Friday, March 7, 2008

A estreia mais desejada do ano (principalmente por mim, pelo Bruno e pelo Dionísio)

Domingo que vem (dia 9 de Março), o «Edição Extra» volta a SIC Radical. Depois de uma primeira série que registou valores de audiência muitíssimo bons para um novo formato, voltamos a ter a confiança da Radical para um novo conjunto de programas.

Tal como fizemos na primeira temporada, continuaremos a disponibilizar todas as edições no nosso blogue (edicao-extra.blogspot.com). Aqui fica, para já, a promo do programa.

Thursday, March 6, 2008

Miami - Dia 7

É o regresso a casa. Não me apetece.

Wednesday, March 5, 2008

Miami - Dia 6

A Jennifer mal se consegue mexer por causa do escaldão. Praia fica logo fora de questão. Tomamos o pequeno-almoço na Lincoln Road.

Vamos devagarinho até à Ocean Drive, cenário da famosa cena da serra eléctrica no «Scarface».

Passeamos por ali até que o calor se torna algo insuportável. Está tanto calor que dou por mim agradecer o tempo não ter estado assim tão bom durante os outros dias. Sentamo-nos no News Café durante bastante tempo a beber Coronas e a fazer people watching, uma das minhas actividades preferidas. Damos mais umas voltas e acabamos na esplanada da happy hour. Desta vez chegamos mais cedo e saboreamos o nosso último final de tarde em Miami. Lembro-me que tenho de beber um Martini Dry em honra do Bruno. Vamos de novo para South Beach. Peço o Martini.

Vermout com vodka. É quase álcool puro. Penso que seria ridículo alguém entrar num bar e pedir um Martini «shaken, not stirred», como o James Bond. Penso logo depois que deve haver muito gente do que eu penso a fazer isso. Vamos para o hotel fazer as malas.

Thursday, February 28, 2008

Miami - Dia 5

Finalmente, a praia. Não é que o dia esteja radioso, mas está suficientemente bom. Atravessamos a rua e procuramos o melhor local para estender a toalha. Temos de andar um bocadinho porque há um prédio em obras e o barulho dos martelos pneumáticos incomoda um pouco. Ahh... na praia em Fevereiro: acho que é a primeira vez que faço isto. Ameaça chover e preparamo-nos para ir embora. Entretanto o sol volta e voltamos a estender-nos na areia. Jogamos beach ball. Dou duas ou três corridas e fico com a língua de fora. A Jennifer goza comigo e eu faço-me de forte apesar de estar sem fôlego. De vez em quando, atiro a bola para longe para descansar enquanto ela a vai buscar. A meio do dia, vamos beber qualquer coisa a uma esplanada que dá para a praia. O barman diz-nos que há uma happy hour das quatro às sete. Duas bebidas pelo preço de uma. Parece-nos bem e fica marcado encontro para mais logo. Voltamos à praia. Falamos sobre onde queremos ir nas nossas próximas férias. Vamos tomar duche ao hotel porque, entretanto, já são cinco da tarde e queremos a aproveitar a happy hour. A Jennifer tinha posto protector solar, mas está com um grande escaldão. Eu não tinha posto protector nenhum, e também estou com um escaldão. Chegamos ao bar já depois das seis. Temos apenas uma hora mas ainda dá tempo para tirar uma foto da praia:

Peço uma Margarita, a Jennifer um Gin Tónico. A minha Margarita não está grande coisa. Lembro-me da lição que aprendi dias atrás e, desta vez, digo ao barman que a bebida podia estar melhor. Ele faz-me sinal para eu ficar descansado porque vai tratar de mim como deve ser. Não sei o que ele faz, mas a próxima Margarita vem muito melhor. Bebemos mais umas quantas coisas depressa antes das sete. Eu peço um hambúrguer que está muito bom. A Jennifer pede um sandes de Mahi-mahi grelhado (acho que é Dourada, em português) que também está muito boa. Passado um bocado ela já não está a dizer coisa com coisa e eu tenho de lhe acabar a bebida. Depois, para dizer a verdade, não me lembro bem do que acontece no resto da noite.

