento de desconto nos rolos. Resumindo: sushi até fartar, mais umas entradas e bebidas por apenas trinta e dois dólares, o que é uma pechincha. O sushi em si não foi o melhor que já comi, mas não era mau e, por trinta e dois dólares, foi um grande negócio. Para sobremesa, e como estávamos no Lower East, fomos em busca do meu New York cheesecake preferido: o chocolate marble cheesecake da Veniero's. Delícia. Trouxemo-lo para casa, porque, como sempre, a pastelaria estava à cunha, e pedimos ainda para embrulhar uma outra iguaria de chocolate que eles lá tinham na vitrina. Saboreámos isso tudo, já refastelados no sofá, a ver o Politics do Ricky Gervais. Muito agradável. Muito agradável, mesmo.
Saturday, May 17, 2008
Primeiras tacadas do ano
Hoje abri a minha época de golfe. Estive no driving range a bater bolas e fiquei com bolhas nos dedos para o confirmar. Tenho mesmo mãos de mulher, pá. É uma vergonha. Tenho a pele mais delicada que a do rabo de um bebé. Vê-se logo que o trabalho manual mais duro que sou obrigado a fazer é carregar o portátil do sofá para a mesa. O problema é que isto de ter bolhas nos dedos afecta-me bastante. Elas não matam ninguém, é verdade, mas prejudicam de modo acentuado o meu desempenho na outra actividade física a que me dedico: jogar Playstation.
Thursday, May 8, 2008
Isto era para ser um post sobre fotografia, mas acabou por ser sobre inveja de que quem tem coragem para fazer aquilo que eu gostaria de fazer
E pronto: o meu curso de fotografia chegou ontem ao fim com uma exibição das melhores imagens tiradas nestas nove semanas. Aquilo estava cheio de gente, porque foram duas turmas a expor, mais os convidados e isso tudo, mas, depois do pessoal se ir embora, acabou comigo meio besunto a falar com o meu professor, também ele meio besunto, enquanto a Jennifer e uma amiga dela esperavam pacientemente e aproveitavam para trocar histórias de alunos que levam facas de cozinha para as respectivas escolas.
O meu professor vai deixar de dar aulas para passar dois ou três anos a viajar pelo mundo. Tenho mesmo muita pena dele, coitado. Que vida desagradável que deve ser passar dois anos a viajar e a tirar fotos. Também falei com uma antiga aluna dele que decidiu vender tudo o que possuía e ir seis meses para o Nepal e depois ir ensinar inglês para o Vietname. Também estou cheio de pena dela, é claro.
Bom, invejas à parte, quando tiver oportunidade, vou organizar as minhas fotos numa página toda bonitinha e colocá-las online. Quando esse projecto estiver concluído, o que só deve acontecer depois de terminada a segunda temporada do «Edição Extra», já que, antes disso, duvido que tenha tempo, darei notícias. Até lá, se quiserem, visitem este site que apresenta uma versão virtual daquele que é, talvez, o melhor álbum de fotografia da história, o «The Decisive Moment», e imaginem que, em vez do Henri Cartier-Bresson, fui eu a tirar aquelas fotos.
O meu professor vai deixar de dar aulas para passar dois ou três anos a viajar pelo mundo. Tenho mesmo muita pena dele, coitado. Que vida desagradável que deve ser passar dois anos a viajar e a tirar fotos. Também falei com uma antiga aluna dele que decidiu vender tudo o que possuía e ir seis meses para o Nepal e depois ir ensinar inglês para o Vietname. Também estou cheio de pena dela, é claro.
Bom, invejas à parte, quando tiver oportunidade, vou organizar as minhas fotos numa página toda bonitinha e colocá-las online. Quando esse projecto estiver concluído, o que só deve acontecer depois de terminada a segunda temporada do «Edição Extra», já que, antes disso, duvido que tenha tempo, darei notícias. Até lá, se quiserem, visitem este site que apresenta uma versão virtual daquele que é, talvez, o melhor álbum de fotografia da história, o «The Decisive Moment», e imaginem que, em vez do Henri Cartier-Bresson, fui eu a tirar aquelas fotos.
Tuesday, May 6, 2008
Esta semana começou à terça
Na semana passada, o trabalho correu-me lindamente. As ideias surgiram-me quase sem pensar e os textos quase que se escreveram a eles próprios. Contudo, ontem, segunda-feira, passei o dia a olhar para o ficheiro de Word em branco. Cada frase escrita, cada frase apagada. Não me saiu uma linha decente. Nem uma. Temi o pior: uma semana seca. Odeio semanas dessas. Já tive algumas, infelizmente, mas hoje acordei disposto a combater essa possibilidade. Afinal quem é que manda aqui? Eu ou o meu cérebro? Fiz um café mais forte do que o costume e liguei o computador cheio de determinação. Escolhi a banda sonora da manhã: «With Every Heartbeat» da Robyn, e «This Is For My People» da Missy Elliot e ouvi estas duas músicas em repeat durante a primeira hora de trabalho.
Resultou.
Resultou.
Wednesday, April 30, 2008
E aquela música do «Fabuloso Destino de Amélie»? Sabe tocar?
