Thursday, October 18, 2007

Contudo, à quarta, volta a ter graça outra vez

Ok. Estava eu a pôr o ponto final no post anterior*, quando recebo um telefonema da Apple Store a dizer que afinal tinham conseguido consertar o computador na loja e que, portanto, não era preciso enviá-lo para lado nenhum. Amanhã vou buscá-lo e volta tudo ao normal.

*A expressão «exactamente quando estava a pôr o ponto final no post anterior» foi utilizada apenas para fins dramáticos. Na verdade, foram algumas horas depois. Entretanto, estive a marinar uns bifes de espadarte em salsa e tomilho para o jantar.

E, à terceira, a coisa deixa de ter graça

Tive de ir mais uma vez à Apple Store com um problema no computador, agora com o monitor todo preto, sem dar sinais de vida (e sim: o computador estava ligado). Foi a terceira vez em menos de 8 meses e, se nas outras duas, até achei graça ao facto de ter uma avaria, desta feita o sentimento foi bem diferente. Primeiro, porque tive de ir às 11 da noite; e depois, porque não me conseguiram resolver logo o problema e, por isso, o computador tem de ser enviado para o Apple Depot, uma espécie de centro de avarias mas que, para mim, significa «estás bem fucked, agora tens de esperar duas semanas para teres isto de volta».

Não sei bem o que vou fazer sem ele. Bastou um dia para perceber o quanto estou dependente da porcaria do computador. É lá que tenho todos os meus ficheiros de trabalho, é lá que tenho toda a minha música, é lá que tenho todas as minhas bookmarks para os sites de pornografia, é lá que tenho tudo, basicamente.

A nível profissional, a coisa ainda se vai arranjar porque o Apple Genius ligou o meu computador a outro monitor e eu consegui enviar para mim próprio os ficheiros que precisava para trabalhar. Valha-nos isso porque, caso contrário, tinha de escrever de novo tudo o que fiz desde o início da semana e que ainda não enviei para o Bruno e para o Dionísio. E, já sabe: eu consigo ser brilhante uma vez, mas duas...

O outro lado menos negativo disto é que, pelo menos, não vou ter de pagar nada. Ou melhor, vou pagar apenas 50 dólares porque pedi para eles me fazerem um backup do meu disco rígido antes de enviarem o computador para o «estás bem fucked, agora tens de esperar duas semanas para teres isto de volta». Mas olha: é para eu não ser estúpido e fazer backup dos meus documentos.

Friday, October 12, 2007

Segundo churrasco em Nova Iorque

Não é que só por ter ido ao meu segundo churrasco em Nova Iorque passe a ser especialista em churrascos em Nova Iorque, até porque, se um foi num terraço em Brooklyn com vista para Manhattan, o outro teve lugar no jardim de uma vivenda com tectos de catedral em Forrest Hills, tratando-se, pois, de eventos completamente distintos, mas a verdade é que, por aquilo que tive oportunidade de testemunhar em ambos os casos, os churrascos por aqui são concebidos e concretizados de modo incompleto, constatação esta suportada pela flagrante ausência de frango.

Um churrasco sem frango? Sim, um churrasco sem frango. Ou melhor, um barbecue, porque utilizar a palavra «churrasco» seguida da expressão «sem frango» é pecado, acho eu. E atenção que estou só a referir-me à justaposição desses três vocáculos na mesma frase, porque, se passarmos do campo das construções frásicas algo hipotéticas para o campo do concreto, efectuar, de facto, um churrasco sem frango é algo tão inconcebível que nem consta das leis fundamentais do churrasco. Um churrasco sem frango é tão absurdo como um churrasco sem cerveja estupidamente gelada, daquela que até dói nos dedos de tão gelada que está.