Tuesday, February 26, 2008

Miami - Dia 4

O plano para hoje é ir às Florida Keys. Acordamos relativamente cedo para alugar um carro. A rent-a-car está uma loucura. A rapariga que está a ser atendida pede por favor para acelerarem o processo porque tem um avião para apanhar em menos de três quartos de hora, mas ninguém parece estar muito preocupado com isso. Quando chega à nossa vez, e como não têm mais nenhum carro compacto disponível apesar de termos feito uma reserva no dia anterior, dão-nos este:

A Jennifer fica um bocado chateada porque é ela que vai conduzir e o carro é grande como os cornos, mas eu acho piada. Vejo no mapa que Coral Gables fica a caminho do nosso destino e decidimos ir lá tomar o pequeno-almoço. A viagem demora dez minutos. Lembro-me que no dia anterior tínhamos levado quase duas horas para chegar quase ao mesmo local de transportes públicos. Comemos um bagel ao pequeno-almoço. Comparado com os bagels de Nova Iorque, este é, em boa verdade, um mini-bagel. Prosseguimos para as Florida Keys. Enorme desilusão. Estava à espera de praias e flamingos, mas não vejo nada disso porque há hotéis por todo o lado. Um pouco frustrados, decidimos voltar para trás e ir aos Everglades procurar crocodilos. Como não somos malucos e não queremos perder uma perna, vamos à Aligator Farm e fazemos uma viagem de airboat.

Só por isto, o dia já valeu. De volta a Miami, a Jennifer bebe água de um coco.

Voltamos a South Beach antes das oito para podermos entregar o carro e não nos preocuparmos com estacionamento. Como uma reuben, a rainha das sandes, na minha opinião. A Jennifer escolhe uma sandes de galinha com queijo parmesão, ou algo parecido. Apesar de termos seguido a estratégia delineada no dia anterior em relação aos jantares, acabamos por pagar à mesma 70 dólares.

Monday, February 25, 2008

Miami - Dia 3

Mais um despertar sem sol. Na verdade, está a chover. Ligo o Weather Channel e a previsão para o resto do dia não é a melhor. Céu geralmente muito nebulado com períodos de chuva. Mesmo assim, bem melhor do que em Nova Iorque, reparo, atacada por um nevão dos grandes. Decidimos deixar a visita às Florida Keys para o dia seguinte, até porque acordámos tarde e já não vai render. Perguntamos a um dos funcionários do hotel o que ele nos aconselha a fazer. Ele diz-nos para irmos a Vizcaya, Coconut Grove e Coral Gables. Parece que sabe o que está a dizer e, por isso, perguntamos também onde podemos encontrar verdadeira comida cubana. Ele fala mal dos restaurantes cubanos da zona turística e indica-nos o caminho para o Latin Café, o restaurante onde os locais vão comer. Gosto da sensação de estar a evitar as tourists traps. No Latin Café, queremos o especial de pequeno-almoço, mas já passou da hora. Paciência. Comemos outra coisa qualquer. Vejo na televisão do café que o Fidel Castro se demitiu. Registo que estou no local certo para ser informado de uma coisa destas, apesar de ninguém parecer ligar muito, diga-se de passagem. Para quem está a ver uma página de história a ser virada, aqueles cubanos estão estranhamente alheados. Um autocarro, um eléctrico e um comboio depois chegamos a Vizcaya. Parece a Quinta da Regaleira, em Sintra. É bonito, e tudo, mas não é o que me apetece ver. Procuro no mapa como ir dali para Coconut Grove. Parece-me que dá para apanhar um autocarro, mas não tenho a certeza. Peço indicações a um senhor que tem um macaco no nariz e ele diz que temos de ir para a paragem do outro lado da estrada e que o autocarro deve passar dali a 10 minutos. Esperamos bem mais de meia hora. Entretenho-me a dizer «Olha o Horatio!», sempre que vejo um Hummer a passar, mas sei bem que não é ele. O Horatio Cane é uma personagem de ficção do CSI: Miami e aqueles Hummers são bem reais. O autocarro acaba por vir. Coconut Grove é uma desilusão ainda maior do que Vizcaya. Nada para ver. Damos a volta àquilo. Começa a chover. Entramos num a loja de surf e perguntamos se vale a pena irmos a Coral Gables. O empregado pergunta se estamos de carro. Respondemos que não. Ele abana a cabeça e diz que andar em Miami nos transportes públicos é a pior coisa que se pode fazer. Eu já tinha percebido, por acaso. Quando estamos a discutir o que fazer, vemos um autocarro e nem pensamos duas vezes: Coral Gables que se lixe! Vamos mas é voltar para Miami Beach. Temos de sair no centro de Miami para apanharmos outro autocarro. A paragem é algo sombria. O mesmo gajo vem-me pedir dinheiro três ou quatro vezes. As drogas lixam mesmo a cabeça a uma pessoa. Vamos para a Ocean Drive e combinamos ir jantar com uma amiga da Jennifer que também está a passar uns dias em Miami. Enquanto esperamos por ela, admiro os famosos edifícios art deco que são a imagem de marca de South Beach. Lamento não ter comigo a máquina fotográfica. A amiga da Jennifer chega e acabamos todos num restaurante que está com 50% de desconto na comida. Mais tarde, chega uma amiga da amiga. Que sorte a dela! Vai passar seis meses a viajar pela América Latina. Procuro saber como é que ela consegue fazer isso. Não trabalha? É milionária? Percebo que, no fundo, o que é preciso mesmo é querer. Depois do jantar elas vão ao cinema e eu e a Jennifer vamos procurar uma boa sobremesa. Pelo caminho, tecemos considerações sobre a comida em Miami. Bem pior do que em Nova Iorque, sem dúvida. Não é que seja má, mas, por aquilo que andamos a pagar, era de esperar bem melhor. Decidimos, por isso, que não vale a pena estar a gastar 70 ou 80 dólares por jantar e mudamos de estratégia: passar a comer sandes e gastar o dinheiro em bebida. Celebramos a decisão com um bolo de chocolate. Ainda é mais ou menos cedo, mas estamos de rastos. Tantos autocarros e comboios deram cabo de nós. No caminho de volta ao hotel, combinamos dizer ao funcionário que nos sugeriu o intinerário para o dia que gostámos imenso de tudo o que vimos, apesar de, na realidade, isso ser mentira. Não estamos é com paciência para grandes explicações.

