Sunday, January 13, 2008

Trazer o carro? Quem? Eu? Não...

Ontem foi o No Pants Subway Ride Day, o dia em que foi posto em prática mais um evento tipo flash mob em que pessoas que não se conhecem de parte nenhuma são convocadas através de um site ou de SMS para fazerem determinada coisa a determinada hora. Ontem a ideia era entrar no metro e despir as calças como se nada fosse e continuar a agir de modo perfeitamente normal, a ler o jornal ou isso. É claro que, na minha heterossexual opinião, a parte dos gajos de boxers era completamente dispensável, mas uma coisa é certa: meninas no metro de cuecas foi das melhores acções de promoção à utilização dos transportes públicos que tenho visto nos últimos tempos.

Thursday, January 10, 2008

Sinal

Ontem passei grande parte da tarde à procura do café ideal para trabalhar entre a 34th Street e o Central Park. Os requisitos eram os seguintes:

- ter mesa para me sentar (essencial, porque trabalhar de pé afecta-me a criatividade - já para não dizer que cansa);
- não ser demasiado barulhento (mas também não completamente silencioso porque para isso fico em casa);
- não ter serviço de mesa (porque, para além disso implicar alguém a chatear-me de dez em minutos, implicaria também gorjeta - e, nisto de gorjetas, eu sou um bocado como o Mr. Pink dos «Cães Danados»);
- ter casa-de-banho a funcionar (aqueles baldes de café atacam-me a bexiga);
- ter acesso à internet (pode ser que me apeteça visitar um site de pornografia para desanuviar, ou isso);
- ter tomadas de electricidade (já que a bateria do meu portátil está meia lixada);
- ser relativamente cool.

Estou convencido de que são exigências mais ou menos razoáveis, mas a verdade é que a coisa não foi fácil. Calcorreei meia Broadway, andei às voltas por Times Square, subi a 6th Avenue e nada. Quer dizer, cafés havia muitos, como é evidente, mas nenhum deles tinha, por este ou aquele motivo, o perfil desejado. Contudo, quando já me estava a preparar para vir para casa, porque tinha mesmo trabalho para fazer, decidi entrar aqui:

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Não era ideal, ideal, ideal, devo dizer (não tinha internet, por exemplo), mas, quando abri o computador sentado no Starbucks que existe lá dentro, não pude deixar de pensar que se estar ali não era um sinal de que devia mesmo comprar um apartamento na penthouse da Trump Tower, então não sei o que será.

Thursday, January 3, 2008

Oitavo lugar

De volta à rotina matinal de ler os jornais portugueses online e de dar uma vista de olhos por alguns blogues, reparo que o «Edição Extra» foi eleito o oitavo melhor blogue de humor de Portugal. É evidente que ter ficado em primeiro teria sido melhor - ou mesmo em sétimo - mas a verdade é que oitavo já é um posto bastante digno. É melhor do que nono, com certeza. Acho que, para um blogue que só tem um novo post por semana, como o nosso, está mesmo muito bom. Sinto-me de parabéns.

Tuesday, January 1, 2008

Sempre foi melhor que os bailes do Coliseu Micaelense*

Em largos períodos da noite, cheguei a pensar que esta ia ser a pior passagem de ano da minha vida. Mas acabou por não ser.

Tratando-se da minha primeira passagem de ano em Nova Iorque, não quis ficar em casa. Sabia também que não queria ir para a Times Square. Ou melhor, parte de mim até tinha gosto em ir, mas quando comecei as ver as reportagens durante a tarde com imagens das ruas já apinhadas de gente e soube que mais de um milhão de pessoas ia lá estar oito ou nove horas de pé à espera que a bola caísse, essa tal parte de mim depressa deu o braço o torcer.

Outra coisa que eu sabia é que não queria uma passagem de ano alternativa, já que o alternativo só ganha valor depois de se experimentar o convencional. E não estou a falar de alternativo, mesmo alternativo, como passar o ano a andar de bicicleta no Central Park, dar um mergulho no Hudson, ou ir para um centro de meditação onde não se podia falar entre as nove e a uma da manhã (a sério... isso existiu mesmo...). Quando falo em alternativo refiro-me, por exemplo, a passar o ano na Brooklyn Bridge - um plano que ainda considerámos e que, muito possivelmente, estará no topo da lista para o reveillon do ano que vem.