Bom, não me apetece agora ir mudar o título deste post, porque isso ainda dá algum trabalho - ir lá cima, pôr o curso no sítio certo, carregar no delete e isso tudo -, mas, depois do que acabei de dizer, exige-se uma correcção: afinal, desde que estou a viver aqui, ainda não fui a nenhum churrasco. Quanto muito, fui a dois barbecues.

Wednesday, October 10, 2007

Novo momento do «Edição Extra»

A segunda série do «Edição Extra» só irá para o ar em Janeiro, mas já começámos a trabalhar nela e a testar novos momentos para o programa. Uma dessas experiências baseia-se numa rubrica do «Jimmy Kimmel Live», um talk-show da ABC, e consiste em censurar imagens perfeitamente inócuas de modo a simular que elas precisam de censura. Vejam e digam qualquer coisa aqui ou no blogue do «Edição Extra» para percebermos se o momento tem pernas para andar.

Saturday, October 6, 2007

Quero o mesmo que ela

A mãe e o padrasto da Jennifer estão cá este fim-de-semana e, portanto, ontem e hoje foram dias de percorrer novamente alguns dos pontos mais importantes da cidade. Muitos deles já foram referidos aqui em posts anteriores, mas, numa cidade com esta, há sempre ex-libris novos para visitar. É o caso do «Katz's Deli», um restaurante tipo delicatessen famoso por ter entrado no filme «When Harry Meets Sally», naquela cena em que a Meg Ryan simula um orgasmo à frente do Billy Crystal e depois uma senhora que está noutra mesa diz ao empregado que quer o mesmo que ela comeu.

Estava com medo que, como frequentemente acontece nestes casos, a fama do sítio fosse superior à qualidade. Todavia, a sanduíche de pastrami que pedi foi, de longe, a melhor em que alguma vez já tive oportunidade de pôr o dente. Vale a pena lá ir só por causa do raio da sande de pastrami. O resto não foi especialemente memorável, mas aquela sande... Custa 15 dólares, mas porra... é uma grande sande.

Já os não menos famosos cupcakes da «Buttercup Bake Shop» foram uma pequena desilusão.

Quer dizer, são bons, mas esperava mais de um local onde as pessoas fazem filas que dão a volta ao quarteirão só para comprar um bolinho. A dona desta pastelaria não conta mais comigo para expandir o seu império de cupcakes avaliado em 10 milhões de euros.

Não me parece que ela vá dar pela minha falta, contudo.

Thursday, October 4, 2007

America's obsession

Everyone watches "Jaywalking" on Jay Leno in disbelief. How can Americans be sooooooo stupid?
Let me explain.
When we watch our news, we only hear about the United States. We hear about all the shootings, all the political craziness, all the tainted toy recalls and of course, all the celebrity bullshit.
I couldn't believe when every time I turned on the TV, all I heard about was Anna Nicole Smith. And months after her death, I still hear about her and one news channel reached the lowest depths when it showed pictures of her dead body in a hotel room.
Now, everyone has latched onto Britney Spears and will continue to suck her story dry until they push her to her psychological limits and she jumps off the tallest building in LA. As my Panamanian professor would say, "It's not science rocket" that the girl has some serious psychological problems. But instead of respecting that and giving her space so things aren't worse for her, the media documents every minute and every second of her day. Not only that, but they gleefully report on the fact that she is spiraling out of control.
With all of this celebrity drama taking up a large portion of the news, there is no time for thinking. When all we get fed is mind-numbing garbage from the big black box, are you really surprised that we don't know where Iraq is?

Wednesday, October 3, 2007

Não é para turistas (ou é?)

Comprei isto:
É um livrinho de bolso chamado «Not For Tourists» e é isso mesmo: um guia turístico para pessoas que não são turistas. É claro que grande parte desta estratégia é marketing. Sei bem que eles deram esse nome ao guia para os turistas o comprarem, mas a verdade é que este livro é mesmo aquilo que eu preciso: um guia da cidade sem páginas sobre a Estátua da Liberdade, Central Park ou Empire State Building. No fundo, é um conjunto de mapas detalhados de Nova Iorque com listagens de restaurantes, cafés, livrarias, cinemas, estações dos correios e outras coisas do género em cada zona da cidade. Vai-me dar muito jeito, podem crer.