Sunday, February 24, 2008

Miami - Dia 2

O dia começa sem sol. Espreitamos a praia, mas não está tempo para ir. Talvez mais tarde. Vamos antes ao Turismo para saber o que há para ver e fazer. A senhora dá-me uma montanha de papéis e folhetos. Meia floresta abatida, no mínimo. Diz-nos para irmos a museus. Não. Museus tenho eu com fartura em Nova Iorque. Decidimos ir antes a downtown Miami. Antes de apanhar o autocarro, pequeno-almoço no Van Dyke Cafe, na Lincoln Street, uma das principais ruas de South Beach. Grande sessão de people watching. Depois, em Miami, primeira paragem na Bayside.

Ainda é cedo para bebidas alcoólicas, mas fica já apontado um Daiquiri na marina para mais logo. Começo a ficar com a cabeça vermelha porque entretanto veio o sol. Compro um boné. A empregada da loja diz-nos que «downtown Miami sucks» e que devíamos era ir a um centro comercial. Digo que sim, mas penso que não, como é lógico. Penso ainda como é que é possível alguém dar um conselho destes. Ponho o boné e continuamos a nossa volta por Miami. Acho interessante o que vejo. Sinto-me até capaz de viver lá.

A Jennifer quer ir a Little Havana. Pressinto que, estando nós em Miami, cidade repleta de emigrantes cubanos ilegais, aquilo não deve ser bem o que ela está a pensar. O segurança de um edifício a quem ela perguntou se valia a pena lá ir confirmou o meu pressentimento. Evitar. Continuamos antes por ali. E ainda bem, porque vejo pela primeira vez na minha vida uma casa de banho voadora.