Abandonadas então essas hipóteses, restava então encontrar um bar ou discoteca para onde ir. Parece fácil, não parece? Uma cidade do tamanho desta deve ter centenas ou milhares de bares e discotecas, certo? Certo, mas já eram para aí quatro da tarde de 31 de Dezembro e, para além disso, há aquela questão do $$, uma questão que, sendo pertinente por esse mundo fora numa noite em que os preços são inflacionados de tal maneira que até parece que a passagem de ano será a noite do fim-do-mundo e que, portanto, mais vale gastar o nosso dinheiro todo em bebidas e comidas porque os Cavaleiros do Apocalipse não aceitarão suborno para nos poupar do extermínio da humanidade, é ainda mais pertinente numa cidade que é um dos principais destinos turísticos nesta altura do ano.

Uma busca na internet depressa me fez perceber que a coisa ia ser complicada. Um cruzeiro no rio para ver os diversos fogos de artifício que seriam alegremente lançados em vários pontos de Manhattan: 290 dólares por pessoa; uma entrada num bar com cuspidores de fogo e outras atrações do género: 250; um bilhete para um clube de stand-up sem nada incluído a não ser uma cadeira para ver o espectáculo: 140; admissão na maioria dos clubes, bares e discotecas com direito a uma ou duas horas de bar aberto: entre 125 a 250; e por aí fora.

Depois de muito procurar, lá conseguir encontrar um bar que pedia 35 dólares de entrada. Não estava mal, tendo em conta o resto do panorama. Para além disso, o site dizia que o David Bowie já lá tinha ido e, se um bar é bom para o David Bowie, quem sou eu para dizer que não presta?

Quando saí de casa estava, admito, excitado e satisfeito com as perspectivas. A excitação, contudo, durou pouco. Na verdade, durou cerca de cinco minutos, o tempo de chegar ao restaurante onde eu e a Jennifer havíamos combinado com uma amiga dela, de quem eu gosto, e do respectivo namorado, personagem que eu não conhecia, mas que não precisei nem de meio minuto para perceber que se houvesse uma personificação de chato, desinteressante e parvo seria precisamente ele.

Vocês conhecem-me. Sabem bem que eu sou uma pessoa paciente e tudo isso, mas se há uma coisa para que não tenho paciência é ter de passar tempo com alguém de quem não gosto. Ainda tento ser simpático, mas os meus músculos simplesmente não reagem. Quero sorrir, mas as maçãs do rosto mantêm-se petrificadas. Quero dizer uma piada, mas os meus lábios não se mexem. Quero ter a decência de prestar atenção ao que diz o meu interlocutor, mas o meu pescoço teima em rodar sempre na direcção contrária.

Bom, felizmente, e depois de um processo complicado para entrarmos no bar - que implicou alguns três quartos de horas de espera apesar de termos bilhete -, verifiquei com agrado que a música ia ser boa. Isso, para mim, foi como um boost de energia, uma rivitalização dos sentidos como se do sistema de som estivessem a ser lançadas golfadas de Red Bull. Strokes, Blur, Depeche Mode, Queens of the Stone Age, uns toques de hip-hop aqui e ali, algum bom techno à mistura, enfim: estava à curtir. O problema - grande, aliás - era a quantidade de pessoas. Aquilo estava virtualmente a abarrotar, conjutura que, na verdade, se adapta bem ao meu estilo de dança de mãos do bolsos, mas que é incompatível com dançarinos de movimentos mais vigorosos.

E havia alguns desses por lá.

De modo que, com o avanço do álcool nas veias dos convivas, a coisa tornou-se perigosa. Duvido que o moche (não sei se isto se escreve assim - tenho as minhas dúvidas) num concerto dos Cradle of Filth seja tão potencialmente causador de hematomas como aquela pista de dança. Mesmo assim, ainda curti bastante, e acordei hoje com dois desejos de Ano Novo: comprar uma embalagem de pomada Hirudoid e que o namorado da amiga da Jennifer não saiba ler textos em português.

*Explicação para o pessoal do Continente: são bailes de Carnaval e Passagem de Ano em que se tem de vestir smoking e isso.