Monday, October 1, 2007

Ainda não é desta que a E.A.G.L.E. voa

Foi em metade de uma folha fotocopiada, mas pelo menos dignaram-se a responder:

«Dear Writer, thank you for your inquiry. We are sorry that we cannot invite you to submit your work or offer to represent you. Moreover, we apologize that we cannot respond in a more personal manner. We wish you the best of luck elsewhere.
»

Perdida a primeira batalha, agora é reformular a carta de apresentação e enviá-la a mais uns quantos agentes.

Sunday, September 30, 2007

Figos e azeitonas

Sexta-feira à noite andámos uns bons vinte ou trinta quarteirões para cima e para baixo na Lexington, Segunda e Terceira avenidas à procura de um restaurante que nos parecesse interessante. Uns estavam cheios, outros à mosca, uns eram muito barulhentos, outros eram muito caros, enfim, sabem como é. Acabámos por jantar num sítio chamado «Fig & Olive», um restaurante/bar com belíssimo aspecto, especializado em comida mediterrânica e em que cada prato da ementa é criado à volta de um tipo de azeite diferente.

O conceito está bem conseguido, mas cedo a experiência gastronónima se começou a desmonorar, nomeadamente quando eu pergunto que tipo de cerveja têm e o empregado me responde que ali não vendem cerveja; apenas vinho. E isto foi dito - detectei-o eu - com um certo tom de desprezo por esses bebedores de cerveja que, na escala dos apreciadores de bebidas alcoólicas, estão uns degraus a baixo daqueles que bebem vinho.

Seja como for, esteja eu em que degrau da escala estiver, a verdade é que eu não bebo vinho e, portanto, para mim foi água. Mas pronto. Se os problemas tivessem ficado por aqui, tudo bem. A coisa ainda passava porque, afinal, uma noite de abstemia não faz a ninguém. Muito pelo contrário. O fígado até agradece, com certeza. O problema maior foi a qualidade da comida que deixou um bocadinho a desejar e, pricipalmente, a temperatura, que estava naquele ponto entre quente e frio, naquele ponto em que não está suficiente quente para saber completamente bem, mas que também não está tão frio para correr o risco de mandar a comida para trás e arriscar uma cuspidadela ou duas por parte do cozinheiro.

Thursday, September 27, 2007

Honey, it's the ninja!

Staten Island is still reporting incidents with the ninja burglar. I can't help but laugh when I see this story on the news. Nuno gets really excited and runs around the house kicking and jumping. I have no doubt that he would kick the ninja's butt. Although, he still pretends he can't see the cockroaches when I call him over to kill them. His idea: if I can't see it, I don't have to kill it.

Wednesday, September 26, 2007

Nova Iorque - Lisboa - Ponta Delgada

Em Dezembro, vou passar por todos os vértices deste triângulo que é a minha existência. Já recebi a confirmação das reservas na Orbitz e, portanto, aqui fica o plano da viagem: de 12 a 20 de Dezembro vou estar em Lisboa e de 21 a 29 vou estar em Ponta Delgada. Esta brincadeira vai-me custar cerca de 930 dólares o que, se o tal triângulo fosse um triângulo rectângulo, seria o valor do quadrado da hipotenusa ou a soma do quadrado dos catetos. Mas o triângulo está longe de ser rectângulo. Nesta fase da minha vida, é assim tipo escaleno, bastante mais descaído para Nova Iorque. Sendo assim, o Teorema de Pitágoras não se aplica.

Monday, September 24, 2007

E.A.G.L.E.

Por esta hora, a agente literária que decidi contactar já deve ter lido a carta de apresentação que lhe enviei sexta-feira passada. É o primeiro passo daquele que promete ser o tortuoso, demorado e ambicioso processo de publicação dos meus livros nos Estados Unidos.