Está na hora do Daiquiri. Voltamos à Bayside. A bebida está tão gelada que até dói nas mãos. Recordo a minha viagem de finalistas à Ilha Margarita porque acompanhava as refeições com Daiquiris. Conto à Jennifer alguns episódios dessa viagem. Voltamos para Miami Beach. Espreitamos de novo a praia, mas já é tarde para um banho. Teorizo sobre a questão de ainda estarmos em Fevereiro e, portanto, os dias não serem muito longos. Atravessamos a rua para o hotel e preparamo-nos para o jantar. Sentamo-nos num restaurante cubano que a senhora do Turismo nos recomendou, mas vamo-nos embora antes do empregrado trazer as ementas. Queremos antes ir a uma esplanada. Acabamos num restaurante italiano, também aconselhado pela senhora do Turismo. Médio. Depois do jantar, um passeio e uma Margarita para ajudar a digestão. Má escolha: parece que estou a beber um copo de tequilha pura. E da má. Dou só dois ou três tragos, mas pago os 11 dólares da bebida. Foi um grande dia, mas vou para o hotel meio chateado comigo próprio por não ter dito à empregada que a Margarita estava péssima.

Saturday, February 23, 2008

Miami - Dia 1

Ao contrário do que eu pensava, não pude aceder à internet no hotel em Miami e, por isso, não tive possibilidade de ir escrevendo à medida que as coisas iam acontecendo. Agora, que já estou de volta, o mais certo é não me lembrar de metade do que queria falar. Mesmo assim, vou tentar fazer um resumo das férias.

DIA 1
Táxi para o aeroporto. Penso que ainda bem que escolhemos apanhar o avião no La Guardia porque é mesmo aqui ao pé de casa. Voo: péssimo. Para começar, sai com cerca de uma hora de atraso. O comandante diz que o atraso é devido a uma avaria no reverse que ainda estão a resolver. Constato que, numa situação destas, prefiro que me mintam e que me digam que o problema é no ar condionado. Atrás de mim, durante as três horas de viagem, um bebé a chorar. Sacana do puto. Enquanto posso, alivio o berraceiro com o leitor de MP3. Na aproximação e aterragem obrigam-me a desligar o aparelho e dou por mim a achar mal o raio do miúdo não ser também a pilhas para que alguém o ponha em off. Chegada a Miami. Humidade. Calor. Táxi para Miami Beach. Check-in no hotel. Grande som a bombar no hall. Decoração cuidada. Parece-me bem. Somos informados que temos de pagar mais 10 dólares por dia por pessoa pelo spoil me plan, um programa não opcional que inclui uma happy hour no bar, acesso a cadeiras desdobráveis na piscina, pequeno-almoço, jornal no quarto todas as manhãs e mais uma data de coisas, a maioria delas enumeradas na lista de ofertas incluídas no pacote que comprámos. Roubalheira completa. Discussão com o recepcionista. «Têm de pagar, é obrigatório». «Isso é que era bom! Não pagamos». Meia hora depois, lá recebemos a chave do quarto depois de obrigarmos o recepcionista a assinar um papel a dizer que não aceitamos as condições do spoil me plan, ou melhor, do fuck me plan - que é como passei a chamar àquele esquema sombrio para enganar pessoas. Digo-lhe que se é para roubar, pelo menos tenham a coragem de me atacar com uma pistola. Ele ri-se. Concorda comigo, mas não é ele que manda. Pomos as malas no quarto e saimos porque já é tarde e estamos com fome. Andamos bastante até chegar a South Beach. Jantamos num restaurante na Espanola Way. Bebo duas ou três Frozen Margaritas e sinto-me já meio tonto. Digo que é da viagem de avião, para disfarçar. O sacana do puto. Fico a pensar que, apesar daquela rua fervilhar actividade, não estou no centro da acção. Não estava mesmo, mas só o haveria de comprovar na dia seguinte.

Sunday, February 17, 2008

Boletim Meteorológico (antes de sair para o aeroporto)

Nova Iorque: 1º
Miami Beach: 24º

E Miami ganha com uma vantagem de 23 graus.

Saturday, February 16, 2008

Kohl (2002-2008)

Morreu esta semana, com cancro no pulmão. Eu gostava dele. Dificilmente me vou esquecer da primeira vez que o vi e ele decidiu esticar-se e pôr as patas da frente nos meus ombros. Por momentos, pensei que me fosse despedaçar a cara com uma dentada - não é todos os dias que um rottweiler nos salta para cima -, mas acabou por correr tudo. Mantive-me firme, até porque, mesmo se me quisesse mexer, não conseguia porque estava paralisado de medo.