Sunday, December 30, 2007

O regresso

Oito horas de voo, dez minutos no AirTrain no Aeroporto de Newark, quarenta minutos no comboio para Nova Iorque e meia hora no metro depois... cheguei a casa. Desta vez, a chegada ao país foi bem mais simples do que há um ano atrás. Bastou mostrar o meu cartão de residente e seguir em frente. Mais difícil, imagino eu, terá sido a entrada do Paulo Camacho, que veio no mesmo avião do que eu. Com carimbos iraquianos no passaporte, suponho que lhe tenham feito uma ou duas perguntas. Ou mil. Seja como for, a verdade é que não o vi na recepção de bagagem. Desejo-lhe sorte, é claro. Espero que estes dias na prisão não lhe estraguem os planos de férias.

Quanto à minha viagem, fiquei um bocado chateado por estar no lado errado do avião. Estava à janela, mas do lado direito, e, à aterragem, Manhattan estava à esquerda. Ainda vislumbrei o skyline a certa altura, mas durante a maior parte do processo de aproximação à pista, o que eu podia avistar era New Jersey - um cenário tão sedutor como a barriga das pernas da minha vizinha russa que deve pesar alguns cento e cinquenta quilos e usa mini-saias quer faça chuva, sol ou neve.

Estes dias em Portugal souberam muito bem, mas agora, de regresso a casa, outras coisas sabem bem, de entre as quais o facto de ter aquecimento central não é das menos relevantes. Pode estar cinco graus lá fora, mas estou a escrever este post de calções e T-shirt, indumentária bem diferente das calças de fato de treino, duas sweat-shirts e gorro com que dormi nos dias que passei em Lisboa.

Thursday, December 13, 2007

I <3 hip-hop

Why?
During our holiday party, two of my colleagues told me that they were surprised I liked hip-hop. I said, "I love hip-hop." I added, "I love Jay Z."
Then a colleague told me her brother just did a video with him. While she was explaining the video, I realized, it's the video for "Roc boys (and the winner is..)"
I almost died. I mean, I could have been an extra or something, at least.
I'm always one minute too late.
Damn a New York minute.

Wednesday, December 12, 2007

Check-out

Estou de saída para o aeroporto. Em princípio, este blogue vai ficar em stand-by, a não ser que a Jennifer escreva alguma coisa ou que me aconteça algo nestas duas semanas e tal que vou estar em Portugal que faça sentido contar aqui.

Espero ver-vos a todos nos próximos dias. Abraços.

Monday, December 10, 2007

Sixers 105 - Knicks 77

Vinte e oito pontos de diferença. Do ponto de vista puramente desportivo, a minha ida ao Madison Square Garden foi um fiasco, mas, como expliquei num post anterior, isso já era mais ou menos previsível. Não deixei, por isso, que a derrota vergonhosa afectasse a emoção de entrar pela primeira naquela que é promovida como «the world most famous arena», um slogan que, apesar de bastante presunçoso, reflecte a mística que rodeia este pavilhão.

A primeira sensação que tive ao entrar no recinto e olhar para o court, lá em baixo, foi de alívio. Estava com medo de que não conseguisse enxergar nada por estar demasiado longe, mas depressa verifiquei que a visibilidade era satisfatória. Dava para ver a bola a entrar no cesto, o que, num jogo de basquetebol, já é meio caminho andado para se perceber o que se está a passar.

Pude então, mais descansado, olhar à minha volta e analisar o Madison Square Garden em detalhe. Não sei se foi por estar habituado ao nosso Pavilhão Atlântico, mas o que me saltou à vista foi o facto daquilo parecer um bocado velho - constatação esta suportada pelo facto daquilo ser mesmo velho já que foi construído em 1968. O contraste dos traços arquitectónicos do passado com a tecnologia de ponta dos monitores gigantes que cobrem o recinto é gritante. É um pouco como se alguém colocasse um LCD no Templo de Diana, ou assim.

Quanto à experiência social propriamente dita, já que esta foi também a primeira vez que assisti a um evento desportivo ao vivo aqui nos Estados Unidos, a nota de destaque vai para o facto dos americanos não pararem quietos durante o raio do jogo. Sentam-se, levantam-se para ir ao bar, voltam com copos de dois litros de Coca-Cola, trocam de lugar, dão uma volta ao pavilhão, saem para ir fumar, voltam a sentar-se, vão buscar mais dois litros de Coca-Cola, chamam o vendedor de cachorros-quentes, tiram fotografias, levantam-se outra vez para ir para o raio que os parta, epá... Sosseguem! Sentem-se e vejam a porcaria do jogo, pá! Os jogadores é que têm de se mexer, não são vocês!