Aqui, ao contrário de Portugal, ter um agente literário é essencial. Indispensável, mesmo. Sem a mediação de um agente, é praticamente impossível que alguém numa editora chegue sequer a olhar para um manuscrito. Dada a importância e influência que eles têm, não admira que conseguir ser representado por um bom agente seja extremamente difícil, uma vez que, perante a infinidade de escritores que vêm para Nova Iorque tentar a sua sorte, os agentes tendem a manter a sua lista de clientes limitada a autores que lhes pareçam rentáveis. Por aquilo que tenho lido em fóruns de escritores espalhados um pouco por toda a internet, as manifestações de alegria exteriorizadas por novos autores ao verem os seus projectos aceites por um agente são tão exuberantes como se recebessem a notícia que vão ser de facto publicados. E a verdade é que, apesar de ser meio caminho andado, falta o resto: o sim de uma editora. Ter um agente não garante nada, se bem que, com todo o conhecimento que eles têm do mercado, seja um bom indicador da viabilidade do projecto.

No meu caso, esta é apenas a primeira tentativa. Uma espécie de apalpar de terreno para ver que tipo de resposta recebo, até porque se trata de uma tradução e, portanto, as regras podem ser um pouco diferentes. Logo se vê. Quando receber a resposta digo qualquer coisa.

Friday, September 21, 2007

Agora sim, vou ficar a perceber como tudo funciona

Decidi ontem que era importante perceber mais de Economia. Estou farto de ouvir notícias sobre taxas de juro, inflação, mercados financeiros, bancos centrais, quantidade de moeda em circulação, e por aí fora, sem perceber patavina do que se está a passar.

Mergulhei, por isso, na internet à procura de um curso sobre o assunto. De início a coisa não estava fácil. A não ser que quisesse tirar um mestrado numa universidade ou que pagasse dois mil dólares por meia dúzia de aulas num instituto privado - o que, mesmo sem perceber de Economia, me pareceu logo uma medida economicamente inviável -, não se afigurava fácil a tarefa de enriquecer os meus conhecimentos neste campo.

Até que, várias páginas do Google depois, descobri a Henry George School of Social Science, uma escola que se dedica a transmitir os ensinamentos de Henry George, um economista que viveu em finais do século XIX e que era apologista de um regime mais justo em que a riqueza fosse melhor distribuída. Ele é também o autor do livro «Progresso e Pobreza», um dos maiores best-sellers de todos os tempos no que diz respeito a livros sobre Economia.

Claro que pensei logo que o homem era que comunista e que talvez não fosse boa ideia frequentar a escola porque ainda levava com o FBI em cima (e, para isso, já me basta o contrabando internacional de desodorizantes, como expliquei no post anterior), mas não: afinal, as ideias de Henry George não têm nada a ver com comunismo. Mais meia dúzia de cliques pela página da escola e verifico que os cursos de Fundamentos da Economia eram grátis. Melhor: um dos cursos começava precisamente ontem. Os deuses da Economia estavam comigo. Registei-me de imediato e, portanto, às seis da tarde, lá estava eu na Park Avenue para a primeira das dez aulas que compõem o curso. O professor assegurou-nos que ficaremos a saber como o mundo funciona e como circula o dinheiro. Óptimo. Talvez perceba finalmente como pô-lo a circular para a minha a carteira.

Thursday, September 20, 2007

Futebol em inglês

Ver jogos de equipas portugueses comentados por ingleses ou americanos tem o que se lhe diga. Para começar, percebe-se que estamos mesmo numa segunda ou terceira divisão do futebol europeu. Não há cá desculpas para as más exibições. No Milão - Benfica, por exemplo, os comentadores fizeram a ressalva de que estávamos a jogar com duas crianças no centro da defesa que nunca tinha actuado juntos na sua curta vida, mas, depois, disso, massacraram completamente o clube. Que nunca conseguiu recuperar o prestígio alcançado nos anos 60, que só por sorte não saiu de San Ciro com uma cabazada por sete ou oito, que não se compreende como uma equipa pode ter chegado à Liga dos Campeões a jogar daquela maneira, e por aí fora.