Sunday, February 10, 2008

Olh'ó passarinho

Comprei uma máquina fotográfica que já é uma coisa jeitosinha:
Já me inscrevi também num curso de fotografia que vai começar em Março. Sempre tive necessidade de compensar o tempo que passo a escever com alguma actividade mais visual e, agora que, por razões evidentes, não posso participar da fase de edição dos nossos projectos televisivos, e não tenho tido motivação para projectos de design gráfico (sem ser em itálico, como explica - e muito bem - a bbug), espero que a fotografia venha a preencher essa lacuna.

Nuno: Miami

Domingo que vem, por esta hora, já devo estar em Miami. A Jennifer tem uma winter break e vamos aproveitar para passar uma semaninha lá em baixo. Porquê Miami? Por diversas razões, das quais saliento esta: enquanto que aqui em Nova Iorque se prevêem 10 graus negativos para hoje à noite, lá estão 27.

Wednesday, February 6, 2008

TV Guide

Não percam hoje a estreia da série «Dexter» na RTP2.

Monday, February 4, 2008

Nova tentativa - II

Bem, sempre foi melhor do que o ano passado. Os New York Giants ganharam e, na segunda parte, cheguei a a achar o jogo emocionante. É um facto indesmentível que, numa partida de futebol americano, se vêem manifestações impressionantes de força, coragem e rapidez, mas, quanto a mim, falta a este jogo beleza estética. Apesar disso, é impossível não admirar jogadas como a que virou a superbowl a favor dos Giants, uma jogada em que o quarterback consegue sair miraculosamente do meio de quatro ou cinco adversários e, depois, ainda tem o discernimento de fazer um lançamento longuíssimo para um companheiro de equipa que agarra a bola num número de circo capaz de de fazer corar a mais ágil das contorcionistas chinesas. Vejam só isto:

Sunday, February 3, 2008

Nova tentativa

Hoje é dia de Superbowl. Este ano, uma das equipas que vai jogar é aqui de Nova Iorque, os New York Giants, e pode ser que desta vez, como vou torcer por alguém, consiga achar alguma piada ao futebol americano. Duvido, mas nunca se sabe.

Saturday, February 2, 2008

Comentário a um comentário

Já lá vai o tempo em que sentia cada crítica negativa que me faziam como uma facada certeira num ventrículo. Hoje em dia, por ter o meu trabalho mais exposto, percebi que vai haver sempre gente que não gosta disto ou daquilo, mesmo que eu escreva o texto mais genial do universo. Se até os mestres, como o Seinfeld ou o Ricky Gervais, são alvos de críticas, quem sou eu para estar acima delas?

Contudo, numa altura em que o exercício do «comentário» está ao alcance do click de um rato de computador, é assustadora a facilidade com que algumas pessoas espezinham o trabalho dos outros. Não é por um humorista fazer um sketch com menos piada que pode ser ofendido e apedrejado como se fosse um criminoso no meio de uma praça pública. Os «Incorrigíveis» são, talvez, o melhor exemplo disto. Alguns dos comentários que lá são deixados são tão baixos, tão mesquinhos, tão agressivos que dão que pensar na qualidade das pessoas que andam por aí.

Felizmente, a Criâneo não tem sido alvo de ataques demasiado violentos, talvez porque o nosso trabalho não tem ainda a exposição mediática suficiente para despertar invejas e ódios de estimação. Contudo, à medida que vamos crescendo, é curioso verificar que alguns comentários têm vindo a subir de tom e que o nosso trabalho começa a chegar a outro tipo de pessoas, pessoas como aquela que nos deixou o comentário de que gostava de falar aqui hoje.