Bom, verdade seja dita que o casal que estava à nossa frente não participava desta roda viva, mas só porque deviam ter os dois à volta de 95 anos de idade. O velhinho ainda se levantou por duas vezes, para ir à casa-de-banho mudar as fraldas da incontinência, suponho, já que, quando voltava, movimentava-se com uma assinalável melhoria de movimentos, mas a velhinha nunca abandonou o seu lugar, a não ser logo depois de começar a segunda parte, quando se foi embora em sinal de protesto para com a má exibição da equipa, dizendo, e passo a citar: «They should be ashamed of themselves».

Ao nosso lado estava outro casal, este de mais tenra idade. Tão tenra, aliás, que, segundo a Jennifer, estavam a ter uma discussão conjugal sobre fotografias no MySpace. Não consegui perceber os detalhes da zanga. É pena.

Apesar do que seria possível depreender por esta descrição, foi uma noite inesquecível, que, contudo, por pouco não ia sendo arruinada pela circunstância de ser Kids Night no Madison Square Garden. Significa isso o quê? Que, em vez de cheerleaders, por exemplo, os intervalos e descontos de tempo eram preenchidos por um grupo de crianças a fazer habilidades, ou com jogos parvos em que duas famílias disputavam um prémio através, sobretudo, da ridicularização dos pais e das mães que tinham de competir entre si fazendo corridas em bolas saltitonas ou percorrendo o court de gatas e de costas. Ainda pensei que o prémio fosse uma viagem de sonho, ou um Bentley, ou isso, enfim, qualquer coisa que valesse a pena ser humilhado em frente de milhares de pessoas, mas não: era apenas um vale de compras na loja dos Knicks. Isso é que mesmo amor à equipa, ou então, não ter noção do ridículo. Agora que penso mais nisto, acho que é mais não ter noção do ridículo.

Felizmente, lá apareceram as cheerleaders. Sim, porque um evento desportivo na América sem cheerleaders, não é evento desportivo, não é nada. Ia ter de pedir o meu dinheiro de volta, e isso ia ser chato porque não sou pessoa de devolver coisas.

Thursday, December 6, 2007

Planos para o ano que vem

Esqueci-me de dizer que, aí há coisa de duas semanas, fui visitar este espaço:

Chama-se «Paragraph» e é um local de trabalho para escritores ou pessoas que se dedicam a actividades ligadas à escrita. Sou bem capaz de me inscrever nisto e começar a trabalhar lá a partir de Janeiro. Gostei bastante do espaço e da localização (fica a um quarteirão da Union Square) e, para além disso, gostei do facto de serem organizadas aqui reuniões informais com agentes literários reservadas a membros - algo que pode fazer avançar o processo de publicação dos meus livros nos Estados Unidos já que chegar à fala com um agente só acontece quase por milagre.

Entretanto, fiz outra descoberta que me deixou bastante entusiasmado para o próximo ano. Descobri que existe um movimento chamado Coworking e que, no fundo, não é mais do que uma comunidade de pessoas com uma situação profissional semelhante à minha, que se juntam para trabalhar em determinado local, aproveitando assim os benefícios do contacto interpessoal e da troca saudável de ideias, sem as quesílias normais de um escritório. De momento, em Nova Iorque, este pessoal reúne-se para trabalhar num café com que tem uma espécie de acordo, mas existem planos para encontrar um espaço mais amplo, um loft ou isso, para onde, através de um pagamento mensal suportável, se possa levar o computador e ter acesso ao espaço em si, a internet, fotocopiadora, máquina de café, enfim... todas as amenidades necessárias para o desenvolvimento profícuo de uma actividade profissional.

Só tenho pena de não ter ouvido falar disto mais cedo porque me parece a solução ideal para o meu caso. Não que eu tenha propriamente um problema. Eu adoro trabalhar em casa e, para ser sincero, nem sequer sinto falta de estar com pessoas o dia inteiro, mas sei que não é saudável. Mais cedo ou mais tarde, é provável que isso começasse a fazer-me mal aos neurónios e é preciso evitar isso a todo o custo já que os meus neurónios são a minha principal ferramenta de trabalho.

Tuesday, December 4, 2007

Banda sonora para o frio

Com a chegada do frio e da neve aqui a Nova Iorque muda a playlist do meu iPod. Apesar de o utilizar quando estou fora casa, encho-o com músicas de ouvir ao pé da lareira, ou, no meu caso, junto ao radiador do aquecimento central. Esta é um bom exemplo: versão de Scott Mathews do «The Boy With a Thorn In His Side» dos Smiths.