Mas, pronto... Se se conseguir superar o nervoso miudinho que dá ouvir estas coisas e a vontade de ir às trombas dos comentadores, é possível ouvir tiradas preciosas. Como esta, por exemplo, a respeito do Cardozo e daquele falhanço escandaloso durante o jogo: «You can't get much for nine millions these days». Ou esta, depois de ver o Liedson atirar-se para o chão meia dúzia de vezes e tentar pontapés acrobáticos quando podia chegar lá com a cabeça: «He does have a flare for the dramatic, doesn't he?».

Monday, September 17, 2007

Novo update sobre cereais e desodorizantes

Quando eu pensava que o assunto já estava resolvido, que já tinha finalmente escolhido a marca de cereiais de pequeno-almoço que ia passar a consumir, como aliás já expliquei num post lá para trás, eis que, num impulso de preocupação com o bem-estar e a saúde, me lembro de ler a composição do produto e verifico que se comesse a caixa talvez ingerisse uma coisa com mais nutrientes e menos açúcar. Sendo assim, vi-me obrigado a repensar toda esta questão e voltar à estaca zero. Desta feita, contudo, o critério de selecção estava ainda mais exigente: continuava sem querer aquelas coisas com bifidus activos, aloé vera e outras porcarias do género, mas queria encontrar uma marca de cereais com alguma substância. Felizmente, encontrei isto:

Uma tigela desta cena, e ingiro a dose diária recomendada de praticamente todas as vitaminas à face da Terra. Até me sinto com mais energia só de pensar nisso. Agora... há um problema: não tem chocolote. E, sem chocolate, já se sabe que não levo uma colher disto à boca. De maneira que vai daí e pus a cabeça a pensar, que é para isso que ela serve. Com a embalagem debaixo do braço, dirigi-me à prateleira dos bolos e doçaria e comprei um pacote de pepitas de chocolate, daquelas para pôr em bolachas e isso. Resultado: uma delícia. Uma injecção de vitaminas com gosto a chocolate, como mandam as regras.

Portanto, quanto aos cereiais, acho que está o caso encerrado. Já em relação ao desodorizante, a situação é bem mais delicada. Tanto que já baixei os braços e desisti de encontrar um bom desodorizante americano. A certa altura pensei que tinha conseguido, mas com o passar do tempo e a constatação de que as minhas T-shirts estavam a ficar brancas na zona dos sovacos, resolvi pedir à minha à minha mãe para me enviar uma remessa de desodorizante de Portugal. É uma parvoíce? Sim, um bocadinho, mas é da maneira que não me chateio mais com isto durante uns tempos. Quer dizer, não me chateio se não me prenderem por contrabando internacional de desodorizante. «Ouça lá, não me diga que estas setenta e cinco embalagens de desodorizante são todas para consumo próprio, que eu não acredito». Em princípio não deve acontecer (até porque não pedi setenta e cinco embalagens de desodorizante; esse número foi só para criar efeito dramático).

Sunday, September 16, 2007

Jantar e copo numa noite fria no Soho

Aqui em Nova Iorque come-se fora com alguma frequência. Faz parte do estilo de vida e a oferta é imensa. Eu a Jennifer, como nova iorquinos que somos, ou queremos ser, também o fazemos, normalmente em dias em que nenhum de nós tem paciência para cozinhar. Na maior parte das vezes, exploramos os restaurantes aqui ao pé de casa, mas, em ocasiões especiais, escolhemos um destino com mais cuidado.