O comentário em causa refere-se a um dos vídeos que colocámos no Youtube em jeito de avanço da segunda série do «Edição Extra». Trata-se de um excerto do documentário que vamos apresentar sobre o Santana Lopes em que dobramos uma situação em que ele está a ler cartas e a receber telefonemas dando a entender que essas cartas e esses telefonemas são de fãs do antigo primeiro-ministro. Não vou aqui discutir se o vídeo tem piada ou não. A questão não é essa. O que me preocupa é este comentário:

«estupidez, um politico pode ter vida propria e mulheres, nao tem que ser um nerd como voces que acham que ter mulheres deve ser alvo de gozo»

Isto preocupa-me (e não é por me chamarem de «nerd», porque já me chamaram de coisas bem piores). Não consigo compreender como é que é possível alguém ter ainda esta mentalidade num país supostamente desenvolvido como o nosso. Eu não acho que ter mulheres DEVE ser alvo de gozo; acho é que ter mulheres PODE ser alvo de gozo, como, aliás, qualquer outro assunto pode ser alvo de gozo. Aqui é que reside a diferença. Se o Santana Lopes fosse conhecido por ser um eremita e não ter mulheres, também podíamos escrever um sketch sobre isso e, nesse caso, o que diria o nosso enfurecido espectador? Que era uma estupidez porque um homem pode ser um eremita e não ter mulheres, e que não tem de ser um Martini Boy como nós que achamos que não ter mulheres deve algo de gozo? Escrever um sketch sobre um assunto, faz de mim exactamente o contrário? Se escrever um texto a parodiar o Benfica significa que sou do Sporting? Se fizer uma piada sobre o presidente da república significa que sou monárquico? Se gozar com as fotografias da Floribela na FHM significa que sou homossexual? Se escrever uma piada sobre o Gilberto Madaíl estou a dizer que nunca apanhei uma bebedeira?

Aquele comentário reflecte uma mentalidade retrógada que, de certa maneira, justifica a falta de coragem dos programadores da televisão portuguesa. Se o público pensa desta maneira, como é que os responsáveis pelos vários canais podem apostar no humor?

Monday, January 28, 2008

Pensamento ocorrido enquanto uns passeiam e os outros trabalham

Receber cá amigos pela primeira vez e mostrar-lhes a cidade é a experiência que faltava para me sentir um verdadeiro new yorker. Pena é, contudo, que, enquanto new yorker, tenha de ficar hoje a trabalhar porque é segunda-feira enquanto eles andam para aí a passear o dia todo, os cabrões.

Wednesday, January 23, 2008

Coisas que me deixam contente e triste ao mesmo tempo

Passados alguns meses desde que comecei a tentar ver se será possível publicar os meus livros aqui nos Estados Unidos, não tenho grandes notícias a reportar, a não ser que já percebi que nenhum agente me vai ligar nenhuma se os livros não estiverem já em inglês. Se eu fosse um autor famoso a coisa seria diferente, mas não sou, e não há um agente literário nesta cidade que vá perder tempo a considerar uma obra que ainda precisa de ser traduzida quando tem em cima da secretária resmas e resmas de possíveis best-sellers prontos a editar.

Felizmente, encontrei já a minha tradutora. Uma amiga da Jennifer que vive em Portugal quer fazer traduções e nada melhor do que um projecto destes para começar. Estou muito confiante de que vai correr bem e de que vamos trabalhar bem em conjunto, e, para que ela percebesse a atmosfera dos livros, decidi fazer uma busca na Google para tentar encontrar comentários e opiniões externas.

Gostei daquilo que encontrei, por acaso. Para além d' «As Aventuras da A.G.U.I.A.» estarem nas preferências literárias de alguns utilizadores do HI5, encontrei duas pérolas. A primeira, é um comentário num fórum em que uma criança diz que acha que os meus livros são melhores do que os da «Uma Aventura» e do «Bando dos Quatro». É um evidente exagero, até porque essas são duas das mais colecções infanto-juvenis que mais livros venderam em Portugal, mas não deixa de ter piada:

«As Aventuras da A. G. U. I. A., de Nuno Vieira Faustino -> é sobre uma agência de detectives de jovens. Por favor, peço-vos que não comparem esta série de 6 livros com Uma Aventura, Bando dos Quatro e afins. Esta série é fantástica, e eu simplesmente adorei quando os li. É muito divertido e faz puxar pela cabeça para além de que, contada na 1ª pessoa por um puto de pouco mais de 10 anos, nos faz identificarmo-nos com ele, agarrando-nos aos livros»


O outro resultado curioso que encontrei, foi esta descrição feita também por um leitor:

«Antes de ter lido o Eragon e de ter adquirido hábitos de leitura "a sério", como eu os considero, eu lia pouco mais do que livros cientificos, de curiosidades e, por vezes, enciclopédias.
Nesse "pouco mais" podem-se incluir algumas mini-colecções, como por exemplo "As Aventuras da A.G.U.I.A".