Segue-se outra versão, desta feita do «Rocket Man» (não: não é a do David Fonseca). Esta versão é dos My Morning Jacket e tem a grande vantagem de nos oferecer uma oportunidade de ouvir o «Rocket Man» sem que seja preciso pôr a tocar um disco do Elton John, o que é coisa para dar logo início a rumores.



Agora um guilty pleasure que assumo: «The Blower's Daughter» de Damien Rice. E é um guilty pleasure não pela música em si, mas sim porque isto faz lembrar um pouco aquele gajo que tem aquele teledisco em que está na praia com uma camisola de capuz e depois tira a roupa e os sapatos e tudo o que tem nos bolsos, o James Blunt ou lá o que é, e só o facto de ser parecido com esta piroseira já é coisa para se ter vergonha.



Para terminar, e porque o Damien Rice tem uma grande versão do «Creep», os Radiohead. Podia muito bem sugerir o «Nude», do último álbum, mas, sei lá porquê, tenho ouvido outra música que nunca foi das minhas preferidas dos Radiohead: «The Tourist».

Saturday, December 1, 2007

«I love this game!»

Que grande momento, pá! Acabei de comprar bilhetes para o jogo dos Knicks contra os Philadelphia 76'ers. O mais certo é os Knicks levarem mais uma sova, já que este ano, como aliás aconteceu no ano passado, a equipa está uma desgraça (ainda na semana passada perderam um jogo com os Celtics por 104 - 59!), mas não quero saber. A 8 de Dezembro lá estarei no Madison Square Garden a concretizar um dos sonhos que tenho desde miúdo: ver um jogo da NBA ao vivo. Se os Knicks ganharem, ainda melhor. Se ganharem por um ponto de diferença com o cesto vencedor a ser marcado a menos de um segundo do fim... então é perfeito!

Thursday, November 29, 2007

«Charlie Wilson's War»

Mais uma exibição especial de um filme que ainda não saiu: «Charlie Wilson's War». Tom Hanks, Julia Roberts e Philip Seymour Hoffman numa história sobre o envolvimento dos Estados Unidos na guerra entre a União Soviética e o Afeganistão. Eu não sou crítico de cinema - muito longe disso - e o mais natural é isto ganhar uma data de Oscares, mas pareceu-me que este filme é mais uma sequência de acontecimentos do que uma história. É uma película competente e interessante, mas falta-lhe emoção, o que é estranho já que foi escrita por Aaron Sorkin, autor de séries como «Os Homens do Presidente» ou a mais recente «Studio 60 on The Sunset Strip», uma série sobre os bastidores da televisão que foi arrasada pela crítica mas que eu papei com grande avidez.

Tom Hanks e Julia Roberts cumprem o seu papel, como seria de esperar, mas é Philip Seymour Hoffman que merece destaque. Que mais não seja por isso, vale a pena ver o filme só para assistir a mais um grande desempenho deste actor que confirmou todas as suas qualidades em «Capote» e que, agora, dá corpo a um agente da CIA com uma tal presença, credibilidade e magnetismo que é difícil tirar os olhos dele em qualquer cena em que intervenha.

Monday, November 26, 2007

Casa, sweet home

Quase um ano depois de estar aqui a viver, continua a ser um pouco estranho atravessar a George Washington Bridge depois de uns dias fora da cidade, olhar para as luzes de Manhattan, as mesmas luzes que vi em filmes e fotografias desde miúdo, e sentir aquela sensação confortável de quem está quase a chegar a casa. Às vezes ainda é um pouco difícil de acreditar, mas, agora, esta é a minha casa.

Saturday, November 24, 2007

Notas e lições do meu primeiro Thanksgiving

Em Portugal temos imensas feiras gastronómicas, festivais do marisco, recordes que vão desde a maior feijoada até ao maior churrasco do mundo e feriados em que se come até mais não poder, mas o que não temos é um feriado dedicado exclusivamente a comida. E é isso que é o Thanksgiving: uma enorme refeição que começa à uma da tarde e acaba às nove ou às dez da noite. No meu caso, e porque os pais da Jennifer estão separados, duas refeições: uma em casa do pai, outra em casa da mãe, espaçadas por um período de aproximadamente quarenta e cinco minutos.