Foi o caso de ontem. Para celebrarmos o primeiro cheque da Jennifer no novo emprego, decidimos revisitar o Bistro Les Amis um restaurante no Soho onde tínhamos ido quando viemos de férias a Nova Iorque há cinco ou seis anos atrás. Nessa ocasião, aquilo estava quase por nossa conta, mas ontem, talvez por ser sábado, ou apenas porque o restaurante ficou entretanto na moda, estava à pinha. Ainda bem. Se há coisa que detesto é jantar num restaurante vazio.

Pedi uma sopa de cogumelos como entrada, a Jennifer escolheu a sopa de alhos de franceses. Depois, decidimo-nos ambos pelo filet mignon com cebolas caramelizadas em conhaque em molho bernaise - que, mesmo estando bastante bom, era inferior ao bife com maçã caramelizada do Forno, em São Miguel - e dividimos um crème brulée (que é diferente de leite condensado porque... hã... bom, porque estávamos num restaurante francês). Bebi duas Heinekens e a Jennifer dois copos de Merlot. Total: 118 dólares (140 com gorjeta).

Após o jantar, e enfrentando o frio de rachar que ontem se abateu sobre a cidade sem se perceber muito bem porquê, fomos à procura de um bar no Soho para tomar um copo. Encontrámos um daqueles bares minimalistas todos brancos - se bem que este tinha umas fluorescentes púrpuras a pontuar a imaculada alvura. Estão a ver o género de bar de que estou a falar, certo? É aquele género de bar com objectos espalhados pela sala que se só percebe que são bancos porque estão ao pé de mesas que só se percebe que são mesas porque têm bebidas em cima. Seja como for, outra Heineken para mim, e um cocktail com não sei o quê para Jennifer. Total: 16 dólares (20 com gorjeta).

Com esta brincadeira, lá se foram quase duas dezenas de dólares. Mas, hey: quantas vezes é que se recebe o primeiro cheque num novo emprego?

Thursday, September 13, 2007

Boca d'ouro

É mais ou menos pacífico que os melhores beatboxers são americanos, mas descobri há pouco tempo no Youtube um vídeo que parece querer contradizer esta opinião generalizada. É a audição de um concorrente francês para um daqueles concursos de talentos. É impressionante a quantidade de sons que ele consegue fazer ao mesmo tempo. Vejam isto.

Tuesday, September 11, 2007

Hoje é 11 de Setembro

Hoje é 11 de Setembro, mas não me apetece escrever sobre terrorismo, Bin Laden e a sua nova barba, Ground Zero, teorias da conspiração absurdas, nem nada disso. Contudo, e porque tenho consciência de que sendo este blogue sobre a minha vida em Nova Iorque era obrigatório escrever um post sobre este dia, direi apenas o seguinte: hoje é 11 de Setembro; amanhã, se tudo correr conforme o planeado, será 12.

Sunday, September 9, 2007

O problema é que as estatísticas valem o que valem

Na semana passada, um homem morreu depois de ter levado um tiro na cabeça na estação de metro aqui ao pé de casa. Entretanto, leio hoje que a taxa de crimininalidade violenta em Nova Iorque regista míninos históricos e que esta cidade é hoje em dia a mais segura do conjunto das dez maiores cidades dos Estados Unidos. Leio também que dos cerca de 540 homicídios registados aqui no ano passado, apenas 17 por cento tiveram lugar em Queens, o que é um valor bastante baixo tendo em conta que este é o segundo mais populoso dos cinco boroughs (quase com o mesmo número de habitantes do que Brooklyn que, já agora, regista cerca de 39 por cento dos casos de homicídio em Nova Iorque).

Face a estes dados, não sei o que fazer: sentir-me seguro ou temer pela vida. É que, isto das estatísticas é muito bonito, mas aquela estação de metro fica a dois passos da minha casa.

Thursday, September 6, 2007

If Nuno were a dog...

How many agree that if Nuno were a dog, he would look like this?