Hoje vi um gajo a tocar orgão e acordeão ao mesmo tempo. Eu pensava que era preciso ir a um concerto do Yann Tiersen para assistir a uma coisa dessas, mas afinal parece que não. Basta ir à estação de metro de Union Square.
Thursday, April 17, 2008
Outro post que preferia mais, mas mesmo muito mais, não ter de escrever
Afinal não tenho de pagar apenas dois IRS's, um em Portugal e outro aqui nos Estados Unidos, mas sim três: um em Portugal, e dois aqui. Eu nem sequer queria acreditar, mas aqui, para além do IRS federal, há que pagar também um imposto sobre o rendimento à cidade onde se vive. E não é coisa pouca. Contas feitas, vamos receber um reembolso federal de cerca de quatrocentos dólares mas, em contrapartida - e ponham os vossos olhos nisto - temos de pagar mais de mil dólares à cidade de Nova Iorque. Epá, vão mas é chular a sogra!
Sunday, April 13, 2008
Post que preferia mais, mas mesmo muito mais, não ter de escrever
A renda do meu apartamento subiu para 1200 dólares.
Thursday, April 10, 2008
Coisas que não sabia e agora sei
Para quem percebe alguma coisa de fotografia isto não será novidade nenhuma, mas a mim, que vivia na ignorância das possibilidades de uma máquina fotográfica e, mais concretamente, de uma lente, o meu curso está a fazer revelações extraordinárias. O trabalho de casa da semana passada era tirar duas fotografias que ilustrassem o efeito de proximidade/afastamento do fundo em relação ao objecto utilizando duas distâncias focais diferentes. Eis as imagens que levei (esqueçam a estética, não é isso que interessa aqui):

Não é incrível? As casas são as mesmas nas duas imagens, mas numa parece que os prédios do fundo estão mesmo em cima das casas da frente, enquanto que na outra dá a ideia que elas estão quilómetros de distância. E, na realidade, a distância é a mesma, porque não andei a puxar prédios para trás e para à frente só para provar o meu ponto. Só mudei a distância focal e a distância a que estava das casas. Agora, se isto não é impressionante, então não sei o que será. Bom, por acaso até sei... É isto (não é pornografia, podem ver à confiança):
Depois de ver este vídeo, jurei nunca mais dizer que sei trabalhar no Photoshop. Dou uns toques, vá.
Depois de ver este vídeo, jurei nunca mais dizer que sei trabalhar no Photoshop. Dou uns toques, vá.
Sunday, April 6, 2008
Tri
Ainda bem que não estou em Portugal neste fim-de-semana. Ver o Porto ganhar mais um campeonato à distância não custa tanto. Pelo menos não tenho de levar com as notícias sobre a festa na Avenida dos Aliados.
Saturday, April 5, 2008
IRS vezes dois
Já não bastava ter de entregar declarações de IRS em Portugal, agora tenho de as entregar também aqui. Só vou ter pagar num dos países - acho eu - mas tenho de declarar rendimentos em ambos. Duas vezes a preocupação, duas vezes a chatice, ainda mais porque, para minha infelicidade, ninguém parece perceber muito bem como proceder, já que não é muito normal uma pessoa residir num país e receber o ordenado noutro país sem lá pôr os pés. Ontem passei quase duas horas numa empresa especializada em impostos (a quem, só para quem estiver interessado, vou pagar qualquer coisa à volta de 250 dólares - fo**-se...) e nem eles sabem muito o que fazer. Têm de estudar o caso. São, pelos vistos, possibilidades que a internet abriu e que o IRS ainda não assimilou. A verdade é que, nesta situação, sinto-me como o outro: na América sou português, em Portugal sou americano... não sei o que é que eu sou!
Wednesday, April 2, 2008
Hoje «vim para o trabalho»
Depois de quatro meses em lista de espera, consegui finalmente uma vaga na Paragraph e hoje é o primeiro que vim para cá trabalhar. Por enquanto, está correr bem. Já escrevi um «Memória de Elefante» e agora vou escrever outro. É curioso como a maioria das pessoas pagava para não ter de ir trabalhar para um escritório, e eu pago para vir para um. Quer-se sempre aquilo que não se tem, de facto. Mas tudo bem: isto também não é um escritório normal. Atrás de mim, por exemplo, está uma rapariga deitada no sofá a dormir junto à lareira.
Thursday, March 27, 2008
Não é nenhum Picasso, mas é aquilo que consigo fazer
Estou a curtir à brava o meu curso de fotografia. Para já, estamos a tratar de conceitos mais técnicos como abertura, tempo de exposição, cinzento médio, e coisas do género que, no fundo, são a base da fotografia, e, por isso, os nossos projectos têm sido também eles mais técnicos e pouco interessantes. Contudo, diverti-me bastante com um dos trabalhos de casa da semana passada: fazer algumas experiências com tempos de exposição muito longos. Baseei-me naquela fotografia famosa do Picasso a pintar um quadro de luz e utilizei a mesma técnica para fazer um boneco de luz na minha sala com uma lanterna e uma exposição de 10 segundos:
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