Esta mimi-colecção de policiais infanto-juvenis de 6 volumes, escrita por Nuno Vieira Faustino, relata as investigações da A.G.U.I.A. (Associação Geral e Universal de Investigadores Amadores), composta por Diogo Silveira (o "chefe"), Fredy, Débora (a irmã-gémea de Fredy), Miguel e Bruno (o "arqui-inimigo" de Diogo).
As histórias estão muito bem construidas, as acções encadeadas umas nas outras de uma forma... real (?!) e a escrita de Nuno Faustino é simples e fluida, o que contribui para pequenos, agradáveis e fluidos policiais.

Passo a descrever muito resumidamente (até porque já os li há algum tempo) cada volume.

"O Primeiro Voo da A.G.U.I.A." - A Associação Geral e Universal de Investigadores Amadores inevstiga um caso de roubos no supermercado, se bem me lembro mais focalizados nas pessoas idosas.

"O Ás do Tetris" - Depois de alguns desentendimentos entre o Diogo e o seu arqui-inimigo Bruno, aparece o segundo caso: se bem me lembro ligado a um esquema mesquinho de apostas do género de lutas de cães, só que com jogo de Tétris, vejam só!

"Fotografias do Fim do Mundo" - Não me lembro de quase nada deste caso, se não de uma estação abandonada num dia de chuva torrencial... Sorry!

"O Rapto de Iurka" - A A.G.U.I.A. trata dum rapto de uma cadela, em que para descobrirem o seu paradeiro, têm de entrar no mundo das lutas de cães!

"Um Sábado Assombrado" - Um caso que mistura policial com terror, em que os membros da A.G.U.I.A. desvendam o mistério da Casa dos Valentes, uma casa assombrada.

"As Peúgas de Júpiter" - Neste volume, a A.G.U.I.A. trata do desparecimento das peúgas de Júpiter, sendo as peúgas umas meias que são como um amuleto para Júpiter, e Júpiter um cantor do momento que as perdeu, e que ficou sem o seu amuleto da sorte...

PS: Não creio que venham a ser publicados mais nenhum volume da colecção, já que o intervalo entre cada publicação costumava ser entre alguns meses e um ano, e o último já saiu há quase 3 anos. No entanto a colecção não está oficialmente fechada!»


Coisas destas deixam-me triste e contente ao mesmo. Contente, porque elogios deixam qualquer um contente; triste, porque opiniões tão positivas quanto estas me fazem sempre pensar que os livros podiam ter vendido muito mais do que venderam. Às vezes, sinto que estive quase lá. Mas faltou mesmo o «quase». Pode ser que ainda venha.

Sunday, January 20, 2008

Post não aconselhável a vegetarianos e diabéticos

Numa cidade de abundância de escolha como esta, está-se constantemente a tomar opções. Este ou aquele restaurante? Esta ou aquela loja? Ir aqui ou ali?

Quem cá vive há muito tempo construiu já, suponho eu, um catálogo de opções mentais baseado na experiência, mas quem, como eu, está ainda a descobrir o que a cidade tem para oferecer, vê-se obrigado a desenvolver o processo de escolha pedindo sugestões a alguém a quem se atribui alguma confiança ou, na maior parte das vezes, recorrendo a críticas em revistas, jornais e páginas de internet.

O problema é que revistas, jornais e páginas de internet com críticas a isto ou aquilo existem na mesma percentagem de abundância do que aquilo que estão a criticar. Por exemplo, e centrando-me já no assunto que me fez vir aqui hoje, se para escolher um restaurante formos dar atenção a todos os sites que existem online com recomendações, críticas e comentários, é melhor comermos qualquer coisa antes, porque vai ser coisa para demorar um bom bocado.

Sendo assim, pareceu-me evidente já há muitos meses atrás que, antes de tomar uma decisão sobre o que quer que fosse, era preciso escolher que veículos de comunicação eu iria recorrer para tomar decisões. Hoje em dia, e depois de algumas tentativas falhadas, consegui reduzi-los a dois: a revista Time Out New York (de que sou assinante) e o site do New York Times. Cruzando as informações de uma e de outro, é relativamente seguro que uma recomendação em comum se reflicta numa boa experiência.