Na sua essência, o Thanksgiving é a recriação do jantar que os colonos decidiram fazer para agradecer o primeiro bom ano de colheitas desde que se tinham estabelecido na América, sucesso agrícola esse conseguido devido aos ensinamentos dos índios nativos que, por essa razão, foram também convidados para o jantar. Foi, sem dúvida, o ponto alto das relações entre colonos e índios já que, feita a digestão, os índios foram chacinados num espaço de poucos anos. Pode parecer ingratidão, isto de chacinar pessoas depois de nos terem ensinado a sobreviver numa terra desconhecida, mas, quer dizer, povo que nunca chacinou outro que atire a primeira pedra. Nós, portugueses, em termos de chacina devemos estar nos primeiros lugares da tabela, em parceria com os espachóis, imagino, até porque, por alturas do jantar original de Thanksgiving, em 1621, já nós tínhamos anos e anos de experiência chacinatória, desenvolvida à custa de muito povo degolado pelos quatro cantos do mundo.

Bom, mas dizia eu que o Thanksgiving é a recriação desse primeiro jantar, com a diferença de que, à partida, ninguém vai chacinar ninguém nos próximos tempos, até porque isto de mutilar pessoas dá trabalho e implica dispêndio de energia - tarefa para a qual ninguém se voluntaria depois de uma barrigada de perú com recheio, puré de batata, tarte de batata doce, caçarola de feijão verde, coleslaw e souflé de milho, tudo isto cimentado por uma sobremesa de tarte de abóbora, tarte de maçã e cheesecakes de côco e chocolate.

Este foi o meu primeiro Thanksgiving e, como sempre acontece numa primeira vez, há lições a tirar. Destacaria esta: não encher o prato pela segunda vez, principalmente se, dali a três quartos de hora, temos de ir jantar outra vez a casa de outra pessoa. É que, aparentemente, regurgitar perú não é uma das tradições do Thanksgiving*. Estes americanos não sabem o que é diversão, pá.

*Não aconteceu comigo, mas foi por pouco.

Tuesday, November 20, 2007

Dia/Noite

Desde que a hora mudou aqui, às quatro e meia da tarde já está escuro. Às vezes, até dou por mim a pensar que estou na Noruega.

Monday, November 19, 2007

Do, ré, mi

Sábado fui pela primeira vez ao Carnegie Hall (na imagem), uma das mais importantes salas de espectáculo de Nova Iorque. Uma amiga da Jennifer ofereceu-lhe bilhetes para o recital de um pianista russo chamado Denis Matsuev, e nós fomos, movidos mais pela vontade de conhecer o edifício do que propriamente para ouvir o homem. Não é que eu não aprecie uma pianada de vez em quando. Pelo contrário. Vi «O Piano» e tudo. E quando era mais novo até cheguei a ouvir discos do Richard Clayderman, esse monstro da música de elevador que rivaliza ombro a ombro com o Kenny G. ou com a flauta de pan do Rao Kyao.

Bom, seja como for, Denis Matsuev, é, sem dúvida, um génio. E nem me refiro sequer à sua técnica ou talento, porque os meus conhecimentos musicais não são suficientes para avaliar da sua qualidade. Aliás, se ainda fosse preciso provar que sou um ignorante nesse capítulo, bastaria analisar o meu comportamento durante o recital, nomeadamente o cuidado que tive para não ser o primeiro a bater palmas, não fosse eu começar a aplaudir numa pausa, só para descobrir segundos depois que, afinal, não era exactamente o fim da sonata mas apenas uma mudança de andamento. Seria embaraçoso. Mais embaraçoso do que quando o telemóvel de alguém começou a chamar com aquele toque da Nokia, ou quando um velhinho quatro ou cinco filas atrás de mim desatou a tossir de tal maneira que parecia que ia vomitar.

Dizia eu então, e repito agora, que Denis Matsuev é um génio, e essa minha asserção assenta no facto dele ter tocado de cabeça, sem recorrer a pautas nem nada disso. Por um lado, fiquei algo desiludido já que não pude ver ao vivo uma daquelas pessoas que viram as folhas com a música, ocupação que consegue ser ainda mais secundária do que sidekick de super-herói, mas, por outro, observei com admiração a capacidade de memorização do pianista. Decorar peças inteiras de Liszt e Prokoviev não é para qualquer um. Para mim não é, com certeza, que muitas vezes só depois de passar os créditos finais é que me lembro que já tinha visto aquele filme ou que duas semanas depois de ler um livro já não me recordo se foi ou não o mordomo que matou o pobre coitado no primeiro capítulo.

Agora a sério, foi, inquestionavelmente, um grande concerto, e a prová-lo estão os oito ou nove encores que homem fez. De cada vez que ele se sentava para tocar mais qualquer coisa, eu torcia para que fosse o «Moonlight», mas não. Nunca foi. Essa sonata de Beethoven deve ser demasiado fácil para o Denis Matsuev.

Friday, November 16, 2007

A história de Dewey Cox

Durante a exibição do «The Mist» deram-me um convite para ir a uma sessão especial de outro filme, desta feita uma comédia de nome «Walk Hard». Foi ontem. Este filme conta a história de Dewey Cox, um cantor que vive assombrado pelo facto de ter cortado o irmão ao meio durante uma brincadeira com cantanas quando era criança. Dewey atinge o estrelato, mas problemas pessoais, entre os quais o facto do pai estar sempre a repetir que the wrong kid died, leva-o a ter uma vida conturbada e um carreira com altos e baixos que passa pelo country, rock'n'roll, punk, música de intervenção e até uma fase hippie.

«Walk Hard» é uma espécie de paródia ao «Walk The Line», parece-me, mas, o filme sobre a vida de Johnny Cash é bem melhor do que este, mesmo comparando dois géneros completamente distintos. É provável, contudo, que este filme seja bem recebido, até porque é produzido por um dos nomes mais sonantes na nova comédia em Hollywood, Judd Apatow, responsável por grandes sucessos de bilheteira como «Knocked Up» e «Superbad», mas a mim não me convenceu totalmente. Há gags muito bons, ri-me algumas vezes, mas não as suficientes para recomendar uma ida ao cinema para ver o filme. Aluguem o DVD quando sair.

Wednesday, November 14, 2007

A Neblina

Segunda-feira fui à ante-estreia do filme «The Mist». Estou na mailing list da «Time Out New York», uma revista sobre aquilo que anda a acontecer na cidade, e, de vez em quando, eles oferecem bilhetes para este tipo de coisa - o que é óptimo já um bilhete de cinema aqui custa 12 dólares.

Na verdade, eu nem sabia que ia ser a ante-estreia mundial do filme. Pensava que era apenas uma exibição especial, mas dei por mim na mesma sala que os actores da película, o realizador (o mesmo que realizou o grande «Condenados de Shawshank») e uma data de convidados VIP, dos quais tenho a destacar o Stephen King. Eu nem queria acreditar quando ele se levantou para agradecer os aplausos quando o realizador disse que o filme era baseado numa obra sua. Não é que eu tenha alguma vez lido alguma coisa do Stephen King, mas o homem é uma lenda da literatura contemporânea. Não sei se é o autor que mais livros vende em todo o mundo, mas, se não é, deve andar lá perto. E eu estive na mesma sala que ele.

Quanto ao filme propriamente dito, este «The Mist» é um interessante filme de terror, se bem que tenta ser mais do que isso. Utilizando uma situação extrema de pânico colectivo em que um grupo eclético de pessoas é colocado num supermercado durante um ataque de algo que se esconde uma neblina espessa, o filme aborda a questão do fanatismo religioso e da sua relação com o medo. Percebi a intenção, mas não me tocou por aí além. Achei o desenvolvimento dessa componente da história algo apressado. As cenas mais bem conseguidas são, sem dúvida, as de acção nua e crua já que, apesar de envolverem monstros e criaturas irreais, conseguem ser verosímeis ao ponto de eu dar por mim pensar «epá, se eu estivesse fechado num supermercado e fosse atacado por insectos gigantes seria exactamente assim, com certeza». O clímax é potente e fecha o filme de modo emocionalmente satisfatório.

Resumindo: ainda apanhei um cagaço ou outro e, portanto, saí do teatro contente. Principalmente porque não tive de pagar.

Sunday, November 11, 2007

Fim-de-semana em Saratoga Springs

«Aahhhhh... a vida é boa...». Era essa a única coisa que me apetecia dizer depois de sair da sauna e do banho termal que fiz num dos spas de Saratoga Springs. Nunca 45 minutos passaram tão depressa. Agora, com os pólos mais abertos do que nunca, estou na Interstate 87, a caminho de casa. Faltam cerca de 60 milhas para chegar a Queens e estou a deixar para trás um grande fim-de-semana, passado numa cidade conhecida pelas suas corridas de cavalos, mas que tem suficiente variedade de oferta para agradar a pessoas de sensibilidades menos equestres, como é o meu caso.