Foi o caso da noite gastronómica de ontem, em que eu e Jennifer estávamos decididos a encontrar o melhor hambúrguer e o melhor cheesecake de Nova Iorque. Ora, um ponto prévio para dizer que isto de ser «o melhor» é muitíssimo relativo e que, por isso, talvez seja melhor reformular a premissa e dizer então que queríamos provar um dos melhores hambúrgueres e um dos melhores cheesecakes de Nova Iorque.

Eu tinha visto numa das últimas edições da Time Out New York uma lista dos 10 melhores hambúrgueres da cidade e, portanto, a infinitude de possibilidades ficou imediatamente limitada a uma dezena. Quando ao cheesecake, a coisa foi mais complicada, uma vez que, aparentemente, seria necessário irmos ao Bronx ou a Brooklyn para provarmos os melhores dos melhores, e não estávamos para isso. Foi necessário, pois, irmos descendo na lista e, por conveniência de transporte, escolher um hambúrguer e um cheesecake que pudessem ser consumidos em estabelecimentos relativamente próximos um do outro.

Acabámos por eleger o hambúrguer do Back Forty (número quatro do Top 10) o cheesecake da Veniero's (vivamente recomendado por ambas as fontes), dois estabelecimentos localizados a aceitáveis três quarteirões de distância no Lower East Side. Apreciação pessoal:

- O hambúrguer: uma magnífica rodela de carne, generosas fatias de bacon de excepção, queijo cheddar derretido, salada e pickles caseiros, tudo isto acompanhado por batatas fritas temperadas com sal marinho e rosmaninho. Soberbo.

- O cheesecake: só o provei hoje porque a pastelaria estava a abarrotar (e isto já quase à meia-noite...) e decidimos trazê-lo para casa. É um belo cheesecake, talvez o melhor que já comi aqui em Nova Iorque, mas o cheesecake de chocolate da mãe da Jennifer continua a ser o meu preferido de todos os tempos.

Monday, January 14, 2008

De careca para careca

Há poucos dias atrás, estava eu andar pela rua, quando um maluco qualquer olha para mim e atira:

- That's ok, man.
- What? - replico.
- That's ok. I'm bald too.

De facto, era. Era careca. E eu também sou. Até aí, tudo bem. Menos bem foi quando ele decidiu esfregar a cabeça dele na minha, como se aquilo fosse uma saudação secreta, um sinal de cumplicidade entre todos nós, os carecas.

Curiosamente, num dos últimos episódios do «Curb Your Enthusiasm», o Larry David falava dessa tal cumplicidade, dessa ligação que, segundo ele, une todos os calvos numa espécie de irmandade tácita. Devo dizer, contudo, que nunca senti que isso existisse. Pela minha experiência, entre carecas existe apenas compreensão pela inconsistência capilar do outro, e isso está longe de ser suficiente para substancializar uma irmandade.

Seja como for, aquele maluco decidiu mesmo esfregar a cabeça dele na minha, se bem que, a mim, não me engana ele: tinha a careca demasiado branca, muito mais branca do que o resto da pele e isso só pode querer que é um novo-careca, alguém que só há poucos dias, no máximo semanas, decidiu tomar essa importante decisão que é, perante o galopar poderoso da calvície, rapar o cabelo de uma vez por todas. É um bocado como demitir-se antes de ser despedido ou acabar um namoro antes que a namorada acabe primeiro connosco: sabemos que vai acontecer mais cedo ou mais tarde e, por isso, tomamos nós as rédeas da acção para, pelo menos, sairmos da situação com alguma dignidade.

Sendo assim, tratando-se de alguém recém chegado a este lado, deixo-lhe aqui esta piece of advice: eu sei que és novo nisto de ser careca, que ainda não sabes as regras, que ainda estás com a a adrenalina a correr nas veias por teres experimentado pela primeira vez a sensação de ter um gillete a passar pelo couro cabeludo, mas não é normal nós, os carecas, andarmos a esfregar cabeças uns nos outros, ok? Pronto... Vá lá à tua vida, então. E compra um gorro, porque isto quando neva é cá um briol nas orelhas, que nem te passa.