E a coisa até nem começou muito bem. Chegámos sexta-feira à noite, já um bocado tarde, e a dona do bed and breakfast onde ficámos instalados aconselhou-nos a ir jantar ao Wine Bar. Ainda estou para perceber porquê. Aquilo tresandava a yuppies por todos os lados e não me parece que eu tenha aspecto de yuppie. O que quer que a tenha levado a pensar que aquele restaurante seria o mais indicado para nós vai para além da minha compreensão, mas acaba por não interessar muito para o desenrolar da história porque, como disse, já era tarde e os restaurantes estavam todos a fechar, incluindo aquele. Felizmente, no outro dia de manhã, a senhora não estava por perto, porque ia ser embaraçoso quando ela perguntasse se tínhamos gostado do Wine Bar e nós tívessemos de responder que tínhamos jantado bolo de chocolate e cheesecake de maçã na pastelaria em frente.

O sábado, contudo, abriu em grande. A grande vantagem de se ficar num bed and breakfast em vez de num hotel é exactamente o breakfast. Não é cá aquelas tretas de pequeno-almoço continental tipo buffet. Detesto essas cenas. Um indivíduo ainda está meio a dormir e já lhe estão a pedir para que ande com um prato na mão à procura de comida. É estúpido. Num bed and breakfast, o pequeno-almoço é normalmente caseiro, feito na hora e servido à mesa. Há uma desvantagem, contudo: é que, como o ambiente também é caseiro, é preciso falar com pessoas e isso. E falar com pessoas logo pela manhã é capaz de ser tão puxado como andar com pratos de um lado para o outro num buffet. Mas pronto. Não se pode ter tudo e, entre um e outro, sempre prefiro as pessoas porque pelo menos não corro o risco de as deixar cair no chão e espalhar ovos e bacon pela carpete do hotel.

Durante o resto do dia, fomos passear pela cidade. Nesta altura do ano, o Outono encarrega-se de oferecer cenários pitorescos entre o amarelo e o vermelho a quem tiver disposição para os apreciar, e nós tínhamo-la. Eu sei que prometi fotos, mas estava um frio do caraças e não me apeteceu tirar as luvas.

No domingo, antes de nos virmos embora, foi então a altura para o spa. Eu nunca tinha ido a spas, confesso - se não sou yuppie, muito menos sou metrosexual -, mas, epá... foram 45 minutos de sonho. Os dedos ficaram um bocado enrugados, é verdade, mas, desta vez, não foi de lavar a loiça.

Friday, November 9, 2007

É de ver

Ouvi agora na net que vai estrear em Portugal a série «Flight of the Conchords». Não sei em que canal isto vai passar - deve ser no cabo, porque nenhum canal generalista seria capaz de passar uma coisa destas -, mas é de ver. Nem todos vão gostar. É daquelas coisas que ou se gosta, ou nem se chega a detestar porque passa completamente ao lado. A série conta a história de dois músicos neo-zelandeses que decidem vir para Nova Iorque tentar a sua sorte, nunca conseguindo, contudo, sair do anonimato. A série é de ficção, obviamente, até porque, na vida real, os «Flight of the Conchords» são uma dupla de enorme sucesso na Nova Zelândia e, agora, também aqui nos Estados Unidos. Eles fazem comédia com música, um pouco ao estilo dos «Cebola Mole», para dar um exemplo português, mas as letras são de uma originalidade delirante. Aliás, para a série funcionar em Portugal, a tradução das letras terá de ser muito bem feita.

Para que tenham uma ideia daquilo que os «Flight of the Conchords» fazem, saquei dois vídeos do Youtube com excertos de um espectáculo que eles deram no canal «Comedy Central». Do primeiro vídeo, que fala das quartas-feiras, a noite em que um deles tem sexo com a mulher, destaco esta passagem: «Next thing you know we're in the bathroom brushing our teeth, that's all part of it, that's foreplay, it's very important. Than you go sort out the recycling, that's not part of it, but it's still very important»; do segundo, um tema sobre os problemas da sociedade actual, a minha parte preferida é esta: «There's people on the streets getting diseases from monkeys, yeah that's what I said: they're getting diseases from monkeys. Why is this happening, please? Who's been touching these monkeys? Leave these poor sick monkeys alone, they're sick , they've got problems enough as it is».